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Imagem de "Os Verdes Anos" (1963) de Paulo Rocha

Como aconteceu um pouco por todo o mundo, também os ecos da Nouvelle Vague e do Neo-realismo, e as necessidades de renovar o cinema, retirando-o dos grilhões do cinema clássico de Hollywood, chegaram a Portugal. Foi no início dos anos 1960, ainda no Estado Novo, que uma nova geração de realizadores procuraria linguagens de vanguarda. Eram geralmente homens do ambiente universitário, com contactos com o estrangeiro, e instigadores dos cineclubes que lhes permitiam conhecer o cinema alternativo. Seguiu-se a formação na primeira cooperativa de cinema de Portugal, o Centro Português de Cinema, com o patrocínio da Fundação Calouste Gulbenkian e, nalguns casos, a inspiração revolucionária que triunfaria em 25 de Abril de 1974.

Começando a evidenciar-se em 1962-1963, este Cinema Novo permitia a descoberta de novos realizadores e a adopção de uma nova linguagem cinematográfica que marcaria as décadas seguintes.

Lista-se de seguida os mais importantes filmes portugueses de ficção estreados num período de cerca 20 anos, nos quais o Cinema Novo Português é a linguagem vigente.

• 1962: Dom Roberto – Ernesto de Sousa
• 1963: Acto da Primavera – Manuel de Oliveira [docuficção] [curta]
• 1963: Os Verdes Anos – Paulo Rocha
• 1963: Pássaros de Asas Cortadas – Artur Ramos
• 1964: A Caça – Manuel de Oliveira [curta]
• 1964: Belarmino – Fernando Lopes [docuficção]
• 1966: Domingo à Tarde – António de Macedo
• 1966: Mudar De Vida – Paulo Rocha
• 1967: Sete Balas para Selma – António de Macedo
• 1970: Nojo aos Cães – António de Macedo
• 1970: O Cerco – António da Cunha Telles
• 1970: Quem Espera por Sapatos de Defunto Morre Descalço – João César Monteiro [curta]
• 1971: O Passado e o Presente – Manoel de Oliveira
• 1972: A Pousada das Chagas – Paulo Rocha [curta]
• 1972: Fragmentos de um Filme Esmola (A Sagrada Damília) – João César Monteiro
• 1972: O Passado e o Presente – Manoel de Oliveira
• 1972: O Recado – José Fonseca e Costa
• 1972: Pedro Só – Alfredo Tropa
• 1972: Uma Abelha na Chuva – Fernando Lopes
• 1973: A Promessa – António de Macedo
• 1973: Perdido por Cem – António-Pedro Vasconcelos
• 1974: Adeus, Até ao Meu Regresso – António-Pedro Vasconcelos
• 1974: Jaime – António Reis e Margarida Cordeiro [curta]
• 1974: Meus Amigos – António da Cunha Telles
• 1974: O Mal Amado – Fernando Matos Silva
• 1974: Sofia e a Educação Sexual – Eduardo Geada
• 1975: As Armas e o Povo – Colectivo de Trabalhadores da Actividade Cinematográfica
• 1975: Brandos Costumes – Alberto Seixas Santos
• 1975: O Encoberto – Fernando Lopes [curta]
• 1975: O Rico, o Camelo e o Reino ou O Princípio da Sabedoria – António de Macedo
• 1975: Que Farei Eu com Esta Espada? – João César Monteiro
• 1976: A Fuga – Luís Filipe Rocha
• 1976: Continuar a Viver ou Os Índios da Meia-Praia – António da Cunha Telles
• 1976: Gente da Praia da Vieira – António Campos [docuficção]
• 1976: Mau Tempo, Marés e Mudança – Ricardo Costa [docuficção]
• 1976: O Funeral do Patrão – Eduardo Geada
• 1976: Trás-os-Montes – António Reis e Margarida Cordeiro [docuficção]
• 1977: Alexandre e Rosa – João Botelho e Jorge Alves da Silva [curta]
• 1977: A Lei da Terra – Colectivo do Grupo Zero
• 1977: As Ruínas No Interior – José de Sá Caetano
• 1977: Os Demónios de Alcácer Quibir – José Fonseca e Costa
• 1978: A Confederação: O Povo é que Faz a História – Luís Galvão Teles
• 1978: Nós Por Cá Todos Bem – Fernando Lopes
• 1978: O Meu Nome É – Fernando Matos Silva
• 1978: Os Dois Soldados – João César Monteiro [curta]
• 1980: Maria Alcoforado – Eduardo Geada [curta]
• 1978: Nem Pássaro nem Peixe – Solveig Nordlund
• 1978: Veredas – João César Monteiro
• 1978: Viagem para a Felicidade – Solveig Nordlund
• 1979: A Mãe: O Rico e o Pobre – João César Monteiro [curta]
• 1979: As Horas de Maria – António de Macedo
• 1979: Música para Si – Solveig Nordlund
• 1979: O Amor das Três Romãs – João César Monteiro [curta]
• 1980: Acto dos Feitos da Guiné – Fernando Matos Silva [docuficção]
• 1980: A Santa Aliança – Eduardo Geada
• 1980: Bárbara – Alfredo Tropa
• 1980: Kilas, O Mau da Fita – José Fonseca e Costa
• 1980: Manhã Submersa – Lauro António
• 1980: O Príncipe com Orelhas de Burro – António de Macedo
• 1980: Verde por Fora, Vermelho por Dentro – Ricardo Costa
• 1981: Cerromaior – Luís Filipe Rocha
• 1981: Dina e Django – Solveig Nordlund
• 1981: Francisca – Manoel de Oliveira
• 1981: Guerra do Mirandum – Fernando Matos Silva
• 1981: O Banqueiro Anarquista – Eduardo Geada
• 1981: O Homem que Não Sabe Escrever – Eduardo Geada
• 1981: Oxalá! – António-Pedro Vasconcelos
• 1981: O Pão e o Vinho – Ricardo Costa [docuficção]
• 1981: Silvestre – João César Monteiro
• 1982: Ana – António Reis e Margarida Cordeiro [docuficção]
• 1982: A Ilha dos Amores – Paulo Rocha
• 1983: Gestos e Fragmentos – Alberto Seixas Santos
• 1983: Sem Sombra de Pecado – José Fonseca e Costa

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