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HarlowJean Harlow (Carroll Baker) começa a sua carreira em Hollywood como figura decorativa em filmes menores. Recusando-se a trocar o corpo por papéis maiores, Harlow não consegue triunfar, até o empresário Arthur Landau (Red Buttons) acreditar poder fazer dela uma estrela. Sob sua orientação, Harlow vai conhecer o produtor Richard Manley (Leslie Nielsen), e tornar-se finalmente conhecida. Só que também Manley a quer usar, e Harlow deixa-o para assinar pela Majestic, onde, após muitos sucessos na tela, aceitará casar com Paul Bern (Peter Lawford), para perceber que ele é impotente e não lhe poderá saciar a paixão para que se guardara.

Análise:

Em 1965 estrearam dois filmes com o nome “Harlow”, ambos sobre a vida da actriz Jean Harlow, uma diva de Hollywood nos anos 1930. Antes de Lana Turner, Marilyn Monroe ou Sharon Stone, foi Jean Harlow quem cunhou a designação de loura platinada, fazendo furor pelo seu magnetismo sexual na tela, tornando-se uma sex-symbol desejada por homens, e imitada por mulheres, até à sua morte com apenas 26 anos. Desses dois filmes, “Harlow, a Mulher que não Queria Amar”, de Gordon Douglas, produzido pela Paramount Pictures, foi aquele que gerou mais interesse. Curioso o facto de ser a Paramount a recuperar uma lenda do grande ecrã, que foi uma das mais brilhantes estrelas da rival MGM.

Com argumento do célebre John Michael Hayes, o filme de Douglas mostra-nos Jean Harlow (Carroll Baker), como uma aspirante a actriz, que vê as portas fecharem-se quando se recusa a seguir o caminho fácil de dar o seu corpo em troca de melhores papéis. Mesmo quando em casa a mãe (Angela Lansbury) e o padrasto, Marino Bello (Raf Vallone), parecem não entender o moralismo da jovem Harlow, esta mantém-se irredutível. Para sua sorte o empresário Arthur Landau (Red Buttons) acredita poder fazer dela uma estrela e desde então não lhe faltará trabalho.

Depois de muitos papéis secundaríssimos, Harlow chega finalmente à atenção do produtor Richard Manley (Leslie Nielsen) que lhe dá o seu primeiro papel principal, e a coloca a promover o filme pelo país. O seu nome fica feito, e a poderosa Majestic, na pessoa de (Martin Balsam), contrata-a tornando-a uma estrela numa sucessão de filmes populares.

Mas nem tudo corre bem para Harlow na sua vida pessoal. Habituada a reservar-se dos avanços dos homens que apenas a querem pelo seu corpo, do produtor Manley ao actor Jack Harrison (Mike Connors), Harlow decide finalmente casar com Paul Bern (Peter Lawford) um dos homens da Majestic, para perceber que ele é impotente e não lhe poderá a vida de paixão que ela sempre sonhara para si. Os efeitos desta constatação lançam-na numa caminhada de auto-destruição, que culminará na sua morte.

Mais que um retrato de Hollywood, e apesar de inúmeros olhares para os bastidores da produção da indústria americana, que nos surgem como uma pouco humana linha de montagem, “Harlow, a Mulher que não Queria Amar” é sobretudo a história de uma mulher. Jean Harlow é-nos mostradas como alguém que criou uma barreira intransponível entre si e a sua própria sexualidade, recusando-se a experimentar esse lado, quer por medo de não ser levada a sério como actriz, quer por medo de si própria.

Para tal, e nunca esquecendo essa ambiguidade de termos a mulher que todos desejam a não saber conviver com esse desejo, o filme mostra-nos como Harlow reage mal aos avanços dos homens, dos mais perigosos predadores (como Manley), aos mais puros românticos (como Harrison), para nos atingir com insinuações de um passado ambíguo com o padrasto, e culminando com uma relação sem concretização possível com aquele para Harlow se resolveu guardar.

“Harlow, a Mulher que não Queria Amar” afasta-se em vários pontos da realidade, para reforçar esse lado trágico da mulher que não pode conhecer uma relação amorosa satisfatória, por nunca saber dar ou o que esperar dos homens. De facto o filme omite que Harlow fora já casada antes de chegar a Hollywood, ou que voltaria a casar depois da morte de Paul Bern. Para além de Bern, de Laudau e dos pais, todos os outros nomes são mudados (embora não seja difícil reconhecer Howard Hughes em Manley), e mesmo a sua produtora (na realidade a MGM) surge sob o nome de Majestic (sem que nenhum dos filmes citados seja real). A morte de Paul Bern, que no filme se deveu a suicídio por vergonha da sua impotência, tem sido atribuída a um ajuste de contas de gangsters, e finalmente, a morte de Harlow, no filme devido a uma pneumonia causada pela sua vida desregrada, terá na realidade sido causada por uma doença renal, talvez fruto de escarlatina que a actriz contraiu aos 15 anos.

Embora com uma interpretação modesta de quase todos os actores, o filme de Douglas é um bom testemunho da idade dourada de Hollywood nos anos 30, e um estudo interessante da vida de uma estrela de cinema com todas as pressões a que esta era sujeita, tornando-o um filme bem sucedido no seu ano, uma época em que um filme clássico como este começava a destoar perante as novas tendências do cinema.

Produção:

Título original: Harlow; Produção: Paramount Pictures / Embassy Pictures / Prometheus Enterprises Inc.; País: EUA; Ano: 1965; Duração: 125 minutos; Distribuição: Paramount Pictures; Estreia: 23 de Junho de 1965 (EUA).

Equipa técnica:

Realização: Gordon Douglas; Produção: Joseph E. Levine [baseado no livro de Irving Shulman em colaboração com Arthur Landau]; Argumento: John Michael Hayes; Música: Neal Hefti; Fotografia: Joseph Ruttenberg [filmado em Panavision, cor por Technicolor]; Montagem: Frank Bracht, Archie Marshek; Direcção Artística: Hal Pereira, Roland Anderson; Cenários: Sam Comer, James W. Payne; Figurinos: Edith Head, Moss Mabry; Caracterização: Wally Westmore; Direcção de Produção: C. Kenneth DeLand; Efeitos Especiais: Paul K. Lerpae.

Elenco:

Carroll Baker (Jean Harlow), Martin Balsam (Everett Redman), Red Buttons (Arthur Landau), Mike Connors [como Michael Connors] (Jack Harrison), Angela Lansbury (Mama Jean Bello), Peter Lawford (Paul Bern), Raf Vallone (Marino Bello), Leslie Nielsen (Richard Manley), Mary Murphy (Sally Doane), Hanna Landy (Beatrice Landau), Peter Hansen (Hansen – Assistente de Realização), Kipp Hamilton (Marie Tanner), Peter Leeds (Parker).

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