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YellowbeardNo século XVII, Barba Amarela (Graham Chapman) é um pirata temível pelos navios assaltados, horríficas mortes e violações, que acaba por ser preso por evasão fiscal. Na Inglaterra a cumprir pena, Barba Amarela espera o dia em que será posto em liberdade para recuperar o seu tesouro escondido. Quem por ele espera, é o seu antigo imediato, Moon (Peter Boyle) que colocou o seu espião Gilbert (Marty Feldman) na cela com Barba Amarela. Mas a coroa decide actuar, na pessoa do Comandante Clement (Eric Idle), que prolonga a pena para forçar a fuga de Barba Amarela. Este vai ter a casa da ex-amante Betty (Madeline Kahn), a qual o informa que o mapa do tesouro está no escalpe do filho de ambos, Dan (Martin Hewitt), e juntos partem às escondidas para as Caraíbas, perseguidos por todos.

Análise:

No mesmo ano em que os Monty Python estreavam o seu último filme como grupo, “O Sentido da Vida” (Monty Python’s The Meaning of Life), Graham Chapman escrevia e protagonizava o filme de Mel Damski, “As Loucas Aventuras de Barba Amarela, o Pirata”.

Tudo começou alguns anos antes, quando Keith Moon, dos The Who, sugeriu Graham Chapman uma paródia de um pirata baseado em Edward Teach, o infame Barbanegra. Moon seria o protagonista, mas a sua morte prematura (em 1978) não o deixou ver sequer o início da produção. Em sua homenagem Chapman chamaria Moon ao personagem interpretado por Peter Boyle.

Com argumento escrito com Peter Cook, Bernard McKenna e David Sherlock, “As Loucas Aventuras de Barba Amarela, o Pirata” reunia uma espécie de quem é quem do humor britânico, começando com os também Python John Cleese e Eric Idle, passando pelo citado Peter Cook, a que se juntavam, Peter Boyle, Marty Feldman, Spike Milligan, Cheech Marin, Tommy Chong, Madeline Kahn, Peter Bull e Kenneth Mars. O argumento foi muito trabalhoso, resultando em quatro sucessivas versões, na tentativa de angariar fundos. Aquele que foi finalmente aceite era já pouco fiel às ideias iniciais de Chapman e McKenna, os quais mais tarde publicariam a sua versão preferida no livro “Yellowbeard: High jinks on the high seas”.

Também a nível do protagonista houve imensos avanços e recuos, com Adam Ant, Sting e Martin Hewitt envolvidos no projecto, mas problemas com cada um deles fariam com que o próprio Chapman tivesse de encarnar o personagem principal. Finalmente, com a Hemdale Film Corporation de John Daly a assumir o risco, Mel Damski, que nunca antes realizara uma longa-metragem deu início às filmagens, que decorreram na Inglaterra e no México.

O filme mostra-nos Barba Amarela (Graham Chapman) como um pirata caricatural, de uma violência compulsiva, e que só pensa em matar, violar e roubar. Preso por evasão fiscal (numa piada à história de Al Capone), o pirata espera pacientemente o dia da libertação, para então recuperar o seu tesouro escondido. Com ele espera Gilbert (Marty Feldman, no seu útilmo filme), espião de Moon (Peter Boyle), antigo imediato traído por Barba Amarela. Quando a coroa, por instigação do Comandante Clement (Eric Idle), resolve prolongar a pena de Barba Amarela, para o forçar a fugir, o pirata faz exactamente isso. Pelo meio descobre que tem um filho de Betty (Madeline Kahn), Dan, o jardineiro de Lord Percy Lambourn (Peter Cook), que ele pensa ser seu pai. Sem o saber, Dan tem o mapa do tesouro tatuado no escalpe, pelo que convence Barba Amarela a levá-lo consigo, juntamente com Lord Lambourn e o Dr. Gilpin (Michael Hordern) na caça ao tesouro. Assim embarcam às escondidas no navio do Capitão Hughes (James Mason), o qual, sem saber, leva consigo os homens de Moon, que cedo se amotinam. Resta ainda, na ilha onde está o tesouro, a luta com os homens do tirano espanhol El Nebuloso (Tommy Chong), e a fuga aos soldados de Clement, enquanto Dan tem que provar ao pai que tem estofo de pirata.

