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Hævnens NatJohn Sikes (Benjamn Christensen) é um homem forte de um circo, que foi condenado por um crime que não cometeu. Na noite de ano novo, John foge da prisão, e rapta o seu filho bebé. Perdidos na noite e no gélido Inverno, John entra na Mansão Ranton, onde convence Ann (Karen Caspersen) a dar-lhe algum leite. Mas confrontada pela família, Ann é forçada a contar que John se esconde no seu quarto e ele é apanhado, prometendo um dia vingar-se de Ann. Catorze anos mais tarde John é libertado, descobrindo que o filho foi entretanto adoptado por alguém que não deixou identificação. Mas quer a fortuna que John acabe no grupo de assaltantes de ‘Slim’ Sam Morton que assalta a casa do Dr. West (Peter Fjelstrup), marido de Ann. Reconhecendo objectos de Ann, John começa a preparar a sua vingança.

Análise:

Em 1916, Benjamin Christensen, então já homem forte da produtora dinamarquesa Dansk-Biografkompagni, estreava o filme “Noite de Vingança”, que internacionalmente seria promovido como sequela de “O X Misterioso” (Det Hemmelighedsfulde X, 1914). Como o seu antecessor partilhava a atmosfera de suspense, e mesmo alguns dos cenários (veja-se por exemplo a casa principal, em que o plano mais usado é o que nos dá visão lateral da lareira – onde alguém sempre se esconde, – com a porta exterior ao fundo).

Desta vez Christensen, que também escreveu e produziu, conta-nos a história de John Sikes (interpretado por ele próprio), um homem forte de um circo, que é condenado por um crime não cometido, e que foge para se juntar ao filho bebé. Perdidos no frio da noite, John tenta a sua sorte junto da mansão Ranton, onde vive Ann (Karen Caspersen), mas acaba apanhado. No desespero final, promete um dia voltar para se vingar de Ann. Catorze anos depois, John é libertado, mas é já um homem velho e quebrado, que fica ainda mais abatido quando percebe que não há forma de traçar o destino do filho que fora dado a um orfanato. Quer a fortuna que John, envolvido com um grupo de ladrões, depare com possessões de Ann, e decida exercer a sua vingança. Descobrindo onde ela vive, atrai o marido desta, o Dr. West (Peter Fjelstrup) a uma armadilha, para enfrentar Ann sozinho. Felizmente a polícia chega a tempo, e John é morto, ao mesmo tempo que se prova a sua anterior inocência.

“Noite de Vingança” é ao mesmo tempo uma história de suspense, sobre uma vingança prometida, e exercida catorze anos depois, como é também um conto sobre os erros da justiça, quer a oficial, quer a pessoal. Nesse sentido John é vítima da primeira (é condenado por um crime não cometido) e culpado pela segunda (quer vingar-se de quem não lhe queria fazer mal), pelo que acabará por pagar, quando ironicamente é ilibado do crime de que fora condenado. É de ironias que se faz o filme de Christensen (que para o mercado internacional aparece como Benjamin Christie), e é por entre elas que John Sikes vai construindo o seu caminho.

Usando cenários já usados noutros filmes, filmando a noite e a paisagem gelada com elegância, usando o mesmo truque anterior do acender e de apagar de luzes, e fazendo ainda uso de uma montagem elaboradíssima (com um complexo cross-cutting de linhas narrativas paralelas), Christensen tem por objectivos fazer-nos sentir a história comovente de John, e criar uma atmosfera de tensão crescente, por entre cada pedaço de informação que se vai juntando ao puzzle, que culmina no confronto final entre John e Ann.

Embora filmando quase sempre com planos fixos, Christensen consegue uma impressionante riqueza de planos e cenários, não se coibindo de usar grandes planos para exacerbar a emoção de um momento. Nota-se no entanto um uso exagerado de inserts de cartas e outros documentos, que nos trazem informação em longos textos que cortam um pouco a fluidez narrativa visual.

Tal como o nome do realizador também os dos personagens foram adaptados para o mercado internacional, sendo, no original, John chamado Henry, e Ann chamada Eva.

Produção:

Título original: Hævnens Nat [Título inglês: Blind Justice]; Produção: Dansk-Biografkompagni; País: Dinamarca; Ano: 1916; Duração: 100 minutos; Distribuição: Greater Vitagraph (V-L-S-E) (EUA); Estreia: 25 de Setembro de 1916 (Dinamarca).

Equipa técnica:

Realização: Benjamin Christensen; Produção: Benjamin Christensen; Argumento: Benjamin Christensen; Fotografia: Johan Ankerstjerne [preto e branco]; Design de Produção: Hjalmar Klæbel.

Elenco:

Benjamin Christensen [como Benjamin Christie] (John Sikes), Karen Caspersen [como Karen Sandberg] (Ann), Peter Fjelstrup (Dr. Richard West), Charles Wilken, Ulla Johansen, Jon Iversen, Aage Schmidt, Mathilde Nielsen, Carl Gottschalksen, Grethe Brandes, Elith Pio, Fritz Lamprecht, Osvald Helmuth, Otto Reinwald, Jørgen Lund.

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