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A Night at the OperaSinopse:

Otis B. Driftwood (Groucho Marx), conselheiro financeiro da milionária Mrs. Claypool (Margaret Dumont), guia-a no seu mecenato à ópera, nas mãos do director Herman Gottlieb (Sig Ruman). Este aproveita a doação para contratar o célebre tenor Rodolfo Lassparri (Walter Woolf King), e juntos viajam para Nova Iorque num paquete. Só que com eles levam a soprano Rosa (Kitty Carlisle), a amada do também tenor Ricardo (Allan Jones). Ricardo, juntamente com os amigos Fiorello (Chico Marx) e Tomasso (Harpo Marx) embarcam então clandestinamente, indo parar no camarote de Driftwood. Depois de um desembarque intempestivo, que vale o despedimento de Driftwood, os quatro vão tentar tudo para boicotar a ópera de Gottlieb e Lassparri, e mostrar a qualidade de cantor de Ricardo.

Análise:

A seguir a “Os Grandes Aldrabões” (Horse Feathers, 1933) os irmãos Marx terminavam um contrato de cinco filmes com a Paramount. Alguns desentendimentos com a produtora na fase final desse contrato convenceu-os de que era tempo de mudarem de ares. Mas para o público a mudança maior seria a desistência de Zeppo Marx, que abdicava da carreira de actor, para se dedicar ao seu curso de engenharia (Zeppo enriqueceria graças aos seus empreendimentos de engenharia durante a guerra), ficando contudo ligado ao mundo do espectáculo como empresário dos irmãos, tarefa que dividiria com o outro irmão, Gummo. Assim, os Marx chegavam à poderosa Metro Goldwyn Mayer (MGM) como trio, mas com salário reforçado, pois quando Irving Tharlberg propôs uma redução do total, pela saída de Zeppo, Groucho contrapropôs com um aumento, dizendo que sem Zeppo tinham ficado ainda mais cómicos.

Sabendo que tinha consigo um grupo adorado do público, Thalberg não perdeu tempo, e antes mesmo que o filme fosse rodado, o produtor preparou um espectáculo de palco que correria os Estados Unidos, e onde os três Marx testariam o novo material ao vivo, para se decidir o que entraria no filme. Era um pouco o regresso às origens, já que os dois primeiros filmes dos Marx provinham de peças da Broadway. Por essa razão, “Uma Noite na Ópera” tornar-se-ia um sucesso mesmo antes da estreia do filme, criando uma antecipação que veio a torna-lo o mais famoso e reconhecível (para não dizer o título mais citado, veja-se o caso do famoso álbum dos Queen) filme da carreira dos Irmãos Marx.

O argumento de “Uma Noite na Ópera” foi escrito por George S. Kaufman, Morrie Ryskind (exactamente a dupla responsável pelos dois primeiros filmes dos irmãos), depois de um primeiro argumento de Bert Kalmar e Harry Ruby (habituais colaboradores dos Marx) ser rejeitado pelos irmãos. A realização foi entregue a Sam Wood, um realizador com carreira no cinema mudo, mas que aos poucos desaparecera. Também ele começara na Paramount e se transferira para a MGM, onde se integrava no sistema de produção de Thalberg. Seriam exactamente os filmes que realizou com os irmãos Marx (este e o seguinte) que lhe voltariam a dar alguma projecção em Hollywood.

Mas nem tudo foi fácil entre realizador e actores (como aliás não era surpresa com os Marx), tão caóticos a representar como o seu humor mostrava, os Marx não respeitavam guiões, e moviam-se sem respeito pela câmara, o que os colocava frequentemente em conflito com o realizador. Para a história ficou o reparo do realizador “é impossível fazer actores a partir de barro”, respondida por Groucho com “… ou realizadores a partir de madeira (Wood)”.

