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The BuccaneerSinopse:

Durante a Guerra de 1812, depois de os ingleses entrarem em Washington, concentram as atenções a sul, tentando a tomada de Nova Orleães, para o que tentam aliciar o pirata francês Jean Laffite (Fredric March), que domina os pântanos em redor da cidade. Só que Laffite vê na guerra uma forma de ganhar a sua cidadania, para conquistar o coração da sua amada, Annette de Remy (Margot Grahame). Oferece então a sua ajuda ao general Andrew Jackson (Hugh Sothern) para defender a cidade, ao mesmo tempo que tem que lidar com a jovem holandesa Gretchen (Franciska Gaal), que salvara de um naufrágio, e a quem pede que nunca revele quando o navio em que ela seguia foi destruído pelos seus homens, contra a sua ordem. Só que ao enamorar-se de Laffite, a impetuosa Gretchen pode deitar a perder todas as esperanças do pirata em tornar-se um cidadão respeitado.

Análise:

Em 1938 a Paramount Pictures respondia à crescente procura de filmes de piratas românticos e aventureiros, com “O Corsário Laffite”. Tratava-se de uma história enraizada no imaginário americano, sobre o intrigante pirata francês Jean Laffite, tantas vezes condenado por crimes, como homenageado por ajudar no esforço de guerra, e um herói da Guerra de 1812, na qual a jovem nação americana enfrentava os exércitos de Inglaterra.

O tom nacionalista era bem visto pela Paramount, em particular por aquele que foi desde a primeira hora (mesmo antes de a Paramount ter esse nome) o seu grande mentor em termos de criatividade, o realizador Cecil B. DeMille.

DeMille, era um veterano dos tempos do mudo, com o crédito de ter realizado a primeira longa-metragem de Hollywood, o western “O Exilado” (The Squaw Man, 1914). Desde então, o realizador e produtor tornou-se um dos maiores nomes da indústria cinematográfica, com produções ambiciosas, especializando-se em filmes de época, que requeriam cenários e guarda-roupas sumptuosos, bem como muitas centenas de figurantes.

“O Corsário Laffite” é mais uma incursão de DeMille nos filmes históricos, a que estava habituado, aqui com uma componente romanesca, evidenciada pelo galante Fredric March, que interpreta o famoso corsário que ficou na história pela ambiguidade dos seus gestos. Laffite é, no filme de DeMille, um pirata aventureiro, mas com escrúpulos, por isso nunca ataca navios norte-americanos. Só que um dia um dos seus capitães desobedece, e afunda um navio matando todos os seus passageiros, incluindo a irmã da amada de Laffite. Salva-se no entanto uma jovem e rebelde holandesa, de nome Gretchen (Franciska Gaal), que os piratas querem ver morta, por ser testemunha do acto, mas que Laffite salva. Gretchen vai resmungando pelo covil pirata, protegida pelo canhoeiro Dominique (Akim Tamiroff) até se apaixonar por Laffite.

Enquanto isso, o chefe corsário tenta tudo para cair nas boas graças de Andrew Jefferson (Hugh Sothern), pois só após se tornar um homem respeitado em Nova Orleães, poderá ter a mão da sua amada Annette de Remy (Margot Grahame). Só, até o conseguir tem de sofrer algumas traições americanas e quase perder os seus homens, para no final ser descoberto que o afundamento do navio onde seguia a irmã de Annette fora responsabilidade sua.

Com o objectivo de ensinar história algumas vezes a sobrepor-se ao do entretenimento, “O Corsário Laffite” é um filme lento e sinuoso, distante das grandes aventuras de piratas do seu tempo. Faltam as rápidas batalhas, os duelos emocionantes, e as peripécias apaixonantes. Em vez disso DeMille dá-nos um filme que tenta recriar grandes momentos da história americana (a destruição de Washington, o ataque a Barataria e a defesa de Nova Orleães). O seu gosto pela exactidão levou-o a construir canhões verdadeiros, e a decorar os cenários ricamente, tendo Dan Sayre Groesback produzido cerca de 170 esboços de cenários e vestimentas. Consta até que a casa de Laffite tinha jóias verdadeiras no valor de 250 mil dólares.

Fredric March fica sem espaço de manobra para a acção (participa apenas num curto duelo), surgindo como um pirata sensível e preocupado, cujo sotaque francês parece ser a sua característica principal. O filme é por isso dominado por planos e maquinações, deixando a acção em papel secundário. A história é muito sinuosa, com imensos fios condutores, nem sempre claros, onde se destaca o papel de Gretchen, que, apesar de uma interpretação deliciosa de Franciska Gaal, numa boa química com Akim Tamiroff, chega a ser demasiado intrusiva.

Destaque ainda para Walter Brennan, já no papel do fiel e velho rezingão, que o tornaria famoso ao lado de estrelas como Humphrey Bogart e John Wayne.

O mesmo livro de Lyle Saxon seria mais tarde adaptado por Anthony Quinn (aqui com um papel muito secundário), com o mesmo título (The Buccaneer, 1958), com interpretações de Yul Brynner, Charles Boyer, Claire Bloom e Charlton Heston. O filme foi produzido pelo próprio DeMille, que no entanto não foi creditdo.

Produção:

Título original: The Buccaneer; Produção: Paramount Pictures; Produtores Executivos: William LeBaron, Adolph Zuckor; País: EUA; Ano: 1938; Duração: 126 minutos; Distribuição: Paramount Pictures; Estreia: 7 de Janeiro de 1938 (EUA), 30 de Dezembro de 1938 (Portugal).

Equipa técnica:

Realização: Cecil B. DeMille; Produção: Cecil B. DeMille; Produtor Associado: William H. Pine; Argumento: Edwin Justus Mayer, Harold Lamb, C. Gardner Sullivan, Grover Jones [não creditado], Jesse Lasky Jr. [não creditado] [adaptado por Jeanie Macpherson, a partir do livro “Lafitte the Pirate” de Lyle Saxon]; Música: George Antheil; Fotografia: Victor Milner [preto e branco]; Montagem: Anne Bauchens; Direcção Artística: Roland Anderson, Hans Dreier; Figurinos: Dwight Franklin, Natalie Visart, Dan Sayre Groesback [não creditado]; Caracterização: Charles Gemora [não creditado], Nellie Manley [não creditada], Wally Westmore [não creditado]; Efeitos Especiais: Farciot Edouart, Dewey Wrigley Barney Wolff [não creditado]; Direcção de Orquestra: Boris Morros.

Elenco:

Fredric March (Jean Lafitte), Franciska Gaal (Gretchen), Akim Tamiroff (Dominique You), Margot Grahame (Annette de Remy), Walter Brennan (Ezra Peavey), Ian Keith (Senador Crawford), Anthony Quinn (Beluche), Douglass Dumbrille (Governador William C.C. Claiborne), Beulah Bondi (Tia Charlotte), Robert Barrat (Capitão Brown), Fred Kohler (Gramby), Hugh Sothern (General Andrew Jackson), John Rogers (Mouse), Hans Steinke (Tarsus).

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