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The Crimson PirateSinopse:

O temível Pirata Vermelho, ou Capitão Vallo (Burt Lancaster), captura mais um navio, no qual viaja o embaixador do rei, o barão Gruda (Leslie E. Bradley), com armamento para reprimir a rebelião começada por El Libre. Vallo decide ficar com o armamento, libertar Gruda, e vender o armamento aos rebeldes para os capturar e vender a Gruda. Mas quando Vallo se infiltra no meio dos rebeldes, com o seu fiel Ojo (Nick Cravat), apaixona-se por Consuelo (Eva Bartok), a filha de El Livre. Muda então de planos, decidindo libertar El Libre, entretanto aprisionado, e ajudá-lo a escapar. Só que os seus homens, instigados por Humble Bellows (Torin Thatcher), cansam-se dos métodos cavalheirescos de Vallo e decidem livrar-se dele. Enquanto isto Gruda conspira para matar todos os piratas e rebeldes e casar Consuelo com o seu governador.

Análise:

No final da década de 1940, os actores começavam a ganhar confiança nos seus braços de ferro com os grandes estúdios, até aí todo-poderosos no ditar de contratos e condições. Esse foi o período da chegada dos empresários de actores a Hollywood, e teve um primeiro volte-face na vitória de Olivia De Havilland em tribunal contra a Warner Bros. (a primeira vez que uma estrela bateu uma major). Navegando estes novos ventos, outros actores arriscaram mesmo criar produtoras independentes, que produzissem os seus próprios filmes, garantindo-lhes liberdade criativa.

Um desses actores, e o mais bem sucedido da década de 1950, foi Burt Lancaster, que com o seu empresário Harold Hecht, e a quem se juntaria depois o amigo comum James Hill, criariam sucessivas empresas, responsáveis por algumas dezenas de filmes. Uma delas foi a Hecht Lancaster, que substituiu a anterior Norma Productions, e cujo primeiro filme foi a aventura de piratas “O Pirata Vermelho”, produzido para a Warner Bros. Para o realizar, Lancaster chamaria Robert Siodmak, um realizador mais habituado a filmes série B, e que já trabalhara com o actor no Film noir “Assassinos” (The Killers, 1946).

“O Pirata Vermelho” é, acima de tudo, um filme para fazer Burt Lancaster brilhar num papel ao gosto do público, o do herói, pirata de profissão, mas consciencioso, pronto a deixar-se levar por ideais românticos. Aqui ao lado do seu antigo parceiro Nick Cravat (os dois começaram juntos como acrobatas em circos, e contracenariam em nove filmes), Lancaster não esconde as suas origens. Por isso Lancaster e Cravat surgem amiúde de tronco nu, calças justas, em saltos e poses acrobáticas, com uma coreografia e movimentos próprios de acrobatas das alturas, numa espécie de musical sem música.

Embora com esse lado circense, a que se alia um constante humor, exagerado na comparação com outros filmes do género, “O Pirata Vermelho” é um filme de entretenimento e acção bem conseguido, com inúmeras cenas em que a capacidade física dos protagonistas surpreende e traz soluções inesperadas e inesquecíveis.

Sucintamente, o Capitão Vallo (Burt Lancaster), o temível O Pirata Vermelho, aprisiona o navio que transporta o embaixador Gruda (Leslie Bradley) e um imenso arsenal para abafar uma rebelião nas Caraíbas. Como bom pirata, Vallo imediatamente decide libertar Gruda, prometendo-lhe que venderá as armas aos rebeldes, apenas para os expor e entregar a Gruda, para assim ser pago pelos dois lados. Só que ao conhecer Consuelo (Eva Bartok), a filha do líder rebelde, Vallo começa a ter problemas de consciência, e decide mudar de plano, para enganar Gruda e ajudar os rebeldes. Descontentes com estas mudanças, que parecem mais política que pirataria, os homens de Vallo destituem-no, condenando-o a morrer à deriva no mar. Claro que Vallo, o seu fiel Ojo (Nick Cravat) e o novo aliado, o cientista Prof. Elihu Prudence (James Hayter) vão encontrar soluções mirabolantes (isto é, anacronismos de efeito cómico, como à invenção do submersível, uso de nitroglicerina e viagens em balão) para salvar Consuelo e os rebeldes.

Com um enorme colorido de temas e soluções, a já citada atmosfera humorística (muitas vezes caricatural) de todas as cenas, e um lado quase fantasista, o filme quase se diria produzido pela Disney. Tanta é a necessidade de aligeirar as cenas de violência, que raramente vemos sequer uma espada, e aparentemente empurrar alguém para a água é o golpe final de qualquer luta. Já sem a questão política que dominara alguns filmes de aventuras durante a Segunda Guerra Mundial, respira-se em “O Pirata Vermelho” um ar bastante mais inocente, em que Vallo é um pirata inerentemente bom, que não suporta ver uma mulher triste, ganhando consciência social em troca de amor.

O filme, rodado nos estúdios de Inglaterra e em cenários naturais na costa italiana, custou bastante mais que o desejado pela Warner, precipitando o fim do seu contrato com Burt Lancaster, que pouco depois passaria a trabalhar em colaboração com a United Artists.

Terry Gilliam admitiria mais tarde que a sua curta-metragem “A Seguradora Permanente Crimson” (The Crimson Permanent Assurance, 1983) ganhou esse título em homenagem ao filme de Burt Lancaster.

Como curiosidade refira-se que embora Ojo seja mudo no filme, Nick Cravat não o era. Foi apenas decidido que não falaria durante o filme, pois o seu forte sotaque do leste dos Estados Unidos não encaixaria no seu personagem.

Presente no filme, num curtíssimo papel está o, então ainda jovem, Christopher Lee.

Produção:

Título original: The Crimson Pirate; Produção: Hecht-Lancaster Productions; País: EUA; Ano: 1952; Duração: 104 minutos; Distribuição: Warner Bros.; Estreia: 21 de Novembro de 1952 (Holanda), 27 de Setembro de 1952 (EUA), 5 de Novembro de 1953 (Portugal).

Equipa técnica:

Realização: Robert Siodmak; Produção: Burt Lancaster [não creditado], Harold Hecht [não creditado]; Produtor Associado: Norman Deming [não creditado]; Argumento: Roland Kibbee; Música: William Alwyn; Direcção Musical: Muir Mathieson; Fotografia: Otto Heller [cor por Technicolor]; Direcção Artística: Paul Sheriff; Cenários: Olga Lehmann [não creditada]; Montagem: Jack Harris; Director de Produção: Terry Hunter; Figurinos: Margaret Furse, Marjorie Best; Caracterização: Tony Sforzini; Efeitos Especiais: Russell Shearman [não creditado].

Elenco:

Burt Lancaster (Capitão Vallo – O Pirata Vermelho), Nick Cravat (Ojo), Eva Bartok (Consuelo), Torin Thatcher (Humble Bellows), James Hayter (Prof. Elihu Prudence), Leslie Bradley (Barão José Gruda), Margot Grahame (Bianca), Noel Purcell (Pablo Murphy), Frederick Leister (Sebastian, El Libre), Eliot Makeham (Governador), Frank Pettingell (Coronel), Dana Wynter [como Dagmar Wynter] (Companheira de Gruda), Christopher Lee (Joseph – Oficial Militar), Ewan Roberts (Claw Paw), John Chandos (Stub Ear).