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Go WestSinopse:

S. Quentin Quale (Groucho Marx) é um burlão decidido a fazer fortuna no Oeste, mas na estação é enganado pelos Joseph (Chico Marx) e Rusty Panello (Harpo Marx), que lhe ficam com o dinheiro. Chegados, os dois irmãos tornam-se amigos do mineiro Dan Wilson (Tully Marshall), que lhes confia o título da sua propriedade em troco de um pequeno empréstimo. A propriedade não tem ouro, mas sem que Wilson saiba, está prestes a ser comprada pelos caminhos-de-ferro. Tal é obra de Terry Turner (John Carroll), filho de um seu antigo rival, que assim quer provar a sua boa vontade, e desposar a filha de Wilson, Eve (Diana Lewis). Mas planos diferentes têm Red Baxter (Robert Barrat) e Beecher (Walter Woolf King) dispostos a tudo para roubar a propriedade de Wilson. Terão para isso que defrontar os irmãos Panello e o entretanto chegado Quale.

Análise:

Sob inspiração de Horace Greeley, que cerca de 100 anos antes proferira o célebre “Go West, Young Man, and grow up with the country”, os Irmãos Marx dedicaram o seu décimo filme à conquista do Oeste. O projecto tinha já alguns anos, e vinha do tempo de Irving Thalberg, mas nunca chegara a ser concretizado. Com o sucesso de “Bucha e Estica a Caminho do Oeste” (Way Out West, 1937) com Oliver Hardy e Stan Laurel, a MGM percebeu que havia potencialidades na sátira ao western, e recuperou a ideia.

O argumento seria novamente de Irving Brecher, para nova realização de Edward Buzzell, mesmo depois da desilusão que fora o filme anterior da dupla, “Um Dia no Circo” (At the Circus, 1939). Mas desta vez, recuperando uma ideia de Thalberg, os Marx testaram algum do material previamente ao vivo, o que resultou em rotinas mais bem conseguidas no filme.

A história é típica de qualquer filme dos Marx, com Groucho, Chico e Harpo a verem-se (depois de um primeiro encontro conflituoso) envolvidos na tentativa de salvar um par romântico (os insonsos John Carroll e Diana Lewis) das garras de malfeitores (os estereotipados Walter Woolf King e Robert Barrat). Desta vez tudo gira à volta de um título de terreno que será vendido para a construção de caminhos-de-ferro, fazendo o jovem par feliz. Só que especuladores trapaceiros tentam tudo para roubar este título e ganharem eles o dinheiro. Não falta a habitual mulher fatal que distrairá Groucho (a cantora de saloon interpretada por June MacCloy), nem as habituais cenas musicais de Chico e Harpo, ou canções românticas do par de namorados.

Apesar de mais uma fraca história romântica e de vilões abaixo do habitual, e de se notar a falta de Margaret Dumont, “Os Marx no Far West” são uma melhoria sobre o filme precedente, com alguns bons momentos. O encontro entre Groucho com o par Chico-Harpo na estação de comboios é das melhores cenas de confronto do grupo, Groucho volta a ter algumas réplicas inspiradas, a loucura de Harpo está ao nível da dos primeiros filmes (veja-se a anárquica sequência da diligência), a sequência do cofre é de inenarrável loucura, e a perseguição final é rica em eventos, loucura e imaginação, com uma destruição de carruagens de comboio que quase lembra Buster Keaton (a que não será alheia a sua presença como consultor).

Outra diferença por esta altura é o facto de “Os Marx no Far West” ser um filme em que quase toda a história é transportada pelos Marx, aqui empenhados desde o início numa missão bondosa, ao contrário dos filmes anteriores em que a história avançava à custa de outros personagens, enquanto os Marx apenas contribuíam com interlúdios cómicos.

Como curiosidade note-se ainda como na sequência inicial todos os três Marx usam chapéus diferentes do habitual, como se quisessem dizer que estavam a tentar uma mudança.

Produção:

Título original: Go West; Produção: Metro-Goldwyn-Mayer (MGM); País: EUA; Ano: 1940; Duração: 77 minutos; Distribuição: Metro-Goldwyn-Mayer (MGM); Estreia: 6 de Dezembro de 1940 (EUA), 22 de Fevereiro de 1941 (Portugal).

Equipa técnica:

Realização: Edward Buzzell; Produção: Jack Cummings; Argumento: Irving Brecher, Buster Keaton [não creditado]; Fotografia: [preto e branco]; Canções: Bronislau Kaper, Roger Edens, Gus Kahn; Direcção Musical: Georgie Stoll; Orquestração: George Bassman; Fotografia: Leonard Smith [preto e branco]; Direcção Artística: Cedric Gibbons; Cenários: Edwin B. Willis; Figurinos: Dolly Tree, Gile Steele; Montagem: Blanche Sewell.

Elenco:

Groucho Marx (S. Quentin Quale), Chico Marx (Joe Panello), Harpo Marx (‘Rusty’ Panello), John Carroll (Terry Turner), Diana Lewis (Eve Wilson), Walter Woolf King (Beecher), Robert Barrat (‘Red’ Baxter), June MacCloy (Lulubelle), George Lessey (Presidente da Companhia de Ferro), Tully Marshall (Dan Wilson) [não creditado], Joe Yule (Joe, Barman do Crystal Palace) [não creditado], Mitchell Lewis Pete, Índio Mestiço) [não creditado].

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