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Erik the VikingErik (Tim Robbins) é um viking que, como todos os outros, participa constantemente em expedições, pinhagens e violações, mas sente que a vida não pode ser só isso. De volta à terra natal, a vidente Freya (Eartha Kitt) diz-lhe que se vive a era do Ragnarok, e que a única forma de a parar, fazendo regressar o sol e a paz, é viajar até Asgard. Erik fica convencido de que essa missão é possível, e reúne um grupo de guerreiros que vão procurar o fim do mundo, encontrando a mítica ilha de Hi-Brazil, governada por Arnulf (Terry Jones), onde, com a ajuda da filha deste (Imogen Stubbs), vão encontrar a trompa que lhes permite chegar a Asgard.

Análise:

Em 1989, o Monty Python Terry Jones realizava o seu segundo filme fora do universo Python, mas com ligações ao grupo que o notabilizara. Não só se se tratava de mais uma produção da produtora pythoniana Prominent Features (desta vez apoiada pela sueca Svensk Filmindustri), como contava com a colaboração do também Python, John Cleese, e música de Neil Innes, o habitual colaborador dos Python.

Partindo do seu livro para crianças, publicado em 1983, “The Saga of Erik the Viking”, Jones escreveu um argumento original, onde apenas o nome do protagonista se mantém. Tal como habitual na sua obra, Jones procura dar voz à Idade Média, neste caso inspirando-se na mitologia nórdica (que ele trata com erudição poucas vezes vista no cinema), satirizando os propósitos do modo de vida dos vikings, quase como se estivesse a escrever um novo “O Sentido da Vida” (Monty Python’s The Meaning of Life,1983).

Isto passa-se porque o personagem principal, Erik (Tim Robbins), é um viking de apurada consciência, que não entende o porquê do sexo sem afecto, o que não o ajuda nas violações decorrentes das pilhagens. Um encontro com a vítima Helga (Samantha Bond), que lhe pergunta qual o sentido de fazer expedições se são apenas para conseguir fundos para financiar expedições, leva-o a tentar entender o motivo do modo de vida violento dos seus pares. Na vidente Freya (Earth Kitt), Erik encontra a resposta. Vive-se a era do Ragnarok, com o sol engolido pelo lobo Fenrir, e em que irmãos se revoltam contra irmãos. Decidido a inverter isto, Erik irá viajar para Hy-Brazil, nem que tenha ir até ao fim do mundo, para encontrar a trompa que, uma vez soada, o levará a Asgard, onde poderá falar com os deuses. Erik convence alguns dos melhores guerreiros, e juntos vão lutar contra monstros, sobreviver a dilúvios, e chegar a Hy-Brasil.

Esta é uma ilha mágica, governada pelo rei Arnulf (Terry Jones) e onde ninguém pode derramar uma gota de sangue. Ajudado pela princesa Aud (Imogen Stubbs), Erik convence os habitantes a indicar-lhe a trompa mágica, mas após um recontro com o bando rival de Halfdan o Negro (John Cleese), e a traição de Loki (Antony Sher), Hy-Brazil afunda-se. Os sobreviventes sopram a trompa e vão até Asgard, onde descobrem que os deuses são crianças sem interesse pelo destino dos humanos.

Por entre lições de mitologia, um fiel descrever do modo de vida viking, e um humor surreal que passa pela ridicularização lógica de certos modos de estar, Jones dá-nos um filme que, esquecendo que se trata de uma fantasia em tom cómico, aborda assuntos sérios. Estes são principalmente o seguidismo cego de convenções, a alienação perante os erros da sociedade, e o sacudir de responsabilidades quando há entidades (os deuses?) a culpar.

Com filmagens na Inglaterra, na Noruega (onde se filmou a vila viking) e em Malta (cenário de Hy-Brazil), “Erik the Viking” é uma aventura fantástica (um pouco como Terry Gilliam vinha fazendo), com um humor que vem essencialmente da sátira da tradição viking. São exemplos as constantes lutas entre Sven (Tim McInnerny) e o pai (Charles McKeown); as tentativas do missionário cristão (Freddie Jones) para converter os vikings; e principalmente os debates lógicos em que Erik se vê envolvido, que dados os propositados anacronismos parecem saídos de sketches dos Monty Python.

Servido de interessantes efeitos especiais e interpretações vívidas, “Erik the Viking” nem sempre mantém o melhor ritmo. Talvez por isso, quando em 2006 o filme foi editado em DVD, foi feita a nova montagem “Director’s Son’s Cut”, por Bill Jones, filho de Terry, para quem, curiosamente, o livro tinha sido originalmente escrito. Com uma interpretação sólida de Tim Robbins, o filme não consegue ligar sempre os seus momentos de humor, mas ainda assim é um exercício interessante, onde tem de se destacar o uso erudito que Jones faz das referências mitológicas.

Como curiosidade acrescente-se que os cartazes e arte publicitária do filme foram desenhados por Alan Lee, habitual ilustrador do universo de Tolkien.

Produção:

Título original: Erik the Viking; Produção: KB Erik the Viking / Prominent Features / Svensk Filmindustri (SF); Produtor Executivo: Terry Glinwood; País: Reino Unido / Suécia; Ano: 1989; Duração: 90 minutos; Distribuição: United International Pictures (UIP) (Reino Unido) / Svensk Filmindustri (SF) (Suécia) / Orion Pictures (EUA); Estreia: Agosto de 1989 (Reino Unido).

Equipa técnica:

Realização: Terry Jones; Produção: John Goldstone; Produtor Associado: Neville C. Thompson; Argumento: Terry Jones; Música: Neil Innes; Orquestração e Direcção Musical: John Altman; Fotografia: Ian Wilson [cor por Technicolor]; Montagem: George Akers; Designer Conceptual: Alan Lee; Design de Produção: John Beard; Direcção Artística: Gavin Bocquet, Roger Cain; Cenários: Joan Woollard; Figurinos: Pam Tait; Caracterização: Jenny Shircore; Efeitos Especiais: Richard Conway; Efeitos Visuais: Kent Houston; Director de Produção: Chris Thompson.

Elenco:

Tim Robbins (Erik), Gary Cady (Keitel, O Ferreiro), Terry Jones (Rei Arnulf), Eartha Kitt (Freya), Mickey Rooney (Avô de Erik), John Cleese (Halfdan O Negro), Tsutomu Sekine (Condutor dos Escravos), Antony Sher (Loki), John Gordon Sinclair (Ivar, O Sem Ossos), Imogen Stubbs (Princesa Aud), Samantha Bond (Helga), Freddie Jones (Harald, O Missionário), Tim McInnerny (Sven, O Berserk), Charles McKeown (Pai de Sven), Richard Ridings (Thorfinn Cuspidor de Crânios), Danny Schiller (Snorri, O Miserável).

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