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Monty Python's Quest for the Holy GrailO Rei Artur (Graham Chapman), com o seu fiel escudeiro Patsy (Terry Gilliam), viajam pela Inglaterra em busca de cavaleiros que se lhe juntem em Camelot. Pelo caminho vão encontrar Sir Bevedere (Terry Jones), Sir Lancelot o Bravo (John Cleese), Sir Galahad o Puro (Michael Palin) e Sir Robin o Não Tão Bravo (Eric Idle), que vão viver aventuras tão díspares como combater o Cavaleiro Negro, defrontar os Cavaleiros Que Dizem NI, sobreviver às virgens do Castelo Anthrax, ou resistir aos insultos dos guardas franceses. Tudo para se dedicarem à busca do Santo Graal, que os vai fazer enfrentar um terrível coelhinho branco, o monstro de Arrrgh, e atravessar a Ponte da Morte, a maioria morrendo pelo caminho das formas mais ridículas.

Análise:

Em 1975, terminada a quarta e última temporada da série da BBC, “Monty Python’s Flying Circus” (em Portugal “Os Malucos do Circo”), os seis Monty Python, então de novo com John Cleese, que não participara na última temporada da série, reuniram-se para o seu primeiro filme a partir de um argumento original.

Com vários dos Python a professarem repetidas vezes um gosto pela história (nomeadamente pela Idade Média, da qual Terry Jones é um perito, com livros publicados e programas de televisão), decidiu-se explorar de modo satírico as lendas do Rei Artur, e a iconografia geral da Idade Média. Pela primeira vez também, os Python decidiram ser eles próprios os responsáveis pela realização, tarefa que recairia nos dois Terrys, Gilliam e Jones, factor mais tarde reconhecido como pouco prático, pois nem sempre os dois concordavam, o que levava a repetidos impasses nas filmagens.

Como já muitas vezes faziam na série de televisão, optou-se por cenários naturais, em particular na Escócia. O próprio baixo orçamento foi usado como factor de humor, com a ausência de cavalos a ser explícita pelo uso de cascas de coco a bater umas nas outras, o que resultaria em discussões cómicas entre os personagens.

“Monty Python e o Cálice Sagrado” segue as desventuras do Rei Artur (Graham Chapman) que procura cavaleiros para se juntarem a ele em Camelot, recebendo entretanto a missão de Deus para procurarem o Santo Graal. Artur mantém sempre uma pose pomposa, declamando como numa peça de Shakespeare, o que contrasta com toda a falta de reverência que o ridiculariza a toda a hora, seja da parte de guardas franceses (que surgem em cada castelo onde ele pede ajuda), seja da parte de simples camponeses (como no caso de uma comunidade anarco-sindicalista que não reconhece como rei alguém que recebe uma espada das mãos de uma qualquer galdéria deitada num lago).

Em conjunto, ou isoladamente os cavaleiros vão passar por aventuras tão distintas como enfrentar um cavaleiro negro, ou os temíveis cavaleiros que dizem NI. Sir Galahad o Puro (Michael Palin) vai ter a sua castidade em perigo no castelo de Anthrax, habitado por virgens lideradas por Zoot (Carol Cleveland). Sir Bevedere (Terry Jones) vai distinguir-se pela lógica com que testa uma bruxa (Connie Booth), provando que ela é de madeira, e portanto tão leve como um pato. Sir Lancelot o Bravo (John Cleese) vai todos matar no Castelo do Pântano para salvar um Príncipe efeminado (Terry Jones), julgando que há lá uma donzela em perigo. Enquanto isso Sir Robin o Não Tão Bravo (Eric Idle) vai fugir do cavaleiro de três cabeças, sofrendo as cantigas satíricas do seu jogral (Neil Innes).

Reunidos, e guiados por Tim o Encantado (John Cleese), os cavaleiros enfrentam o coelho assassino de Caerbannog e o Monstro de Aaaaarrrrrrggghhh, antes de se dirigirem à Ponte da Morte, guardada por um adivinho (Terry Gilliam). Finalmente os sobreviventes, Artur e Bevedere, encontram o castelo que guarda o Graal, para o descobrirem habitado pelos franceses que os insultam. Antes do assalto final, a polícia do século XX chega e aprisiona todo o elenco.

