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The Wolf of Wall StreetJordan Belfort (Leonardo DiCaprio) é um recém-chegado a Wall Street, onde procura um emprego como corretor da bolsa. Após um revés na sua companhia, e já sedento da fama e dinheiro que vê acumular-se à sua volta, Belfort cria a sua própria empresa, através de esquemas inovadores, manipulação e corrupção, onde os escrúpulos não têm lugar. Com uma equipa de vendedores treinada por ele, onde se incluem Donnie Azoff (Jonah Hill), Nicky Koskoff ‘Rugrat’ (P.J. Byrne), Chester Ming (Kenneth Choi) e Alden Kupferberg ‘Sea Otter’ (Henry Zebrowski), Belfort vai acumular mais dinheiro do que consegue gastar. O resultado são os excessos de uma permanente adrenalina de festas, gastos excêntricos e abuso de sexo e drogas. Pelo meio Belfort conhece a futura esposa, Naomi Lapaglia (Margot Robbie), começa a esconder dinheiro na Suíça e a ser assediado pelo FBI, na pessoa de Patrick Denham (Kyle Chandler).

Análise:

Ao que consta, o projecto de fazer um filme a partir da história de Jordan Belfort, ganhou peso em 2007, curiosamente em vésperas de mais uma crise financeira ter atingido os mercados mundiais. Leonardo DiCaprio e a Warner Bros. conseguiram os direitos das memórias de Belfort, disputados a Brad Pitt e à Paramount Pictures, para confiarem o projecto a Martin Scorsese. Começou-se trabalhar num argumento, mas o filme foi sucessivamente adiado, com Scorsese a estrear outros dois filmes entretanto. Tal levou a Warner Bros. a chamar Ridley Scott em 2010, e pouco tempo depois a desinteressar-se do projecto.

Quem nunca o deixou cair foi Leonardo DiCaprio, que queria produzir e protagonizar a história, conseguindo o apoio da independente Red Granite Pictures, e a subsequente distribuição da Paramount. Voltava Scorsese, e com ele chegava também o argumentista Terence Winter, que colaborava então com o realizador, na série de televisão “Boardwalk Empire” (2010-2014).

Tratava-se de dar a conhecer a história de Jordan Belfort (Leonardo DiCaprio), um jovem corretor da bolsa de Nova Iorque, que depois de perder o emprego na empresa de Mark Hanna (Matthew McConaughey), na segunda-feira negra de 19 de Outubro de 1987, iria criar a sua própria empresa, Stratton Oakmond, e partir para ganhos descomunais nos anos seguintes.

Com a ajuda do amigo Donnie Azoff (Jonah Hill), Jordan vai pegar numa empresa de segundo escalão, que negoceia nas chamadas penny stocks (acções de empresas não cotadas na bolsa, e por isso apenas compradas por baixo preço por pessoas comuns, não conhecedoras do mercado de investimentos), e usar técnicas agressivas de venda, uma imagem forjada para inspirar confiança e um grupo de vendedores treinados por si (P.J. Byrne, Kenneth Choi, Henry Zebrowski), para se tornarem um caso nacional. Uma reportagem na revista Forbes, destinada a denegrir a empresa, tem um efeito contrário, tornando-a a mais procurada, quer por jovens corretores, quer por investidores. Segue-se o golpe com os sapatos de Steve Madden, que graças a um marketing agressivo dão à Stratton Oakmond 22 milhões de dólares em apenas três horas.

Com uma empresa milionária, e dinheiro a jorrar como se tivesse o toque de Midas, Jordan Belfort torna-se quase o guru de uma religião cujo deus é o dinheiro, e a palavra a das vendas. Esse culto é complementado pelo modo como Jordan estimula os excessos (em si e nos outros) que passam por constantes festas, gastos excêntricos, muito sexo e drogas, que passam tudo o que é razoável, num clima constantemente acelerado, mesmo com o seu pai (Rob Reiner) a tentar fazer o controlo dos acidentes. Tal mudança de estilo de vida leva-o ainda ao divórcio da sua namorada de adolescência, Teresa Petrillo (Cristin Milioti), que troca pela escultural loura, Naomi Lapaglia (Margot Robbie), com quem terá dois filhos.

