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Against All FlagsSinopse:

Por volta de 1700 Madagáscar é um ninho de piratas, afectando o comércio marítimo com a Índia. Para combater esse perigo, o oficial inglês Brian Hawke (Errol Flynn) oferece-se para uma perigosa empresa de sabotagem, sujeitando-se a ser chicoteado para assim criar um alibi quando chegar a Madagáscar dizendo ser um renegado. Só que, não só o temível capitão Roc Brasiliano (Anthony Quinn) vai desconfiar dele, decidindo mantê-lo debaixo de olho, como Hawke se vai apaixonar por uma das capitãs, “Spitfire” Stevens (Maureen O’Hara). Quando Brasiliano captura, sem o saber, uma princesa indiana (Alice Kelley), Hawke teme uma guerra entre Inglaterra e Índia, pelo que terá de agir rapidamente.

Análise:

A partir de uma história de Æneas MacKenzie, A Universal, sob a direcção de William Goetz, preparou um filme de piratas. Mas se Goetz tinha em George Sherman (um realizador experiente, habituado a filmes de série B e de baixo orçamento) o realizador para o projecto, encontrar actor seria algo mais delicado. A oportunidade surgiu quando Errol Flynn, então sob contrato com a Warner decidiu accionar a cláusula que lhe permitia fazer um filme fora da sua produtora. A ideia de Flynn foi negociar um contrato que o incluísse nos lucros do filme, algo que alguns actores de Hollywood faziam então pela primeira vez.

Com Errol Flynn como cabeça de cartaz, a Universal não hesitou e iniciou as filmagens, as quais aconteceram integralmente na Califórnia. Nem tudo correria bem, no entanto, pois Flynn encontrava-se já a braços com problemas com o álcool, o que diminuía o tempo diário disponível para filmar. Também uma fractura num tornozelo de Flynn viria a parar as filmagens por dois meses. Estas seriam concluídas já por Douglas Sirk, não creditado no filme.

Apesar de todas essas vicissitudes, “No Reino dos Corsários” é um filme de aventura de sabor clássico, que não envergonha o género, nem a carreira de Flynn. Embora já um pouco abaixo dos seus melhores filmes – Flynn não mostra já a mesma alegria – o magnetismo do actor continua vivo, e as suas interacções com adversários (Anthony Quinn) e amadas (Maureen O’Hara) convincentes e eficazes. Flynn precisava já de duplos para algumas cenas, ainda assim surgindo em boa forma, quando os planos o requeriam no centro da acção.

A história coloca o protagonista, Hawke (Flynn), como espião num ninho de piratas. Sob o olhar desconfiado do capitão Roc Brasiliano (Anthony Quinn), Hawke vai conseguir atrair a atenção da capitã, “Spitfire” Stevens (Maureen O’Hara), e ainda levar a cabo o seu plano de sabotagem. Stevens, numa excelente interpretação de O’Hara, que não se limita a secundar ou motivar papel de Flynn, é a mulher que desde pequena aprendeu a lidar com rufias e ladrões, mas nunca lidou com um cavalheiro. Por isso Hawke intriga-a, apaixona-a e assusta-a. São das evoluções na sua atitude perante ele (e perante si própria) que nascem os melhores momentos do filme.

Hawke, o intrépido espadachim, e sorridente aventureiro, vai, com o risco da própria vida, tentar cumprir a missão, conquistar o coração da pirata Stevens e ainda ver-se envolvido no salvamento de uma princesa indiana (Alice Kelley), que não passa de uma tontinha, movida apenas pela promessa de beijos do seu salvador (“Again” é a sua palavra chave, que motiva os momentos mais divertidos do filme). Destaque ainda para a presença de Mildred Natwick, no papel da protectora da princesa, um papel recorrente nos filmes de Flynn, anteriormente atribuído a Una O’Connor.

Sherman dá-nos um filme equilibrado, com uma fotografia bem conseguida que faz bom uso do Technicolor, e onde os efeitos fotográficos, em particular os planos da baía e as sequências a bordo, são bastante eficazes.

“No Reino dos Corsários” seria alvo de um remake realizado por Don Weis, intitulado “O Pirata do Rei” (The King’s Pirate, 1967), com Doug McClure como protagonista.

Produção:

Título original: Against All Flags; Produção: Universal Pictures; País: EUA; Ano: 1952; Duração: 83 minutos; Distribuição: Universal International Pictures; Estreia: 21 de Novembro de 1952 (Holanda), 24 de Dezembro de 1952 (EUA), 8 de Maio de 1953 (Portugal).

Equipa técnica:

Realização: George Sherman, Douglas Sirk [não creditado]; Produção: Howard Christie; Argumento: Æneas MacKenzie, Joseph Hoffman [baseado numa história de Æneas MacKenzie]; Música: Hans J. Salter; Fotografia: Russell Metty [cor por Technicolor]; Direcção Artística: Bernard Herzbrun, Alexander Golitzen; Cenários: Russell A. Gausman, Oliver Emert; Montagem: Frank Gross; Figurinos: Edward Stevenson; Caracterização: Bud Westmore; Efeitos Especiais: David S. Horsley.

Elenco:

Errol Flynn (Brian Hawke), Maureen O’Hara (Prudence ‘Spitfire’ Stevens), Anthony Quinn (Capitão Roc Brasiliano), Alice Kelley (Princess Patma), Mildred Natwick (Molvina MacGregor), Robert Warwick (Capitão Kidd), Harry Cording (Gow), John Alderson (Jonathan Harris), Phil Tully (Jones), Lester Matthews (Sir Cloudsley), Tudor Owen (Williams), Maurice Marsac (Capitão Moisson), James Craven (Capitão Hornsby), James Fairfax (Krukshank, o Barbeiro).