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Treasure IslandSinopse:

Numa vila costeira da Cornualha, no século XVIII, vive o pequeno Jim Hawkins (Bobby Driscoll), a quem o velho capitão William Bones (Finlay Currie) confia um mapa, após receber a visita ameaçadora de dois aparentes piratas. Bones é encontrado morto, e o pequeno Hawkins entrega o mapa a Squire Trelawney (Walter Fitzgerald) que o identifica como o mapa do tesouro do célebre pirata Capitão Flint. Squire Trelawney organiza imediatamente uma viagem a Hispaniola, nas Caraíbas, levando consigo Hawkins e recrutando uma tripulação que, sem ele saber, é composta em grande parte por homens de Flint. Entre eles encontra-se Long John Silver (Robert Newton), o mais astuto deles, e que rapidamente vai ganhar a confiança de Hawkins.

Análise:

O livro “A Ilha do Tesouro”, publicado por Robert Louis Stevenson em 1883, é não só uma das mais antigas obras literárias sobre o lado aventureiro dos piratas das Caraíbas, como também uma das obras do género mais vezes adaptada ao cinema. Desde o longínquo “Treasure Island” (1918) de Chester M. Franklin e Sidney Franklin, até versão alemã “Die Schatzinsel” (2007) de Hansjörg Thurn, o romance de Stevenson tem inspirado inúmeros filmes de aventuras.

Uma das mais conhecidas será o filme “O Tesouro e os Piratas”, que Walt Disney produziu em 1950, com realização de Byron Haskin, e com Bobby Driscoll e Robert Newton nos principais papéis. Fruto da necessidade de alargar horizontes face à crise que se acentuava no cinema americano, Walt Disney decidiu produzir um filme integralmente com actores reais, em Technicolor e em CinemaScope (as duas grandes modas do cinema americano dos anos 1950). Seria a primeira adaptação de “A Ilha do Tesouro” a cores.

“O Tesouro e os Piratas” foi completamente filmado na Inglaterra, por uma razão económica, contando com um elenco maioritariamente inglês (com excepção para o pequeno Bobby Driscoll, cujas cenas em que participa foram filmadas consecutivamente para apressar o seu regresso a casa).

Reconhecida na história o seu potencial para se tornar um história para as famílias, com particular incidência no público infantil, a aposta de Disney resultou em pleno, com um filme muito colorido e alegre, mas ao mesmo tempo cheio de tensão e peripécias que nunca nos deixam adivinhar o que irá acontecer a seguir.

“O Tesouro e os Piratas” mostra-nos as aventuras do jovem Jim Hawkins (Bobby Driscoll), que vem a receber, de modo fortuito, um mapa de um tesouro escondido, e cobiçado por terríveis piratas. O pequeno Hawkins faz o mais indicado, entregando-o às autoridades, na pessoa de Squire Trelawney (Walter Fitzgerald), que o reconhece como o mapa do tesouro do Capitão Flint. Mas quando Trelawney monta uma expedição marítima para procurar o tesouro, não sabe que está a levar a bordo antigos piratas do Capitão Flint, agora encabeçados por Long John Silver (Robert Newton). Silver ganha a confiança de Hawkins, e vai preparando os motins seguintes, com astuciosos golpes e contra-golpes que o farão ser tão odiado por Hawkins, Trelawney ou os seus próprios homens.

Com Bobby Driscoll no papel do inocente e bem intencionado rapazinho, com quem nos iremos identificar ao longo da história, é no entanto Robert Newton que se torna o centro do filme. Com uma interpretação viva e colorida, Newton magnetiza as atenções, com as suas palavras, gestos e decisões. O seu Long John Silver não tem escrúpulos, enganando tudo e todos com uma frieza enorme, mas mantendo um ar simpático que nos desconcerta quanto à sua personalidade. Estabelecendo para sempre clichés que nunca mais abandonariam o nosso imaginário (a perna de pau, o papagaio ao ombro, o sotaque carregado do sudoeste inglês), Long John Silver assusta, surpreende, diverte e quase comove, de modo que no final, tal como os personagens que contra ele tanto lutaram, também nós nos vemos a desejar que ele tenha um bom fim.

“O Tesouro e os Piratas” foi um enorme sucesso de bilheteira para a Disney (então ainda com distribuição da RKO), incentivando-a a continuar o caminho de filmes fora do domínio da animação, mas para um público juvenil.

Em 1954 seria produzida a sequela “O Pirata de Porto Belo” (Long John Silver, 1954) realizada na Austrália pelo mesmo Byron Haskin, e novamente com Robert Newton no papel do célebre pirata. O sucesso do personagem resultaria ainda na série de televisão “The Adventures of Long John Silver” transmitida entre 1954 e 1955.

Produção:

Título original: Treasure Island; Produção: Walt Disney Productions / Walt Disney British Films; Produtores Executivos: Walt Disney [não creditado], Herbert Smith [não creditado]; País: EUA; Ano: 1950; Duração: 92 minutos; Distribuição: RKO Radio Pictures; Estreia: 22 de Junho de 1950 (Reino Unido), 19 de Julho de 1950 (EUA), 29 de Março de 1951 (Portugal).

Equipa técnica:

Realização: Byron Haskin; Produção: Perce Pearce; Argumento: Lawrence Edward Watkin [baseado no livro de Robert Louis Stevenson]; Fotografia: Freddie Young [filmado em CinemaScope, cor por Technicolor]; Design de Produção: Thomas N. Morahan; Música: Clifton Parker; Direcção de Orquestra: Muir Mathieson; Montagem: Alan Jaggs; Director de Produção: Douglas Peirce; Artista de Matte: Peter Ellenshaw; Caracterização: Tony Sforzini; Figurinos: Sheila Graham [não creditada].

Elenco:

Bobby Driscoll (Jim Hawkins), Robert Newton (Long John Silver), Basil Sydney (Capitão Smollett), Walter Fitzgerald (Squire Trelawney), Denis O’Dea (Dr. Livesy), Finlay Currie (Capitão William Bones), Ralph Truman (George Merry), Geoffrey Keen (Israel Hands), Geoffrey Wilkinson (Ben Gunn), John Laurie (Blind Pew), Francis De Wolff (Black Dog), David Davies (Mr. Arrow), John Gregson (Redruth), Andrew Blackett (Gray).