Mas cedo o FBI passa a investigar Jordan, que começa por tentar subornar o agente Patrick Denham (Kyle Chandler). Jordan opta então para mover o seu dinheiro para uma conta na Suíça, no banco de Jean-Jacques Saurel (Jean Dujardin), sob o nome da tia de Naomi, Emma (Joanna Lumley), que tem passaporte inglês. O dinheiro é levado ilegalmente pela família do seu amigo e traficante, Brad (Jon Bernthal), mas a morte da tia Emma, primeiro, e o aprisionamento de Saurel, mais tarde, começam a deitar tudo a perder, num momento em que Naomi, cansada do estilo de vida do marido, exige o divórcio, e o FBI o força a colaborar para evitar males maiores.

Como não podia deixar de ser, quer pela história que conta, quer pelo realizador que o dirige, “O Lobo de Wall Street” é sobretudo um filme de excessos e decadência. É o retrato, que talvez nos pareça um tanto ou quanto irreal, de um mundo que foi o de Wall Street nos anos áureos da segunda metade dos anos 80 e primeira dos anos 90, era máxima do neo-liberalismo de Reagan e Bush e da completa ascensão dos mercados financeiros. Época dos yuppies, do dinheiro fácil, e das vidas vazias de esbanjamento e ostentação.

Baseado na história verídica de Jordan Belfort (que aconselhou inclusivamente Leonardo DiCaprio, em vários aspectos da sua interpretação), mas mudando o nome dos restantes interveniente, o filme de Scorsese é uma descrição de um mundo que nos parece falso e distante, onde o dinheiro chega de modo fácil, feito sem escrúpulos por quem sabe que está a enganar, e tem como único objectivo jogar o jogo de fazer mais dinheiro. Sem qualquer pé no mundo real a sua volta, Belfort e os seus acólitos (já que a sua empresa se assemelha cada vez mais a um culto, e os discursos motivacionais do líder a mensagens religiosas), brindam esse afastamento com tudo o que podem usar como alienação. Surgem as festas excêntricas (onde atirar anões a um alvo se torna um dos ícones do filme), o completo deboche de bebida, drogas e sexo. A ostentação pura e simples (basta ver o iate de Belfort), e claro as vidas desregradas onde poucos limites (ou pessoas) são respeitados.

Tanto excesso em primeiro plano é, obviamente, terreno fértil para Scorsese se deleitar a filmar com a qualidade habitual. Tal é visível, quer na construção dos sets, quer na escolha dos planos, quer nas interpretações aceleradas, quer na montagem rápida, cheia de cortes que insinuam alterações de consciência (resultado de tantas drogas). Nesse sentido “O Lobo de Wall Street” funciona quase como um culminar de tudo o que o realizador conseguiu nalguns dos seus filmes mais arriscados, com “Tudo Bons Rapazes” (Goodfellas, 1990) e “Casino” (1995) como mais directas influências. Não falta a narração off do protagonista, o quebrar da quarta parede, as mudanças de velocidade, e o psicadelismo de algumas cenas, nomeadamente sugerindo o uso de estupefacientes (com o director de fotografia, Rodrigo Prieto, a mudar de tipo de lente conforme o estado físico de Jordan). Como não podia deixar de ser, Scorsese incentivou os seus actores a improvisar, com muitas cenas a serem criadas por eles (como a sequência do cântico a bater no peito de Matthew McConaughey, o arrastamento de DiCaprio para o seu Lamborghini, ou a discussão e consequente estalada de Margot Robbie a DiCaprio).

Se por um lado muitos consideraram o filme derivativo, e outros o acusaram de demasiado caricatural, o próprio Jordan Belfort não viu nele mais exageros que aqueles que a sua vida realmente teve. Se por um lado muitos consideraram o filme derivativo, e outros o acusaram de demasiado caricatural, o próprio Jordan Belfort não viu nele mais exageros que aqueles que a sua vida realmente teve. O filme, mais que uma simples biopic, torna-se assim uma sátira à América do dinheiro fácil, e ao Sonho Americano onde vale tudo, e tudo ze torna alienação. O modo caricatural com que Scorsese o mostra, torna o seu filme por vezes uma simples comédia, que talvez por isso afaste o espectador do lado mais sério da mensagem transmitida.