Com uma produção solta, fazendo uso dos seus fracos recursos para efeito cómico, os Python realizaram um filme onde, embora exista uma história continuada, a estrutura de sketches lhes permite brilhar em momentos independentes. Como sempre, o seu humor é feito de nonsense, associações surreais, e completo desrespeito por convenções, seja sociais, históricas, ou do próprio cinema, como o atesta o final inesperado.

Momentos como a discussão sobre como podem andorinhas carregar cocos, como descobrir uma bruxa, ou a leitura das escrituras quanto à Sagrada Granada de Antioquia, mostram a irreverência e imaginação em termos de humor verbal, que os Python dominavam a par do mais visual, como o decepar do cavaleiro negro, os ataques do coelhinho branco, ou vacas a serem catapultadas. Situação atrás de situação, são inúmeras as citações que ficaram para a história, numa verdadeira lição de humor nos seus mais diversos níveis, do puro burlesco à sátira, do verbal ao visual, do lógico ao absurdo.

“Monty Python e o Cálice Sagrado” foi um sucesso imediato tanto no Reino Unido como nos Estados Unidos, sendo visto pela crítica como um marco no cinema de humor surrealista e caótico, da estirpe que os Python sempre fizeram.

Em 2005 Eric Idle ressuscitaria a história na escrita do argumento do musical “Spamalot”, em colaboração com o compositor John Duprez, e que seria um estrondoso sucesso, recebendo inclusivamente um Prémio Tony.

Produção:

Título original: Monty Python and the Holy Grail; Produção: Python (Monty) Pictures / Michael White Productions / National Film Trustee Company; Produtor Executivo: John Goldstone; País: Reino Unido; Ano: 1975; Duração: 88 minutos; Distribuição: EMI Films (Reino Unido), Cinema 5 Distributing (EUA); Estreia: 14 de Março de 1975 (EUA), 9 de Abril de 1975 (Reino Unido), 27 de Outubro de 1978 (Portugal).

Equipa técnica:

Realização: Terry Gilliam, Terry Jones; Produção: Mark Forstater, Michael White; Argumento: Graham Chapman, John Cleese, Terry Gilliam, Eric Idle, Terry Jones, Michael Palin; Animação: Terry Gilliam; Canções: Neil Innes; Música Adicional: DeWolfe; Fotografia: Terry Bedford [cor por Technicolor]; Montagem: John Hackney; Design de Produção: Roy Forge Smith; Figurinos: Hazel Pethig; Caracterização: Pearl Rashbass, Pam Luke; Efeitos Especiais: John Horton; Efeitos Visuais: Julian Doyle; Director de Produção: Julian Doyle.

Elenco:

Graham Chapman (Rei Artur / Voz de Deus / Cabeça do Meio / Guarda Tossidor), John Cleese (Segundo Guarda Conhecedor de Andorinhas / O Cavaleiro Negro / Camponês / Sir Lancelot o Bravo / Guarda Insultuoso Francês / Tim o Encantador), Eric Idle (Colector de Mortos / Camponês / Sir Robin o Não Tão Bravo Como Sir Lancelot / Primeiro Guarda do Castelo do Pântano / Concorde / Roger the Shrubber / Irmão Maynard), Terry Gilliam (Patsy / Cavaleiro Verde / Velho da Cena 24 (Guardião da Ponte) / Sir Bors / Animador / Mão do Gorila), Terry Jones (Mãe de Dennis / Sir Bedevere / Cabeça Esquerda / Príncipe Herbert / Voz do Escriba de Cartoon), Michael Palin (Primeiro Guarda Conhecedor de Andorinhas / Dennis / Camponês / Cabeça Direita / Sir Galahad o Puro / Narrador / Rei do Castelo do Pântanoe / Irmão do Irmão Maynard / Líder dos Cavaleiros Que Dizem NI!), Connie Booth (A Bruxa), Carol Cleveland (Zoot / Dingo), Neil Innes (Primeiro Monge / Jogral / Pagem / Camponês), Bee Duffell (Velha), John Young (Morto / Historiador), Rita Davies (Mulher do Historiador), Avril Stewart (Dr. Piglet), Sally Kinghorn (Dr. Winston).

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