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Anne of the IndiesSinopse:

Sem que ninguém saiba que o temível Capitão Providence é Anne (Jean Peters), uma mulher, esta vai comandando os seus piratas, pilhando navios ingleses sem dar misericórdia aos seus prisioneiros. Isto, até capturar Pierre (Louis Jordan), ele próprio cativo dos ingleses. Embora inicialmente desconfiada, Anne deixa o coração comandá-la, acreditando quando Pierre lhe fala do tesouro de Henry Morgan. Só que Anne não sabe que Pierre trabalha para os ingleses no intuito de a conduzir a uma cilada. Sentindo-se traída como pirata e como mulher, Anne decide vingar-se de Pierre e da sua esposa Molly (Debra Paget), não sem antes incorrer na fúria do seu antigo protector, o capitão Barbanegra (Thomas Gomez).

Análise:

Talvez inspirado pela figura de Anne Bonny, surge “A Raínha dos Piratas”, fazendo uso da ideia de uma pirata feminina como líder de um temível navio do século XVIII nas Caraíbas. Fruto de uma história de Herbert Ravenel Sass, o filme foi realizado por Jacques Tourneur.

Filho do realizador francês Maurice Tourneur, Jacques começou por trabalhar como argumentista de David O. Selznick, até uma amizade com Val Lewton o levar para a RKO onde realizou dos alguns icónicos filmes de terror daquele produtor. Para sempre associado à série B, Jacques Tourneur teve, no entanto, algumas oportunidades para filmes de maior fôlego, em particular no campo da aventura. Um desses filmes foi “A Rainha dos Piratas”, através do qual a Fox pretendia competir no universo dos populares filmes de piratas que desde os anos 30 iam fazendo as delícias do grande público.

A história traz-nos Anne Providence (Jean Peters) uma irreverente líder pirata que aterroriza os mares das Caraíbas, com uma sede de vingança e métodos impiedosos, que não deixam as suas presas vivas para contar que o temível capitão Providence é afinal uma mulher.

Um dia, ao encontrar Pierre (Louis Jordan) um marinheiro cativo num navio que aprisiona, Anne toma-o por inimigo dos ingleses, e incorpora-o na tripulação. Nem tudo são rosas e Pierre chega a ser torturado até revelar o segredo que carrega, o mapa do mítico tesouro de Henry Morgan. As peripécias conjuntas levam Anne a apaixonar-se por Pierre, o que faz com que a sua traição a deixe furiosa. É que Pierre esteve sempre às ordens dos ingleses para levar Anne a uma cilada, e para piorar tudo, é casado. Anne vinga-se raptando a mulher de Pierre (Debra Paget), assim forçando a rendição do seu amado quando este se preparava para a capturar.

Mais que um filme de aventuras, “A Raínha dos Piratas” é um triângulo amoroso que faz uso do facto de o personagem central ser uma mulher, para ilustrar a célebre frase de Shakespeare “Hell hath no fury like a woman scorned” (Não há ira no inferno como a de uma mulher desprezada). E é a sede de vingança, e orgulho traído de Anne, que move o filme. Esta começa como uma irreverente capitã, apenas apostada em castigar os ingleses, mas com a chegada do sedutor Pierre, abre o coração a algo novo, a confiança num homem por simples atracção romântica. Sentindo que tudo foi vão, e foi traída no momento em que baixou a sua defesa, Anne parte ao ataque, fazendo o que melhor sabe, matar e castigar aqueles que odeia.

Obviamente o filme tem um final feliz. Espicaçada pelo médico de bordo (Herbert Marshall), Anne, deixando que o amor que ainda sente fale mais alto, tem uma mudança de decisão sacrificando-se em combate com Barbanegra (Thomas Gomez) para salvar o casal que antes invejara.

Com a vantagem da Technicolor, e uma produção de elevados valores, Torneur consegue um filme glamoroso, de romance e acção, onde se destaca nitidamente a figura de Jean Peters (futura esposa do magnata e produtor Howard Hughes), intrépida, enérgica, emocional e imprevisível, e impecável nos duelos de espada. O filme é um dos poucos do género que tenta basear-se em figuras e eventos reais, como os nomes de Barbanegra ou Rackham, e o tesouro de Henry Morgan, cujo assalto ao Panamá, em 1680, deixou lendas de tesouros enterrados que fariam as delícias de todos os criadores de aventuras de piratas.

Produção:

Título original: Anne of the Indies; Produção: Twentieth Century Fox Film Corporation; País: EUA; Ano: 1951; Duração: 68 minutos; Distribuição: Twentieth Century Fox Film Corporation; Estreia: 18 de Outubro de 1951 (EUA), 26 de Fevereiro de 1953 (Portugal).

Equipa técnica:

Realização: Jacques Tourneur; Produção: George Jessel; Argumento: Philip Dunne, Arthur Caesar [baseado no conto “Queen Anne of the Indies” de Herbert Ravenel Sass]; Diálogos Adicionais: Cyril Hume [não creditado]; Música: Franz Waxman; Fotografia: Harry Jackson [cor por Technicolor]; Direcção Artística: Lyle R. Wheeler, Albert Hogsett; Cenários: Thomas Little, Claude E. Carpenter; Montagem: Robert Fritch; Guarda-roupa: Charles Le Maire; Figurinos: Edward Stevenson; Orquestração: Edward B. Powell; Caracterização: Ben Nye; Efeitos Especiais: Fred Sersen.

Elenco:

Jean Peters (Capitão Providence), Louis Jourdan (Capitão Pierre François LaRochelle), Debra Paget (Molly LaRochelle), Herbert Marshall (Dr. Jameson), Thomas Gomez (Capitão Edward Teach, Barbanegra), James Robertson Justice (Red Dougal), Francis Pierlot (Herkimer), Sean McClory (Hackett), Holmes Herbert (Capitão Inglês), Robert R. Stephenson (Estalajadeiro), Carleton Young (Pirata).

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