Seja como for que se avalie “O Lobo de Wall Street”, trata-se de um exercício épico, no que é até ao momento o mais longo filme de Martin Scorsese, e simultaneamente o seu maior sucesso financeiro. O filme foi nomeado para cinco Oscars da Academia (Melhor Filme, Melhor Realizador, Melhor Argumento Adaptado, Melhor Actor – DiCaprio e Melhor Actor Secundário – Jonah Hill), não tendo vencido nenhum. DiCaprio, no entanto, venceria o Globo de Ouro para Melhor Actor (Musical ou Comédia).

Produção:

Título original: The Wolf of Wall Street; Produção: Paramount Pictures / Red Granite Pictures / Appian Way / Sikelia Productions / EMJAG Productions; Produtores Executivos: Georgia Kacandes, Alexandra Milchan, Irwin Winkler, Danny Dimbort, Joel Gotler; País: EUA; Ano: 2013; Duração: 180 minutos; Distribuição: Paramount Pictures; Estreia: 17 de Dezembro de 2013 (EUA), 9 de Janeiro de 2014 (Portugal).

Equipa técnica:

Realização: Martin Scorsese; Produção: Martin Scorsese, Leonardo DiCaprio, Riza Aziz, Joey McFarland, Emma Tillinger Koskoff; Co-Produção: Adam Somner, Richard Baratta, Ted Griffin; Produtora Associada: Marianne Bower; Argumento: Terence Winter [baseado no livro homónimo de Jordan Belfort]; Supervisão Musical: Robbie Robertson, Randall Poster; Fotografia: Rodrigo Prieto [cor por DeLuxe]; Montagem: Thelma Schoonmaker; Design de Produção: Bob Shaw; Direcção Artística: Chris Shriver; Cenários: Ellen Christiansen; Figurinos: Sandy Powell; Caracterização: Mary Anne Spano; Efeitos Visuais: Rob Legato; Efeitos Especiais: Drew Jiritano; Director de Produção: John DeSimone.

Elenco:

Leonardo DiCaprio (Jordan Belfort), Jonah Hill (Donnie Azoff), Margot Robbie (Naomi Lapaglia), Matthew McConaughey (Mark Hanna), Kyle Chandler (Agente Patrick Denham), Rob Reiner (Max Belfort), Jon Bernthal (Brad), Jon Favreau (Manny Riskin), Jean Dujardin (Jean Jacques Saurel), Joanna Lumley (Tia Emma), Cristin Milioti (Teresa Petrillo), Christine Ebersole (Leah Belfort), Shea Whigham (Capitão Ted Beecham), Katarina Cas (Chantalle), P.J. Byrne (Nicky Koskoff ‘Rugrat’), Kenneth Choi (Chester Ming), Brian Sacca (Robbie Feinberg ‘Pinhead’), Henry Zebrowski (Alden Kupferberg ‘Sea Otter’), Ethan Suplee (Toby Welch), Barry Rothbart (Peter DeBlasio), Jake Hoffman (Steve Madden), Mackenzie Meehan (Hildy Azoff), Bo Dietl (Bo Dietl), Jon Spinogatti (Nicholas, o Mordomo), Aya Cash (Janet, Assistente de Jordan), Rizwan Manji (Kalil), Stephanie Kurtzuba (Kimmie Belzer), J.C. MacKenzie (Lucas), Ashlie Atkinson (Rochelle Applebaum), Thomas Middleditch (Agente da Stratton de Papillon), Stephen Kunken (Jerry Fogel), Edward Herrmann (Voz no Anúncio da Stratton Oakmont), Jordan Belfort (Anfitrião na Auckland Straight Line), Ted Griffin (Agente Hughes), Fran Lebowitz (Juiz Samantha Stogel), Robert Clohessy (Nolan Drager, Advogado de Jordan), Natasha Newman Thomas (Danielle Harrison), Sandra Nelson (Aliyah Farran, Repórter da Forbes), Johnnie Mae (Violet, Governanta), Christina Jeffs (Venice, Dominatrix).

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