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LoveNa Rússia imperial dos czares, a bela Anna Karenina (Greta Garbo), esposa do senador Karenin (Brandon Hurst), deixa-se seduzir pelo conde Alexei Vronsky (John Gilbert), o galante capitão da guarda do Grão-duque Michel (George Fawcett). Embora Anna tente esconder essa paixão, ela torna-se evidente aos olhos de todos, pelo que o marido a força a escolher um caminho. Anna escolhe Vronsky, o que obriga os dois a abandonar a Rússia, algo que ela não poderá suportar durante muito tempo, por saudades do seu pequeno filho (Philippe De Lacy). Só que o regresso significa a humilhação, tanto para ela como para Vronsky.

Análise:

Depois do enorme sucesso de “O Demónio e a Carne” (Flesh and the Devil, 1926), realizado por Clarence Brown, no qual o par Garbo-Gilbert se tornou célebre, a MGM não perdeu tempo a tentar capitalizar essa fama. A ideia de um amor maior que a vida, capaz de transpor as barreiras das leis dos homens (isto é o casamento) era sobremaneira apetecível, numa era em que o Código de Hays ainda não existia, e Hollywood podia lidar com personagens adúlteros como se fossem heróis.

O tema do novo filme do par saiu de um dos mais famosos livros de Leo Tolstoy, “Anna Karenina”. Como antes acontecera, Greta Garbo (aqui a nominal Anna Karenina) e John Gilbert (o conde Vronsky) irão viver um amor proibido, que os coloca em colisão com a tradicional sociedade do seu país. Tudo começa quando a carruagem em que segue Anna tem um problema, e Vronsky surge como salvador. Por entre algumas insinuações, o par passa a noite numa estalagem, e inicia-se alguma cumplicidade entre ambos, que vai dando que falar na alta sociedade que ambos frequentam, chegando claro aos ouvidos e olhos do marido de Anna, o senador Alexei Karenin (Brandon Hurst). Este obriga Anna a escolher, e embora ela num primeiro momento opte por ficar, pois não quer perder o seu filho, a sua comoção pública num momento de perigo para o amado, torna os seus sentimentos demasiado evidentes e forçam-na a optar por sair de casa.

Só que, se para Vronsky os momentos vividos em Itália com Anna são idílicos, ela não consegue esquecer o filho, decidindo regressar. Humilhada pelo marido, Anna decide que se estragou a sua vida, não deverá estragar a de Vronsky, e combina com o superior deste, o Grã-duque Michel (George Fawcett), o regresso de Vronsky à sua unidade, a troco do seu desaparecimento. Com este sacrifício Anna possibilita que Vronsky recupere a sua honra e lugar na sociedade, mas, ao contrário do livro de Tolstoy, a história dá-nos um final feliz, com o reencontro dos amantes após a morte de Karenin.

No original chamado “Amor”, o filme de Edmund Goulding centra-se nas várias facetas desse sentimento como catalisador do enredo. É o amor que leva Anna e Vronsky a desafiar a sua sociedade, mas é também o amor de Anna pelo filho que a leva a voltar atrás. Assim como é o amor de Anna por Vronsky que a leva a sacrificar-se por ele, e o amor (este várias vezes referido no filme) fraternal dos militares que os levam a receber Vronsky de volta.

No jeito dramático dos romances dos anos 1920, “Anna Karenina” faz uso das ferramentas do melodrama, para nos dar uma história que sabemos, desde o primeiro momento, ir conduzir a sofrimento e possível tragédia. Com actuações comedidas, mas nem por isso menos intensas, Greta Garbo e John Gilbert (ele com algum papel na própria realização) perfilam-se como figuras máximas do star system, capazes de agregar uma legião de fãs que querem ver as suas histórias como se fossem episódios diferentes de um mesmo folhetim. É nítida a química entre ambos, numa subtil erotização, como poucas mais vezes conseguiriam.

Com Irving Thalberg a exigir o citado final adocicado, foi ainda filmado um final mais de acordo com o livro de Tolstoy, e no qual Anna Karenina se suicida. Esta versão seria distribuída apenas na Europa.

Oito anos mais tarde, Greta Garbo viria a reinterpretar a mesma história, contracenando com Fredric March no filme de Clarence Brown, “Ana Karenina” (Anna Karenina, 1925), uma adaptação mais fiel à obra de Tolstoy.

Produção:

Título original: Love; Produção: Metro-Goldwyn-Mayer (MGM); País: EUA; Ano: 1927; Duração: 81 minutos; Distribuição: Metro-Goldwyn-Mayer (MGM); Estreia: 29 de Novembro de 1927 (EUA), 14 de Janeiro de 1930 (Portugal).

Equipa técnica:

Realização: Edmund Goulding, John Gilbert [não creditado]; Produção: Edmund Goulding [não creditado]; Argumento: Frances Marion, Marian Ainslee, Ruth Cummings, Lorna Moon, [adaptado de “Anna Karenina” de Leo Tolstoi]; Música Original: Ernst Luz [não creditado]; Fotografia: William H. Daniels [preto e branco]; Montagem: Hugh Wynn; Cenários: Cedric Gibbons, Ruth Harriet Louise; Figurinos: Gilbert Clark.

Elenco:

John Gilbert (Conde Alexei Vronsky), Greta Garbo (Anna Karenina), George Fawcett (Grão-duque Michel), Emily Fitzroy (Grã-duquesa), Brandon Hurst (Alexei Karenin), Philippe De Lacy (Serezha Karenin, Filho de Anna).

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