Não querendo estragar uma fórmula vencedora, a MGM entregou aos Marx mais um filme a seu jeito. Sem Zeppo no possível papel de protagonista romântico (na verdade Zeppo nunca tivera papéis verdadeiramente cómicos nem dramáticos), o escolhido para o seu lugar foi Allan Jones, um tenor que elevava assim a fasquia vocal sempre importante nos filmes dos irmãos. De resto a história seguia os moldes Groucho surgia mais uma vez numa posição de destaque, no seu papel de Otis B. Driftwood (desta vez representante de uma milionária, claro Margaret Dumont), disputando a sua influência com um rival, Sig Ruman, no papel do irascível e pomposo Gottlieb, o director de Ópera a quem a Sra. Claypool (Dumont) servia de mecenas. Com Gottlieb a favorecer o tenor Lassparri (Walter Woolf King), o qual tenta seduzir (e chantagear) a soprano Rosa (Kitty Carlisle), apaixonada do tenor em busca de uma oportunidade Ricardo (Allan Jones), Driftwood vê-se a interceder por Ricardo, ao mesmo tempo que procura salvar o seu emprego, para tal recebe a ajuda de Fiorello (Chico) e Tomasso (Harpo), dois empregados da Ópera, que armam confusão por onde passam.

Sem que a história seja original, os Marx brilham nalguns momentos inesquecíveis, como o quarto lotado de Groucho (onde vai sempre entrando mais alguém); o corte das barbas dos aviadores que leva a uma apresentação pública em que Harpo bebe água descomunalmente para evitar discursar; e, claro, a sequência final em que a representação de “Il Trovatore” é literalmente destruída, com Groucho a gritar da audiência, e Harpo a voar sobre o cenário em arriscados movimentos, pendurado em cordas (note-se que o fez sem duplos).

Voltam os diálogos surreais entre Groucho e Chico. A inesquecível sequência do contrato lembra algumas anteriores, tal como a sequência das camas a desaparecer do quarto é reminiscente de gags visuais anteriores. Voltam também os interlúdios musicais, quer os cantados por Allan Jones e Kitty Carlisle, quer os momentos de ópera, quer ainda os habituais números de Chico ao piano e de Harpo em harpa.

Com um argumento mais cuidado que nos filmes anteriores, nota-se por outro lado uma maior contenção. Há menos anarquia no comportamento dos Marx (isso é especialmente visível em Harpo que até se apalhaça para divertir as crianças) e as suas acções tornam-se mais éticas, protegendo e ajudando os “bons”, e atacando apenas os “maus”, com objectivos claramente definidos desde o início (ajudar o personagem de Allan Jones).

Apesar dessa correcção de direcção (bem ao jeito de Thalberg, e da sempre politicamente correcta MGM), o filme deu razão aos produtores, tornando-se o maior sucesso de sempre da carreira dos Irmãos Marx. É o filme de que todos se lembram, e aquele que lhes deu os melhores resultados de bilheteira.

Produção:

Título original: A Night at the Opera; Produção: Metro-Goldwyn-Mayer (MGM); País: EUA; Ano: 1935; Duração: 90 minutos; Distribuição: Metro-Goldwyn-Mayer; Estreia: 8 de Novembro de 1935 (EUA), 2 de Fevereiro de 1937 (Portugal).

Equipa técnica:

Realização: Sam Wood; Produção: Irving Thalberg; Argumento: George S. Kaufman, Morrie Ryskind; História: James Kevin McGuinness; Fotografia: Merritt B. Gerstad [preto e branco]; Música: Herbert Stothart; Direcção Artística: Cedric Gibbons; Montagem: William LeVanway; Guarda-roupa: Dolly Tree; Caracterização: Robert J. Schiffer [não creditado].

Elenco:

Groucho Marx (Otis B. Driftwood), Chico Marx (Fiorello), Harpo Marx (Tomasso), Kitty Carlisle (Rosa), Allan Jones (Ricardo), Walter Woolf King (Rodolfo Lassparri), Sig Ruman (Herman Gottlieb), Margaret Dumont (Mrs. Claypool), Edward Keane (Capitão), Robert Emmett O’Connor (Henderson).

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