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A Day at the RacesSinopse:

Judy Standish (Maureen O’Sullivan) é dona do Standish Sanitarium, o qual está à beira da falência por falta de clientes. A conselho da sua mais rica paciente, Mrs. Upjohn, (Margaret Dumont), que poderá vir a fazer uma avultada doação, Judy contrata para novo director, Hugo Z. Hackenbush (Groucho Marx), que, sem que ninguém saiba, é apenas um veterinário. Ao mesmo tempo, o namorado de Judy, o cantor Gil Stewart (Allan Jones), coloca todas as suas poupanças na compra de um cavalo de corridas. Com o banqueiro J.D. Morgan (Douglas Dumbrille) a tentar boicotar o cavalo de Stewart e a fazer tudo para ficar com o Sanatório, Stewart vai usar a ajuda dos amigos Tony (Chico Marx), empregado no sanatório, e Stuffy (Harpo Marx), um jockey, para ganhar a corrida e salvar Judy.

Análise:

Depois do sucesso estrondoso de “Uma Noite na Ópera” (A Night at the Opera, 1935), a MGM preparou no novo filme dos Irmãos Marx (o sétimo dos irmãos, e segundo para a produtora) com o mesmo cuidado que o antecessor. Assim a realização foi de novo entregue a Sam Wood, um realizador menos habituado à comédia e de relação difícil com os Marx, mas que o poderoso Irving Thalberg via como homem ideal para manter os irmãos na ordem. Tal como fizera antes. Thalberg colocou os Marx em digressão pelo país, testando em teatro de vaudeville o material de que sairia o filme. Este, de escrita mais difícil que o anterior, passaria por diversos pares de mãos, com aquele que mais para ele contribuiu (Al Boasberg) a não constar nos créditos finais por desentendimentos com a MGM.

Em Junho de 1937 estava pronto a estrear “Um Dia nas Corridas”, que logo desde o nome, reportava ao filme anterior, como dois números consecutivos de uma revista. De facto, se os Marx tinham, desde o seu primeiro filme apostado numa fórmula que parecia inalterada, sob a égide da MGM e de Thalberg e Wood esta fórmula cristalizava-se. Senão vejamos:

Desde logo temos a repetição dos papéis de Margaret Dumont (patrona e vítima de Groucho, a milionária cujo dinheiro pode salvar tudo), de Allan Jones (o personagem romântico em dificuldades, e que também canta) e de Sig Ruman (o oponente de Groucho que o tenta desmascarar como charlatão). Como habitualmente, existe um par romântico em dificuldades (aqui Allan Jones e Maureen O’Sullivan), ele que comprou um cavalo de corrida mas não tem dinheiro para o inscrever, ela em vias de perder o sanatório que herdou dos pais. Groucho (o médico de cavalos, que passa a tratar pessoas, Dr. Hackenbush) desempenha o papel de pretensa autoridade, que mais tarde se verá ser uma fraude. Quanto a Chico e Harpo, surgem, como sempre, primeiro para irritar Groucho, para depois o acompanharem (meio sem saberem porquê) na ajuda ao par romântico.

Como estrutura temos, a exposição do par e suas dificuldades, com uma instituição a ter que ser salva; Chico como o amigo que quer ajudar; Margaret Dumont (como a hipocondríaca Mrs. Upjohn), intercedendo pelo personagem de Groucho, e sendo a pessoa que tem posses para ajudar; Groucho (Hackenbush) como a solução milagrosa, que ninguém sabe ser fraude; o encontro de Groucho e Chico com um longo diálogo cómico (neste caso o hilariante Tutsy Fruitsy Ice Cream); os maus da fita a tentar enganar Groucho com ajuda de uma mulher fatal (Esther Muir); um diálogo entre Chico e Harpo de mímica e confusões fonéticas; a queda em desgraça dos heróis; o final apoteótico de truques, lutas, perseguições e muita destruição.

