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Hearts of the WestLewis Tater (Jeff Bridges) é um jovem agricultor de Iowa, que vive obcecado com o velho Oeste. Escreve histórias de cowboys nos tempos livres, sonha publicar livros e quem sabe tornar-se um cowboy a sério. Ao ser enganado numa universidade falsa, Lewis tem de fugir de um par de trapaceiros e, sem o saber, leva-lhes uma fortuna de dinheiro roubado. No caminho é encontrado por uma equipa de filmagens, que o coloca a trabalhar como duplo em Westerns, e cedo vê nele uma estrela para os seus filmes. Mas o perigo espreita por todo o lado. Seja nos seus pares que se irão aproveitar da sua ingenuidade, seja naqueles que querem recuperar o dinheiro que Lewis lhes levou.

Análise:

1975 foi um ano prolífico em filmes sobre Hollywood. Estes incluem “Inserts” (1975) de John Byrum, “A Noite do Pecado” (The Wild Party, 1975) de James Ivory e “O Dia dos Gafanhotos (The Day of the Locust, 1975) de John Schlesinger. Numa altura em que a indústria americana passava por uma verdadeira revolução, que ficou conhecida como a New Wave of Hollywood, com uma temática mais moderna, amarga e estilisticamente mais inovadora, a tradicionalista Metro-Goldwyn-Mayer, pelas mãos de Howard Zieff, dava-nos o filme clássico de plena nostalgia, “Corações do Oeste”.

E que mais tradicional poderia haver que o imaginário do Western? É isso que obceca Lewis Tater (Jeff Bridges), um jovem sonhador, terrivelmente optimista e ingénuo, que pensa deixar a família de agricultores no Iowa para se inscrever numa Universidade de cursos por correspondência, que lhe alimente o sonho de se tornar escritor de histórias do velho Oeste.

Só que a Universidade não existe, e é apenas um esquema de roubar dinheiro a otários como Lewis, que supostamente não deviam lá aparecer. Este consegue descobrir a trapaça a tempo de fugir, e levar consigo, sem o saber, o dinheiro roubado pelos trapaceiros (Anthony James e Richard B. Shull). Deixado para morrer no deserto do Nevada, Lewis é recolhido por uma equipa de filmagens, e logo arranja emprego como duplo nas produções de Westerns de série B, dirigidas por Bert Kessler (Alan Arkin). A partir daí Lewis vai aprendendo o ofício de duplo, deixando-se fascinar pelo mundo do Western, e continuando a perseguir o seu sonho de ser escritor, ainda que de vez em quando o veja resvalar, quando outros o usam num mundo sem escrúpulos.

“Corações do Oeste” é, ao mesmo tempo, uma comédia ligeira, uma sátira às idiossincrasias escondidas do mundo do cinema, e uma homenagem ao Western de série B, que foi base de grande parte da indústria de Hollywood, e da carreira de tantos técnicos, autores e intérpretes. Nesse mundo menor, de filmes e estrelas desconhecidas, Lewis Tater é apenas mais um sonhador, que se deixa levar por uma máquina que não se compadece de inocência. Mas no sempre bem disposto Jeff Bridges, Tater encontra a energia para continuar a lutar e acreditar, mesmo que tudo pareça estar contra ele (desde produtores que o usam, escritores que o roubam, colegas que dele riem, e bandidos que procuram vingança).

Com muito de burlesco (como convém à referida inocência homenageada no filme), “Corações do Oeste” pode hoje chocar pela sua tremenda ingenuidade, mas é de facto uma homenagem a um mundo diferente, que nos anos 70 era já visto com saudade. O filme é sobretudo Jeff Bridges na sua energia, optimismo, e irreverência, que levam o seu personagem a apaixonar-se por Miss Trout (Blythe Danner), a acreditar no seu colega e antiga estrela Howard Pike (Andy Griffith), e por fim a ludibriar os burlões que o perseguem.

Apesar de algum caricaturismo, “Corações do Oeste” é ainda assim um olhar interessante para os bastidores de um mundo entusiasmante, mas pouco conhecido, como foi o do cinema de série B dos anos 30, feito de filmes a metro, estrelas desconhecidas, e trabalhadores incansáveis que, mesmo sem o talento e a fama das grandes produções, davam tudo por um sonho.

Produção:

Título original: Hearts of the West; Produção: Bill/Zieff Productions / Metro-Goldwyn-Mayer (MGM); País: EUA; Ano: 1975; Duração: 102 minutos; Distribuição: Metro-Goldwyn-Mayer (MGM); Estreia: 8 de Outubro de 1975 (EUA).

Equipa técnica:

Realização: Howard Zieff; Produção: Tony Bill; Argumento: Rob Thompson; Música: Ken Lauber; Fotografia: Mario Tosi [cor por Metrocolor]; Montagem: Edward Warschilka; Direcção Artística: Robert Luthardt; Cenários: Charles Pierce; Figurinos: Patrick Cummings, Ron Talsky [não creditado]; Caracterização: Bob Stein; Director de Produção: Clark L. Paylow.

Elenco:

Jeff Bridges (Lewis Tater), Andy Griffith (Howard Pike), Donald Pleasence (A. J. Neitz), Blythe Danner (Miss Trout), Alan Arkin (Bert Kessler), Richard B. Shull (Bandido Gordo), Herb Edelman (Polo), Alex Rocco (Earl), Frank Cady (Pa Tater), Anthony James (Bandido Magro), Burton Gilliam (Lester), Matt Clark (Jackson), Candice Azzara (Empregada), Thayer David (Gerente do Banco), Wayne Storm (Lyle), Marie Windsor (Mulher em Nevada), Anthony Holland (Convidado na Casa da Praia).

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