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Berg-Ejvind och Hans HustruNo século XIX, à propriedade rural da viúva Halla (Edith Erastoff), chega Kári (Victor Sjöström), um homem de força e iniciativa que em breve se torna capataz e interesse amoroso da patroa. Quem não gosta disso é Björn Bergstéinsson (Nils Aréhn), o meirinho local, cunhado de Halla, e seu pretendente. Investigando sobre Kári, Björn descobre que ele é realmente Ejvind, um homem procurado por roubo. Confrontado por Halla, Ejvind conta-lhe que apenas roubou por fome e privação, e os dois confessam o seu amor, fugindo juntos para as montanhas. Mas nelas, se vivem livres, vão também conhecer as dificuldades e privação, e mais tarde a morte.

Análise:

Menos de um ano depois de “O Lobo do Mar” (Terje Vigen, 1917), Victor Sjöström voltou a escrever, realizar e protagonizar outro filme para a Svenska Bio. de Charles Magnusson, que conseguiria alguma projecção internacional. Tratou-se de “Os Proscritos” (literalmente, “Berg-Ejvind e a Sua Esposa”), uma história baseada numa peça de teatro de 1911 do islandês Jóhann Sigurjónsson, e que tal como “O Lobo do Mar” fazia uso da paisagem natural e do clima inóspito da Escandinávia como centro do enredo.

“Os Proscritos” conta a história, supostamente real, passada no século XVIII, de Berg-Ejvind, ou Ejvind das Montanhas (Victor Sjöström), um homem vindo do sul, sob o nome de Kári, e que encontra trabalho na quinta da viúva Halla (Edith Erastoff). Kári torna-se notado pela sua força, e em breve é figura de proa na quinta, e alvo do interesse amoroso da patroa. Quem não gosta é o meirinho local Björn Bergstéinsson (Nils Aréhn), cunhado de Halla, e pretendente à sua mão. Desconfiando de Káli, descobre que ele é Ejvind, procurado por roubo, e revela-o à cunhada. Ejvind conta então a Halla como apenas roubou por fome e privação, e os dois confessam o seu amor, fugindo juntos para as montanhas. Nelas vivem vários anos, em total liberdade, até serem de novo encontrados, perderem tudo, incluindo o filho pequeno, e terem de se internar em zonas mais agrestes, acabando por morrer juntos numa tempestade.

Filmado em paisagens naturais na Suécia (em Åre e Abisko), em dois momentos, Primavera e Inverno, como modos de recriar a Islândia do mito de Ejvind das Montanhas, “Os Proscritos” volta a ver Victor Sjöström a contar uma história onde a natureza selvagem e o clima agreste são elementos fundamentais, como espelhos da natureza humana. Temos longas colinas geladas, proeminentes penhascos escarpados, impressionantes cascatas, e até geiseres fervilhantes.

Por entre esta enorme palete de condições naturais, a história que se desenrola é de privação, de luta contra os elementos, e principalmente de sobrevivência, num tempo que percebemos, desde o início, ser hostil. É um tempo de pessoas rudes, directas, intempestivas, onde qualquer momento perdido em rodeios ou pensamentos parecerá um passo em direcção ao abismo.

É nesse tempo que Ejvind se torna ladrão, puramente por fome, que Halla desiste da sua vida, simplesmente por amor, e que Björn Bergstéinsson é capaz de montar uma perseguição impiedosa, para defender a honra do seu irmão morto, e o seu orgulho pessoal de homem rejeitado. É por isso que talvez nem choque que Halla seja capaz de sacrificar o filho criança, atirando-o de um penhasco, só para este não ser resgatado pelo cunhado. É acima de tudo uma história de um amor que tudo pode sacrificar, até ao ponto em que nada mais existe que duas vidas sem salvação.

Sjöström filma com planos quase sempre fixos, mas já com algumas panorâmicas, imagens de beleza impressionante, como que sabendo o exotismo que isso traria ao seu filme, dando a ver imagens nunca antes captadas em cinema. A par da omnipresente natureza está, claro, a sua própria interpretação, ele que é já aqui um actor maduro, consciente da forma de manipular as cenas e as emoções.

Não sendo dos melhores filmes de Sjöström, “Os Proscritos” é mais uma obra impressionante pela força que parece saltar da tela. Existem hoje diferentes versões deste filme, incluindo uma que chegará aos 136 minutos.

Produção:

Título original: Berg-Ejvind och Hans Hustru [Título inglês: The Outlaw and His Wife]; Produção: AB Svenska Biografteatern; País: Suécia; Ano: 1918; Duração: 72 minutos; Distribuição: Svenska Biografteaterns Filmbyrå; Estreia: 1 de Janeiro de 1918 (Suécia), 18 de Junho de 1923 (Portugal).

Equipa técnica:

Realização: Victor Sjöström; Produção: Charles Magnusson; Argumento: Sam Ask, Victor Sjöström [a partir da peça “Fjalla-Eyvindur” de Jóhann Sigurjónsson]; Fotografia: Julius Jaenzon [como J. Julius] [preto e branco]; Design de Produção: Axel Esbensen.

Elenco:

Victor Sjöström (Berg-Ejvind / Káli), Edith Erastoff (Halla), John Ekman (Arnes), Jenny Tschernichin-Larsson (Gudfinna), Artur Rolén (Agricultor), Nils Aréhn (Björn Bergstéinsson, O Meirinho), William Larsson (Bjärni Sveinbjörnsson).

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