Pelo meio temos duas canções de Allan Jones, e os números habituais de Chico (ao piano) e de Harpo (em harpa, aqui transformando um piano em harpa). “Um Dia nas Corridas” inova com aquelas que são talvez as mais ambiciosas sequências musicais dos Marx até então. A primeira, num cenário luxuoso, começa numa canção de Allan Jones, para evoluir para um bailado ao jeito de Busby Berkeley, finalizando num elegante ballet solo de Vivien Fay. A segunda começa com Harpo em flauta, liderando um coro de crianças negras, para, em múltiplas partes passar a um medley de temas de espirituais negros e jazz, culminando com um solo da vocalista de Duke Ellington, Ivie Anderson.

Com aquele que é talvez o argumento mais equilibrado da carreira cinematográfica dos Marx, a história é aqui tão importante como os gags. Ainda assim estes continuam a destacar-se, e a poder quase ser citados independentemente do resto do filme. A comédia ganha asas sempre que dois ou mais Marx interagem, como é o caso do citado duelo verbal entre Groucho e Chico (Tutsy Fruitsy Ice Cream), e da pantomina de Harpo para contar uma história a Chico. Sucedem-se também os momentos de pura loucura nonsense, como o teste a Mrs Upjohn, a colagem de papel no quarto do Dr. Hackenbush.

Com uma história propriamente dita, destaca-se o final emocionante (pela primeira vez com verdadeiro suspense num filme dos Marx) em que, como os heróis, torcemos para que o cavalo ganhe a corrida e os intentos de Morgan (Douglass Dumbrille) e Whitmore (Leonard Ceeley) saiam frustrados, o que será possível graças ao comportamento excessivo do cavalo sempre que vê Morgan ou lhe ouve a voz, estratagema usado diversas vezes para efeito cómico.

Tal como acontecera com o seu antecessor, “Um Dia nas Corridas” foi um estrondoso êxito, continuando a surgir em listas das melhores comédias de sempre. De mau prenúncio para os Marx foi a morte do menino-prodígio da MGM, o produtor Irving Thalberg, então com 37 anos, e que não chegou a ver o filme estrear. Sem a sua visão e protecção, os Marx seriam relegados para segundo plano na MGM, liderada por um Louis B. Mayer sem qualquer tipo de simpatia pelo humor caótico do trio de irmãos. Por essa razão, “Um Dia nas Corridas” é por muitas vezes considerado o último grande clássico dos Irmãos Marx.

Produção:

Título original: A Day at the Races; Produção: Metro-Goldwyn-Mayer (MGM); País: EUA; Ano: 1937; Duração: 105 minutos; Distribuição: Metro-Goldwyn-Mayer; Estreia: 11 de Junho de 1937 (EUA), 15 de Fevereiro de 1938 (Portugal).

Equipa técnica:

Realização: Sam Wood; Produção: Irving Thalberg [não creditado], Lawrence Weingarten [não creditado], Sam Wood [não creditado]; Produtor Associado: Max Siegel; Argumento: Robert Pirosh, George Seaton, George Oppenheimer, George S. Kaufman [não creditado], Al Boasberg [não creditado], Leon Gordon [não creditado]; História: Robert Pirosh, George Seaton, Al Boasberg [não creditado], Leon Gordon [não creditado]; Direcção Musical: Franz Waxman; Música: Walter Jurmann, Bronislau Kaper; Letras: Gus Kahn; Arranjos Musicais: Roger Edens; Arranjos Corais e de Orquestra: Leo Arnaud; Orquestração: George Bassman, Paul Marquardt; Coreografia: Dave Gould; Direcção Artística: Cedric Gibbons; Guarda-roupa: Dolly Tree; Fotografia: Joseph Ruttenberg, Leonard Smith [não creditado] [preto e branco]; Montagem: Frank E. Hull; Realização de Cenas Musicais: Reginald Le Borg [não creditado].

Elenco:

Groucho Marx (Dr. Hugo Z. Hackenbush), Chico Marx (Tony), Harpo Marx (Stuffy), Allan Jones (Gil Stewart), Maureen O’Sullivan (Judy Standish), Margaret Dumont (Mrs. Emily Upjohn), Leonard Ceeley (Whitmore), Douglass Dumbrille (J. D. Morgan), Esther Muir (‘Flo’), Sig Ruman (Dr. Steinberg), Robert Middlemass (Xerife), Vivien Fay (Bailarina), Ivie Anderson (Vocalista), The Crinoline Choir (Ensemble Vocal).

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