Etiquetas

, , , , , , , ,

The Painted VeilA austríaca Katrin (Greta Garbo) assiste com emoção ao casamento da sua irmã (Cecilia Parker), e no mesmo dia é pedida em casamento pelo Dr. Walter Fane (Herbert Marshall), um cientista assistente do seu pai (Jean Hersholt). Entusiasmada pela ideia de casar com alguém culto e com uma vida excitante com o seu pai, Katrin aceita, e segue com Walter para Hong Kong, onde ele supervisiona programas de vacinação e pesquisa médica. Só que Walter é casado com o trabalho, quase se esquecendo de ir a casa, e o adido da embaixada, Jack Townsend (George Brent), notando isso, começa a cortejar Katrin, que sucumbe perante a atenção que não recebe do marido. Quando Walter descobre o que se passa faz um ultimato a Katrin, ou o divórcio, ou seguir com ele para o interior da China para conviver de perto com uma epidemia de cólera.

Análise:

Com a estreia de “O Véu das Ilusões”, em 1934, confirmava-se a tendência de Greta Garbo participar apenas num filme por ano, como já acontecera em 1933, com a produção de “Rainha Cristina” (Queen Christina). Continuavam também os papéis dramáticos inspirados em grandes obras ou personalidades históricas, agora com a adaptação de um romance do popular escritor britânico W. Somerset Maugham.

Com realização do relativamente pouco conhecido realizador polaco Ryszard Bolesławski, “Véu das Ilusões” usava o universo romântico de Maugham, sempre imiscuído dos lugares exóticos da Ásia.

É o que acontece na história de Katrin Koerber (Greta Garbo), que vemos nas cenas iniciais confrontada com a ideia do casamento, no exemplo da irmã, que desposa um bom homem, mas falho de imaginação. No mesmo dia, Katrin recebe a proposta de casamento do Dr. Walter Fane (Herbert Marshall), um médico e investigador, assistente do seu pai (Jean Hersholt). A ideia de alguém como o seu pai, que lhe proporcione uma vida de entusiasmo agrada a Katrin, que aceita casar e seguir com Walter para Hong Kong, onde ele trabalha em pesquisa médica e programas de saúde.

Só que Walter vive para o seu trabalho, negligenciando Katrin, que encontra companhia no adido da embaixada inglesa, Jack Townsend (George Brent), que logo a tenta conquistar. Esta acaba por sucumbir à atenção de Townsend, e quando Walter descobre dá-lhe a escolher entre o divórcio ou seguir com ele para o interior da China onde deve curar um surto de cólera. Perante a hesitação de Townsend em assumir a relação, Katrin sente-se traída e segue com Walter, que entretanto a trata com frieza. Mas as dificuldades sentidas numa terra onde a morte é diária, aproxima o casal, e permite que, pela primeira vez, Katrin passe a amar verdadeiramente Walter.

Aparentemente estávamos perante mais uma história em que a beleza de Garbo resultava numa personagem capaz de levar os homens à loucura e adultério. Mas na verdade, olhando a história para lá das aparências, ela mostra-nos tratar essencialmente das tribulações de uma mulher, arrancada do seu meio, viajando num impulso romântico, constatando que precisa de mais do que ideias, e por fim descobrindo o amor numa partilha diária, num aceitar de sacrifícios e enfrentar de dificuldades conjuntas.

Pode dizer-se que Katrin cai num triângulo amoroso como vítima da sua inexperiência, procurando em Townsend a aparente fantasia, excitação, atenção, para os descobrir como ocos. Em Walter encontrará consistência, abnegação, espírito de sacrifício, e um altruísmo que o leva a pôr em risco a sua própria vida para salvar outros. Não admira por isso que, quando Katrin decide ficar, é no hospital que queira trabalhar, para nessa aprendizagem se aproximar (finalmente compreendendo) aquele que virá a amar.

Com um enredo simples, que gasta metade do filme em cenários exóticos com vista a fazer-nos ansiar também esse mundo romântico de ilusão, “O Véu das Ilusões” revela-se finalmente na segunda metade como uma história de sacrifício, de perdão, e de descoberta dos fundamentos de uma relação. Mais que uma história de seduções e de tragédias de amores impossíveis, como as que constituíram a primeira metade da carreira de Garbo, o filme de Bolesławski insiste no aspecto psicológico.

Seja como for, o filme brilha cada vez que Garbo está em cena, conseguindo uma graciosidade e subtileza naturais ainda acima daquilo a que já habituara o seu público, num filme que, tal como já acontecera com “Rainha Cristina”, foi sobretudo um sucesso na Europa, não acompanhado pelos resultados do filme nos Estados Unidos.

O mesmo livro de Somerset Maugham foi a base do filme “O Véu Pintado” (The Painted Veil, 2006) de John Curran, protagonizado por Naomi Watts e Edward Norton.

Produção:

Título original: The Painted Veil; Produção: Metro-Goldwyn-Mayer (MGM); País: EUA; Ano: 1934; Duração: 81 minutos; Distribuição: Metro-Goldwyn-Mayer (MGM); Estreia: 23 de Novembro de 1934 (EUA), 15 de Outubro de 1935 (Portugal).

Equipa técnica:

Realização: Richard Bolesławski; Produção: Hunt Stromberg; Argumento: John Meehan, Salka Viertel, Edith Fitzgerald [a partir do livro homónimo de W. Somerset Maugham]; Música: Herbert Stothart; Fotografia: William H. Daniels [preto e branco]; Montagem: Hugh Wynn; Direcção Artística: Cedric Gibbons; Figurinos: Adrian; Coreografia da Festa Chinesa: Chester Hale.

Elenco:

Greta Garbo (Katrin Koerber), Herbert Marshall (Walter Fane), George Brent (Jack Townsend), Warner Oland (General Yu), Jean Hersholt (Herr Koerber), Bodil Rosing (Frau Koerber), Katharine Alexander (Mrs. Townsend), Cecilia Parker (Olga Koerber), Soo Yong (Amah), Forrester Harvey (Waddington).

Anúncios