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Blackbeard, the PirateSinopse:

Em 1674 o famoso pirata Henry Morgan é agora um regenerado oficial na Jamaica. Mas poucos acreditam que se tenha verdadeiramente reformado, e entre esses está Robert Maynard (Keith Andes), disposto a descobrir que Morgan é ainda um pirata e assim ganhar uma choruda recompensa. Só que quando procurava embarcar no navio de um dos homens de Morgan, Maynard dá por si prisioneiro do célebre Barba Negra (Robert Newton), ele próprio procurando vingar-se de Morgan. Com Maynard é ainda raptada a protegida de Morgan, Edwina Mansfield (Linda Darnell), que transporta um tesouro, que Barba Negra vai confiscar para si, enganando os próprios homens. A partir de então Barba Negra e Maynard, embora inimigos, vão depender um do outro, o que só se complica quando Maynard se apaixona por Edwina.

Análise:

O ano de 1952 foi um ano profícuo em Hollywood, no que diz respeito a filmes de piratas. Errol Flynn voltava a interpretar um aventureiro dos mares em “No Reino dos Piratas” (Against All Flags) de George Sherman, e Burt Lancaster aventurava-se (passe o pleonasmo) na sua própria produção “O Pirata Vermelho” (The Crimson Pirate) realizado por Robert Siodmak. A eles juntavam-se Louis Hayward e Sterling Hayden entre outros, buscando o trono que já fora de Errol Flynn.

É nesse contexto que a RKO decide entrar, em Technicolor, num género onde a Warner e a Fox habitualmente dominavam. Com o grande Raoul Walsh à cabeça e um argumento de Alan Le May baseado numa história de DeVallon Scott, “Barba Negra, o Pirata” tentava usar a seu favor o quase mítico nome de um dos mais temíveis e bem conhecidos piratas das Caraíbas.

Edward Teach, ou Barba Negra, existiu de facto, vivendo entre 1680 e 1718. Ficou célebre pelo aspecto físico que inspirava temor, e pelos vários anos em que afrontou a marinha espanhola e inglesa, desde as Caraíbas à costa Leste da América do Norte, inspirando muitas lendas e livros de aventuras.

Em “Barba Negra, o Pirata” o pirata é nem mais que Robert Newton, o carismático Long John Silver de “O Tesouro e os Piratas” (Treasure Island, 1950), a versão da Disney do romance de Robert Louis Stevenson. Tal como nesse filme, Newton domina o filme da RKO, com os seus trejeitos e idiossincrasias, numa interpretação colorida e imprevisível, embora um pouco colada à do personagem anterior.

Mas a história acompanha principalmente Robert Maynard (Keith Andes) um oficial inglês disposto a provar que, ao contrário do que se pensa, Sir Henry Morgan (Torin Thatcher), não se arrependeu da sua vida de pirataria, e usa o novo posto de corsário licenciado para, combater piratas sim, mas em benefício próprio, e não da coroa. O mesmo acredita Barba Negra, e por isso, o primeiro para ganhar uma recompensa, o segundo por vingança, os dois homens vão depender um do outro, ainda que inimigos.

Isto porque Maynard ao tentar embarcar no navio de um dos homens de Morgan é raptado por Barba Negra. Com ele é também raptada Edwina Mansfield (Linda Darnell). Uma protegida de Morgan, que leva, escondido, um enorme tesouro em jóias. A partir daí os eventos sucedem-se, com Barba Negra e Maynard a tentarem enganar-se um aos outro, Barba Negra a tentar enganar os seus homens, ficando com o tesouro, e Maynard tentando salvar Edwina, por quem entretanto se apaixona.

O argumento é algo confuso, com muitas partes em confronto, sendo lenta a construção que nos leva a perceber as motivações de cada um. Tudo se acelera e simplifica com a entrada em cena do próprio Henry Morgan, um outro personagem inspirado em alguém real, mas aqui com um papel bem diferente, já que o verdadeiro Henry Morgan (1635-1688) não só não foi contemporâneo de Barba Negra, como fez a transição oposta à do seu personagem, de soldado real para pirata.

Além de um argumento algo confuso o filme padece da falta de química entre Andes e Darnell, raramente se percebendo se existe algo entre ambos, ou apenas interpretam maus papéis de um romance de conveniência. “Barba Negra, o Pirata” salva-se, ainda assim, pelos cenários, pelo uso da Technicolor, e pelo constante clima de aventura, geralmente provocado pela imprevisibilidade trazida por Robert Newton, e pela interacção com os seus homens, sobretudo o imediato Ben Worley (William Bendix).

Produção:

Título original: Blackbeard the Pirate; Produção: RKO Radio Pictures; País: EUA; Ano: 1952; Duração: 99 minutos; Distribuição: RKO Radio Pictures; Estreia: 24 de Dezembro de 1952 (EUA), 8 de Outubro de 1953 (Portugal).

Equipa técnica:

Realização: Raoul Walsh; Produção: Edmund Grainger; Argumento: Alan Le May [a partir de uma história de DeVallon Scott]; Fotografia: William E. Snyder [cor por Technicolor]; Montagem: Ralph Dawson; Figurinos: Michael Woulfe; Direcção Artística: Albert S. D’Agostino, Jack Okey; Cenários: Darrell Silvera, John Sturtevant; Música: Victor Young; Direcção Musical: C. Bakaleinikoff; Director de Produção: Cliff P. Broughton; Caracterização: Mel Burns; Efeitos Especiais: Harold E. Wellman.

Elenco:

Robert Newton (Edward Teach / Barba Negra), Linda Darnell (Edwina Mansfield), William Bendix (Ben Worley), Keith Andes (Robert Maynard), Torin Thatcher (Sir Henry Morgan), Irene Ryan (Alvina, Dama de Companhia de Edwina), Alan Mowbray (Noll), Richard Egan (Briggs), Skelton Knaggs (Gilly), Dick Wessel (Dutchman), Anthony Caruso (Pierre La Garde), Jack Lambert (Tom Whetstone), Noel Drayton (Jeremy), Pat Flaherty (Job Maggot).