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Captain BloodSinopse:

Embora seja um médico que não se envolve em política, o Dr. Peter Blood (Errol Flynn) testemunha a crueldade da justiça do rei James II, quando, por ser encontrado a tratar um rebelde, é com eles deportado como escravo. Em Port Royal na Jamaica, Blood é comprado pela impetuosa Arabella (Olivia De Havilland), para o proteger de ir parar a mãos criminosas. Sentindo-se humilhado, Blood ignora Arabella, enquanto ganha os favores do governador como seu médico, e prepara uma fuga. Durante um ataque espanhol à cidade, Blood conduz todos os escravos, toma o navio, derrota os espanhóis, e decide dedicar-se à pirataria. Uma coincidência dá consigo a ter de comprar Arabella num mercado de escravos, num momento em que ambos já não vão mais esconder o seu amor, ainda que ela seja sobrinha do maior inimigo de Blood, o coronel Bishop (Lionel Atwill).

Análise:

Em 1935, a Warner Bros. e Michael Curtiz traziam-nos aquele que seria o modelo dos filmes de piratas das décadas seguintes, “O Capitão Blood”. Adaptando o mais célebre escritor de livros de aventuras de piratas e corsários, Rafael Sabatini (cuja história já originara, em 1924, um filme mudo filme com o mesmo nome, realizado por David Smith), Curtiz teve ainda o condão de juntar pela primeira vez um dos mais famosos pares da era dourada de Hollywood, Errol Flynn (num papel destinado inicialmente a Robert Donat) e Olivia De Havilland, os quais contracenariam por oito vezes num intervalo de seis anos, e que no momento eram ainda perfeitos desconhecidos.

Com algum pano de fundo histórico à mistura, “O Capitão Blood” conta-nos a aventura de um médico pacifista inglês no tempo das guerras religiosas de James II, que precederam a Glorious Revolution de 1688. Por estar no lugar errado à hora errada, Peter Blood (Errol Flynn) é condenado, com os revolucionários, a servir numa colónia penal em Port Royal, na Jamaica. Aí é comprado escravo por Arabella Bishop (Olivia De Havilland) para evitar que ele seja comprado por um sádico proprietário da vizinhança. Apesar de cedo cair nas graças do governador, como médico, Peter Blood não perde o ensejo de fugir com os seus, quando um galeão espanhol ataca o porto. Ao comando do navio espanhol, Blood dedica-se à pirataria, em parceria com o temível capitão Lavasseur (Basil Rathbone), até ao momento em que a sorte faz com que este se apodere do navio onde está Arabella. Daí a Blood salvar Arabella, imiscuir-se na guerra contra França, e obter o perdão do novo rei William de Orange, vai apenas um passo.

Assim, num filme temos história, crítica social, romance, acção, aventura e algum suspense. Curtiz, dirigindo com mão seguríssima, toma o seu tempo em cada um dos actos em que “O Capitão Blood” se divide, mostrando-nos como funciona a injustiça inglesa, como é a escravatura nos campos de trabalho nas colónias, e dando-nos quase uma cartilha dos famosos códigos piratas que tantos outros filmes iriam inspirar.

Já Errol Flynn, aproveitando a oportunidade de ouro, e sem nunca perder a sua compostura, inicia o construir de uma lenda. Ele é um pacato médico, um consciente cidadão, um orgulhoso inglês, um romântico e cavalheiro, e claro um intrépido espadachim e aventureiro, que aqui nos dá o primeiro dos seus duelos com Basil Rathbone, que teria continuação no ainda mais aclamado “As Aventuras de Robin dos Bosques” (The Adventures od Robin Hood, 1938), também de Michael Curtiz.

Com uma forte componente social, não é difícil ver no filme um elogio da liberdade, seja em relação às questões raciais (das quais os Estados Unidos ainda não se tinham libertado), quer em questão às prepotências nacionais, que fazem parecer alguns dos discursos um apelo contra a situação contemporânea em que as grandes ditaduras tomavam conta da Europa. Não se deve esquecer que Michael Curtiz era ele próprio um imigrado da Hungria.

Fiel à sua aprendizagem estética na Alemanha dos anos 1920, Curtiz não deixa de incluir elementos que remetem ao Expressionismo, como o uso da sombra, e a sua imagem de marca que eram as sombras dos personagens, projectadas numa parede, mostrando-nos as suas acções. Com a mestria que nos daria vários outros filmes inesquecíveis, Curtiz sabe sempre quando acelerar e retardar um momento, quando nos fazer suspirar num momento de pausa, ou excitar numa acção de coreografia acelerada. Com cenas aparentemente dignas de uma superprodução, Curtiz manteve o orçamento baixo, filmando quase tudo em estúdio, e reutilizando imagens de filmes mudos anteriores.

Pelo drama, pelo sentido de aventura, pela acção, e claro, pelo magnetismo de Errol Flynn, “O Capitão Blood” foi um sucesso, que ainda hoje é tido como um filme difícil de ultrapassar no campo da aventura romanesca das histórias de piratas. O filme tem ainda a seu favor a épica banda sonora do famoso compositor clássico Erich Wolfgang Korngold.

“O Capitão Blood” receberia nomeações para os Oscars de Melhor Filme, Melhor Realização e Melhor Argumento.

Produção:

Título original: Captain Blood; Produção: Warner Bros.; Produtores Executivos: Hal B. Wallis [não creditado], Jack L. Warner [não creditado]; País: EUA; Ano: 1935; Duração: 119 minutos; Distribuição: Warner Bros.; Estreia: 19 de Dezembro de 1935 (EUA), 10 de Novembro de 1936 (Portugal).

Equipa técnica:

Realização: Michael Curtiz; Produção: Harry Joe Brown [não creditado], Gordon Hollingshead [não creditado]; Argumento: Casey Robinson [a partir do livro de Rafael Sabatini]; Fotografia: Ernest Haller, Hal Mohr [preto e branco]; Montagem: George Amy; Figurinos: Milo Anderson; Direcção Artística: Anton Grot; Música e Orquestração: Erich Wolfgang Korngold [não creditado]; Direcção de Orquestra: Leo F. Forbstein; Efeitos Especiais: Fred Jackman.

Elenco:

Errol Flynn (Peter Blood), Olivia de Havilland (Arabella Bishop), Lionel Atwill (Coronel Bishop), Basil Rathbone (Levasseur), Ross Alexander (Jeremy Pitt), Guy Kibbee (Hagthorpe), Henry Stephenson (Lord Willoughby), Robert Barrat (Wolverstone), Hobart Cavanaugh (Dr. Bronson), Donald Meek (Dr. Whacker), Jessie Ralph (Mrs. Barlow), Forrester Harvey (Honesty Nuttall), Frank McGlynn Sr. (Reverendo Ogle), Holmes Herbert (Capitão Gardner), David Torrence (Andrew Baynes), Carrol Naish (Cahusac), Pedro de Cordoba (Don Diego), George Hassell (Governador Steed), Harry Cording (Kent), Leonard Mudie (Barão Jeffreys), Ivan F. Simpson (Promotor Público), Stuart Casey (Capt. Hobart), David Cavendish [como Dennis D. Auburn] (Lord Gildoy), Mary Forbes (Mrs. Steed).

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