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Captain KiddSinopse:

Em 1699, ao largo de Madagascar, o Capitão Kidd (Charles Laughton) afunda o navio real do Capitão Blaney, perdendo também o seu. Com alguns companheiros Kidd esconde o tesouro de Blaney numa ilha, para mais tarde vir buscar. Entretanto em Inglaterra, onde Blaney é acusado de pirataria, Kidd surge como um inocente mercador, conseguindo fazer-se nomear protector de navios reais junto do rei (Henry Daniell), com vista a roubar mais um tesouro, sem que se saiba dos seus actos piratas. Para tal recruta uma tripulação de condenados, na qual está Adam Mercy (Randolph Scott), um homem que poderá ser mais do que aparenta. Enquanto regressa a Madagascar, Kidd tenta ainda livrar-se dos únicos companheiros que sabem do seu tesouro, Povey (John Carradine), Lorenzo (Gilbert Roland) e Boyle (Sheldon Leonard).

Análise:

Em 1945 a United Artists lançava o seu filme de piratas numa produção externa de Benedict Bogeaus, protagonizada pelo carismático Charles Laughton, e com realização entregue a Rowland V. Lee, um realizador experiente, reputado por vários dramas históricos e de aventuras de personagens famosas (Conde de Monte Cristo, Cardeal Richelieu, Os Três Mosqueteiros), e alguns filmes de culto na série de terror da Universal.

Com argumento de Norman Reilly Raine, baseado numa ideia do irmão do realizador, Robert N. Lee, a história gira em torno do mítico Capitão William Kidd, um homem tão impiedoso como astuto, de actuação ambígua quer ao serviço da coroa inglesa, quer dos seus próprios interesses.

“O Capitão Kidd” é Charles Laughton, que conhecemos quando assiste ao afundamento do navio “The Twelve Apostles”, perdendo o seu próprio navio no processo. Com quatro companheiros, Kidd salva o tesouro, que leva para um rochedo isolado. Destes companheiros, um não regressa, e outro, Orange Povey (John Carradine) é abandonado à sua sorte (numa elipse que só mais tarde vamos compreender). Em Inglaterra é Blaney e não Kidd quem se pensa ser pirata, o que vale a Kidd ser comissionado pelo rei William III (Henry Daniell) para escoltar um navio que traz riquezas da Índia. Kidd recruta a tripulação entre condenados por pirataria, entre eles Adam Mercy (Randolph Scott), mestre de artilharia, e com maneiras aristocráticas.

Antes de partir, Kidd vê chegar o seu antigo companheiro Povey, que o chantageia para seguir a bordo e recuperar o tesouro. Seguem-se as inevitáveis mortes dos outros dois antigos companheiros de Kidd, Lorenzo (Gilbert Roland) e Boyle (Sheldon Leonard), e o encontro com o navio a proteger, que Kidd sabota, depois de transferir o tesouro e a bela Lady Anne Dunstan (Barbara Britton). É a esta que Mercy revela ser Adam Blayne, filho do antigo Capitão Blayne, e procura provas para incriminar Kidd.

“O Capitão Kidd” é, assim, um filme onde a acção é secundária, quando comparada com o papel da intriga e do suspense em volta dos combates surdos entre Kidd e os seus homens, e entre Kidd e Mercy. Embora com a sua dose de duelos de espada, e de explosões em alto mar, o filme, de baixo orçamento, vive essencialmente da interpretação de Charles Laughton, sempre seguro nos papéis de cruéis e astutos criminosos. A forma como Laughton passa de impiedoso a dócil pretendente a aristocrata (as cenas com o seu tutor de etiqueta dão um tom divertido ao filme) é muito bem conseguida, enriquecendo-lhe o personagem, e deixando sempre uma ponta de mistério quanto ao que lhe poderá ir na alma.

Já Randolph Scott tem um papel apagado, numa interpretação que não o distingue como herói. O mesmo acontece com o curto papel de Barbara Britton, cuja presença parece forçada e apenas porque é de bom tom ter uma dama em perigo neste género de filmes, mesmo que tal represente uma distracção sem interesse.

“O Capitão Kidd” foi nomeado aos Oscars para o prémio de Melhor Banda Sonora, a qual esteve a cargo de Werner Janssen.

Charles Laughton voltaria a protagonizar o famoso pirata na comédia “Encontro com o Capitão Kidd” (Abbott and Costello Meet Captain Kidd, 1952) de Charles Lamont.

Produção:

Título original: Captain Kidd; Produção: Benedict Bogeaus Production (como Miracle Productions) / Captain Kidd Productions Inc.; Produtor Executivo: James Nasser; País: EUA; Ano: 1945; Duração: 88 minutos; Distribuição: United Artists; Estreia: 22 de Novembro de 1945 (EUA), 7 de Novembro de 1946 (Portugal).

Equipa técnica:

Realização: Rowland V. Lee; Produção: Benedict Bogeaus; Assistente de Produção: Carley Harriman; Produtor Associado: Arthur M. Landau; Argumento: Norman Reilly Raine; História: Robert N. Lee; Música: Werner Janssen; Fotografia: Archie Stout [preto e branco]; Direcção Artística: Charles Odds; Cenários: Maurice Yates; Figurinos: Greta; Montagem: James Smith; Efeitos Especiais: Lee Zavitz, Barney Wolff [não creditado]; Caracterização: Al Greenway; Supervisão Musical: David Chudnow; Efeitos Visuais: Howard A. Anderson [não creditado].

Elenco:

Charles Laughton (Capitão William Kidd), Randolph Scott (Adam Mercy / Adam Blayne), Barbara Britton (Lady Anne Dunstan), John Carradine (Orange Povey), Gilbert Roland (Jose Lorenzo), John Qualen (Bart Blivens), Sheldon Leonard (Cyprian Boyle), William Farnum (Capitão Rawson), Henry Daniell (Rei William III), Reginald Owen (Cary Shadwell).

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