Com uma história ao nível de tantas outras do género, “As Loucas Aventuras de Barba Amarela, O Pirata” é influenciado pela figura do lendário Barbanegra (não faltando tranças de barba e cabelo fumegante), e pelo livro de Robert Louis Stevenson, “Treasure Island”. Foi mais um dos muitos filmes de piratas que entre metade dos anos 70 e metade dos anos 80 viram a luz do dia, sempre com o mesmo fim: o fracasso.

Com um protagonista muito caricatural, e uma história bastante desequilibrada, o filme falha em capitalizar aquilo que tem de melhor, os episódios paralelos de personagens secundários. Tal terá sido uma exigência da produtora, para haver coerência na linha de acção, que Chapman achou ter traído o espírito da sua história. Mesmo John Cleese e Eric Idle disseram apenas ter participado para ajudarem o amigo, uma vez que acharam ser um dos piores filmes jamais feitos.

“As Loucas Aventuras de Barba Amarela, o Pirata” vale pela irreverência, pela reconstituição da época (com piratas sujos e patéticos, longe do romantismo das grandes obras do género), com momentos de brilho para alguns dos actores. Nele a sátira é constante, desde a imbecilidade da Rainha Ana (Peter Bull), à inépcia do poderoso El Nebuloso, passando pela já citada compulsão violenta do protagonista. No final o filme perde-se por não conseguir optar entre ter uma história forte, ou dedicar-se a desenvolver sketches individuais.

O filme foi o último de Marty Feldman (que morreria durante as filmagens, tendo de morte do seu personagem de ser precipitada no filme), de Spike Milligan e de Peter Bull. Note-se finalmente um pequeno cameo de David Bowie.

Desde sempre bastante maltratado pela crítica, “As Loucas Aventuras de Barba Amarela, o Pirata” é hoje apenas um filme de culto para fãs de Monty Python, que encontram nalguns dos seus gags traços do humor absurdo do grupo inglês.

Produção:

Título original: Yellowbeard; Produção: Hemdale / Iron Pics / Seagoat Films / Yellowbeard Associates; Produtor Executivo: John Daly; País: Reino Unido; Ano: 1983; Duração: 96 minutos; Distribuição: Orion Pictures (EUA); Estreia: 24 de Junho de 1983 (EUA), 29 de Março de 1984 (Portugal).

Equipa técnica:

Realização: Mel Damski; Produção: Carter DeHaven; Argumento: Graham Chapman, Peter Cook, Bernard McKenna, David Sherlock [não creditado]; Música: John Morris; Orquestração: Jack Hayes; Fotografia: Gerry Fisher [filmado em Panavision]; Montagem: William Reynolds; Design de Produção: Joseph R. Jennings; Cenários: Tim Hutchinson (Reino Unido), Peter James (Reino Unido), Teresa Pecanins (México); Figurinos: Stephen Miles; Caracterização: Neville Smallwood (Reino Unido), Lilia Palomino (México); Efeitos Especiais: Andy Evans (EUA), Arthur Beavis (Reino Unido), Raul Falomir (México); Director de Produção: Brad H. Aronson (EUA), David Ball (Reino Unido), Dennis Holt (Reino Unido), Antonio Rubio [como Tony Rubio] (México), Miguel Lima (México).

Elenco:

Graham Chapman (Barba Amarela), Peter Boyle (Moon), Cheech Marin (El Segundo), Tommy Chong (El Nebuloso), Peter Cook (Lord Percy Lambourn), Marty Feldman (Gilbert), Martin Hewitt (Dan), Michael Hordern (Dr. Gilpin), Eric Idle (Comandante Clement), Madeline Kahn (Betty), James Mason (Captain Hughes), John Cleese (Harvey ‘Blind’ Pew), Kenneth Mars (Mr. Crisp / Verdugo), Spike Milligan (Flunkie), Stacey Nelkin (Triola), Nigel Planer (Mansell), Susannah York (Lady Churchill), Beryl Reid (Lady Lambourn), Ferdy dy Mayne [como Ferdinand Mayne] (Mr. Beamish), John H. Francis (Capelão), Peter Bull (Rainha Anne).

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