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The Spanish MainSinopse:

Na chamada Spanish Main, um navio holandês naufraga ao largo de Cartagena. Apesar da explicação do seu capitão, Laurent van Horn (Paul Henreid), de que o navio seguia para as Carolinas quando foi desviado por tempestades, o governador espanhol, Don Juan Alvarado (Walter Slezak) decide que eles trespassaram solo espanhol e manda-os prender. Depois de fugir, Van Horn encontrasse a bordo do navio espanhol que transporta a Condessa Francisca (Maureen O’Hara), noiva de Don Alvarado. Quando o navio é capturado por piratas é revelado que Van Horn é o seu líder, conhecido por Barracuda. Por despeito ao seu inimigo, van Horn chantageia Francesca a casar consigo, mas em Tortuga os piratas não estão satisfeitos, pois temem represálias de Cartagena. A ciumenta Anne Bonney (Binnie Barnes), o conflituoso capitão Benjamin Black (Barton MacLane), e o número dois de Van Horn, Mario du Billar (John Emery), vão então conspirar para entregar Francesca, que entretanto já se apaixonou por Van Horn.

Análise:

Com “O Terror dos Sete Mares” a RKO estreava-se no Technicolor, tendo como veículo o mundo das aventuras de piratas em Technicolor. Com uma história de Æneas MacKenzie, a realização foi entregue a Frank Borzage, um realizador italo-suiço, admirador de Murnau, que fizera carreira na era muda (como actor e realizador), e conseguira alguns filmes importantes já na década de 1930, como o famoso “O Adeus às Armas” (A Farewell to Arms, 1932) com Gary Cooper e Helen Hayes.

Com Paul Henreid no papel do pirata romântico, “O Terror dos Sete Mares” é mais um filme que surge na tentativa de explorar um filão aberto pelos clássicos de uma década antes. Assim, quase como numa história escrita para Errol Flynn, temos a condenação injusta de um homem pacífico, que por isso se torna pirata; um inimigo sádico contra o qual ele procura vingança; e uma mulher que lhe cai nos braços, a princípio como inimiga, para depois se apaixonar por ele.

O herói é o holandês Laurent van Horn (Paul Henreid), um pacato marinheiro que, porque o seu navio entrou em águas espanholas, é condenado à morte. Após fugir, a vingança surge quando Van Horn, agora um pirata, captura o navio onde está Condessa Francisca (Maureen O’Hara), noiva prometida do seu inimigo Don Alvarado. Para a convencer a casar consigo (após um encontro bastante rocambolesco que envolve alguns beijos roubados e vergastadas), Van Horn, revelado como o perigoso Barracuda, poupa um outro navio. Só que, como seria de esperar, o romance forçado começa a despertar curiosidade nos dois intervenientes, e dela passa-se a uma atracção que acaba em amor.

Entretanto, em Tortuga, o habitual covil dos piratas, nem todos vêem este casamento como algo festivo. Destacam-se Anne Bonney (Binnie Barnes), por ciúmes, o bruto capitão Benjamin Black (Barton MacLane), por eterna inveja de van Horn, e o número dois de Van Horn, Mario du Billar (John Emery), por simples ambição. Juntos vão conspirar para que a noiva seja entregue em Cartagena. Como seria de esperar, van Horn ludibria quem o sequestra, chega também a Cartagena, e com a cumplicidade da esposa, derrota o prepotente Don Alvarado, resgatando esposa, navio e tripulação, entretanto aprisionados.

Com o grande atributo que era a cor Technicolor (o filme receberia mesmo o Oscar desse ano de Melhor Fotografia), “O Terror dos Sete Mares” seguia quase todas as etapas dos mais famosos filmes de piratas. Faltava-lhe, no entanto, um protagonista carismático, algo que Paul Henreid, com alguma sobranceria no olhar e porte, nunca consegue ser.

O próprio argumento passa por opções estranhas, como as vergastadas iniciais de van Horn ordenadas por Francisca, e aceites como se nada fosse. Daí passa-se a um casamento nascido de chantagem, para subitamente os protagonistas se sentirem apaixonados contra todos os elementos. A economia narrativa e a necessidade de seguir passos conhecidos obrigavam a saltos de argumento pouco esclarecidos, mas fáceis de seguir, motivados por uma relação com a sua dose de fetichismo.

Com um Paul Henreid demasiado rígido, e uma Maureen O’Hara tremendamente eficaz, e elegante, a começar a merecer o epíteto de “rainha do Technicolor”, destacava-se sobretudo o vilão Walter Slezak, um actor versátil que aqui consegue ser mau, divertido e carismático, com alguma coerência e profundidade de personagem. É, sem dúvida, a interpretação que merece recordar de um filme que foi um enorme sucesso aquando da sua estreia.

Produção:

Título original: The Spanish Main; Produção: RKO Radio Pictures; Produtor Executivo: Robert Fellows; País: EUA; Ano: 1945; Duração: 100 minutos; Distribuição: RKO Radio Pictures; Estreia: Outubro de 1945 (EUA), 11 de Abril de 1946 (Portugal).

Equipa técnica:

Realização: Frank Borzage; Produção: Frank Borzage; Produtor Associado: Stephen Ames; Argumento: George Worthing Yates, Herman J. Mankiewicz [a partir da história de Æneas MacKenzie]; Fotografia: George Barnes [cor por Technicolor]; Música: Hanns Eisler; Direcção Musical: C. Bakaleinikoff; Efeitos Especiais: Vernon L. Walker; Direcção Artística: Albert S. D’Agostino, Carroll Clark, Russell Kimball [não creditado]; Cenários: Claude E. Carpenter, Darrell Silvera; Montagem: Ralph Dawson; Figurinos: Edward Stevenson; Caracterização: Mel Berns [não creditado].

Elenco:

Maureen O’Hara (Condessa Francisca), Paul Henreid (Capitão Laurent Van Horn), Walter Slezak (Don Juan Alvarado), Binnie Barnes (Anne Bonney), John Emery (Capitão Mario Du Billar), Barton MacLane (Capitão Benjamin Black), J. M. Kerrigan (Pillery Gow), Fritz Leiber (Bispo), Nancy Gates (Lupita), Jack La Rue (Tenente Escobar), Mike Mazurki (Erik Swaine), Ian Keith (Capitão Lussan), Curt Bois (Paree), Antonio Moreno (Comandante), Victor Kilian (Capitão do Santa Madre).

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