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Monty Python Live at the Hollywood BowlEdição dos espectáculos realizados no Hollywood Bowl de Los Angeles, de 26 a 29 de Setembro de 1980. Graham Chapman, John Cleese, Terry Gilliam, Eric Idle, Terry Jones e Michael Palin, acompanhados da fiel Carol Cleveland e do músico Neil Innes (que canta duas das suas canções), apresentam alguns dos melhores números da série televisiva, incluindo “Ministry of Silly Walks”, “The Two Judges”, “The Whizzo Chocolate Company” e “The Argument Clinic”, bem como algumas canções, imagens dos pouco vistos episódios alemães, e os números que nunca foram gravados para televisão “Michelangelo and the Pope”, ” Four Yorkshiremen ” e ” Custard Pie Lecture “, entre outros.

Análise:

Em 1980, quando os Monty Python já trabalhavam naquilo que viria a ser o filme “O Sentido da Vida” (Monty Python’s The Meaning of Life, 1983), o grupo encontrava-se num impasse, sem saber como continuar o projecto. Surgiu então a oportunidade para uma viagem a Los Angeles, onde fariam um conjunto de cinco espectáculos ao vivo, nos quais esperavam encontrar alguma inspiração.

Os espectáculos foram filmados, e uma espécie de “best of” foi editado a partir das cinco noites, para produzir um filme que seria merecedor de passagem no circuito comercial, nos EUA, em 1982, sob o título “Os Monty Python em Hollywood Bowl”. O filme teria realização de Terry Hughes, homem da televisão norte-americana, com excertos dos episódios alemães exibidos durante os espectáculos, creditados a Ian MacNaughton.

Os números incluídos no filme são: Sit On My Face / Self-Wrestling / Never Be Rude To An Arab Part 1 / Michelangelo and the Pope / Never Be Rude To An Arab Part 2 / The Silly Olympiad / The Bruces Philosopher’s Song / Ministry of Silly Walks / The Two Judges / World Forum / Urban Spaceman / The Whizzo Chocolate Company / Albatross / Nudge Nudge Wink Wink /International Philosophy Part 1 / Four Yorkshiremen / International Philosophy Part 2 / The Argument Clinic / I’ve Got Two Legs / How Sweet to be an Idiot / Mr. Smoketoomuch (Travel Agent) / Custard Pie Lecture / Children’s Hour / The Dead Bishop / The Lumberjack Song / Closing Credits.

O material escolhido foi, basicamente, retirado da série de TV “Monty Python’s Flying Circus” (Os Malucos do Circo, 1969-1974), com imagens dos dois episódios alemães (Monty Python’s Fliegender Zirkus, 1972) a ser projectados em ecrã, para permitir mudanças de palco, uma vez que estes eram pouco conhecidos do público em geral. Algum material menos conhecido incluía canções como “Sit On My Face” (nunca antes representada ao vivo), “Never Be Rude To An Arab”, (ambas dos álbums dos Monty Python) e os dois temas de Neil Innes (que com Carol Cleveland completava o elenco) “Urban Spaceman” e “How Sweet to be an Idiot” (esta já presente em espectáculos dos anos 70). Sketches relativamente novos para os fãs eram “Michelangelo and the Pope”, “Four Yorkshiremen” (original do programa de 1967 1967’s “At Last the 1948 Show” de Cleese, Chapman, Marty Feldman e Tim Brooke Taylor) e “Custard Pie Lecture” (escrito por Jones e Palin para a “Cambridge Footlights Revue” de 1963), que apenas haviam sido interpretadas pelos Python ao vivo.

Com uma montagem pensada para retirar momentos mortos (tanto editando mudanças de palco, como destacando pormenores do palco quando noutras porções o cenário mudava), fazer uso das várias câmaras para melhor poder capitalizar os duelos do elenco, e nunca esquecer a importância do contextualizar do público, a realização de Terry Hughes é viva, dando uma excelente ideia da alegria em palco dos Python, e da sua sintonia com o público.

Numa altura em que haviam já conquistado a América, os espectáculos são praticamente de celebração, com um público que é fã, conhece os diálogos, e vai até vestido a rigor. Fazendo uso disso, os Python quebram a quarta parede várias vezes, tanto no sentido convencional (dirigindo-se ao público a meio dos sketches), como passeando algumas vezes pelo meio da animada plateia de Los Angeles (onde os jovens tomam drogas e os velhos andam de patins, segundo Eric Idle).

O formato favorece os Python, que recriam os seus sketches, com algumas alterações, geralmente presas com o facto de terem que gerir apenas sete actores (e um músico – Innes) em sucessão, o que garantiu a Terry Gilliam muito mais tempo de palco do que tinha na série, para não falar de um mais frequente uso de asneiras, não permitidas então na TV. Alguns papéis mudaram de dono, sendo o mais notável a canção “The Lumberjack Song”, aqui cantada por Eric Idle, o mais musical dos Python, e não por Michael Palin como na série.

Os Python provavam aquilo que algum afortunado público já pudera presenciar na década anterior, que ao vivo o lado visceral e imediato do seu humor conferia-lhe uma outra dimensão, que ajudava ainda mais a glorificá-los como expoentes de um inqualificável humor absurdo e surreal.

Produção:

Título original: Monty Python Live at the Hollywood Bowl; Produção: Columbia Pictures Corporation / HandMade Films; Produtores Executivos: Denis O’Brien, George Harrison [não creditado]; País: Reino Unido; Ano: 1982; Duração: 77 minutos; Distribuição: Columbia Pictures Corporation; Estreia: 25 de Junho de 1982 (EUA).

Equipa técnica:

Realização: Terry Hughes, Ian MacNaughton (sequências filmadas); Produção: Terry Hughes; Co-Produção: James Rich Jr.; Argumento: Graham Chapman, John Cleese, Terry Gilliam, Eric Idle, Terry Jones, Michael Palin; Material Adicional: Tim Brooke-Taylor, Marty Feldman, Angus James, David Lipscomb; Animação: Terry Gilliam; Música: John Du Prez, Ray Cooper; Montagem: Jimmy B. Frazier; Design de Produção: John McGraw, John Miles; Direcção de Palco: Mollie Kirkland; Guarda-roupa: Day Murch, Hazel Pethig; Caracterização: Ve Neill, Maggie Weston; Director de Produção: Steve Terry.

Elenco:

[em múltiplos papéis]: Graham Chapman, John Cleese, Terry Gilliam, Eric Idle, Terry Jones, Michael Palin, Carol Cleveland, Neil Innes.

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