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Treasure IslandSinopse:

Na Inglaterra, no século XVIII, o pequeno Jim Hawkins (Jackie Cooper) dirige uma estalagem com a sua mãe. A paz é quebrada com a chegada do violento Billy Bones (Lionel Barrymore) que pouco depois começa a receber visitas ameaçadoras. Bones morre, e ao vasculhar a sua bagagem, Hawkins descobre um mapa, entregando-o a Squire Trelawney (Nigel Bruce) que o identifica como o mapa do tesouro do célebre pirata Capitão Flint. Trelawney organiza imediatamente uma viagem à Jamaica, levando consigo Hawkins. Só que ao recrutar a tripulação, esta vai ser composta por piratas enviados por Long John Silver (Wallace Beery), o novo melhor amigo do jovem Hawkins, e um dos antigos homens de Flint, disposto a usurpar a expedição.

Análise:

Publicado em 1883, o livro “A Ilha do Tesouro”, de Robert Louis Stevenson, tornou-se desde logo um dos mais conhecidos romances de aventura, e um dos primeiros livros de ficção a descrever os piratas das Caraíbas de modo aventureiro e romântico. O livro é, talvez, a história de piratas mais vezes adaptada ao cinema, desde “Treasure Island” (1918) de Chester M. Franklin e Sidney Franklin, até versão alemã “Die Schatzinsel” (2007) de Hansjörg Thurn, passando pela popular versão da Disney “O Tesouro e os Piratas” (Treasure Island, 1950) de Byron Haskin.

Antes da Disney, já a MGM se tinha apercebido da possibilidade de fazer um filme de família, baseado na aventura do pequeno Jim Hawkins (aqui interpretado por Jackie Cooper, então com 12 anos), que após descobrir inadvertidamente um mapa do tesouro se vai envolver numa série de peripécias, plenas de surpresa, drama e humor.

Jim Hawkins é um voluntarioso jovem que dirige uma estalagem na Cornualha com a sua mãe. Tudo vai bem até à chegada de um novo hóspede, o mal-educado, prepotente e permanentemente embriagado Billy Bones (Lionel Barrymore), que parece viver no medo de ser encontrado. Depois de começar a receber visitas ameaçadoras, Bones morre, e ao vasculhar a sua bagagem, procurando algo que pague a estadia, Hawkins descobre um mapa, que entrega ao aristocrata local, Squire Trelawney (Nigel Bruce). Este identifica-o como o mapa do tesouro do célebre pirata Capitão Flint. Juntamente com o doutor Livesey (Otto Kruger) e o Capitão Smollett (Lewis Stone), Squire organiza imediatamente uma viagem à Jamaica, levando consigo Hawkins. Só que ao recrutar a tripulação, esta vai ser composta por piratas enviados por Long John Silver (Wallace Beery), o novo melhor amigo do jovem Hawkins, e um dos antigos homens de Flint. Silver, fazendo-se passar por cozinheiro, vai-se desfazendo dos homens de confiança de Capitão Smollett, até se amotinar à chegada ao local do tesouro. Só que Silver manobra pelos dois lados, num jogo duplo de traições e intrigas, não querendo partilhar o tesouro com os seus homens, e usando a ingenuidade de Hawkins para fazer valer os seus intentos.

Sendo Hawkins o centro da história, Jackie Cooper tem tanto de interessante (pela sua inocência e entusiasmo) como de irritante (pela extrema ingenuidade e constantes lágrimas). Mas é Wallace Beery quem brilha, no papel de Long John Silver, o mais colorido e desconcertante de todos os piratas de ficção. Seja pelo modo de falar, pela forma como procura a cumplicidade do pequeno rapaz, ou pelos golpes que vai dando, Silver é o motor da história, e o mais magnetizante dos personagens em presença. Por um lado dócil, simpático e paternal, por outro cruel, ambicioso e sem escrúpulos, é-nos completamente impossível adivinhar que passo Long John Silver dará a seguir. Com o seu papagaio ao ombro, perna cortada, e sotaque forte, o personagem criado por Wallace Beery é fiel ao livro de Stevenson, ajudando a cristalizar para sempre no nosso imaginário a ideia do pirata das Caraíbas.

Com um argumento cheio de reviravoltas, Silver vai tentar enganar tudo e todos, bons e maus, com especial atenção à ingenuidade de Hawkins, umas vezes salvo por ele, outras colocado em perigo, numa relação tão surpreendente quão difícil de entender, e que tão depressa nos irrita como nos comove (como acontece no final).

Embora filmado com rigor e competência por Victor Fleming (se perdoarmos os excessos hollywoodescos, como o de colocar na ilha animais de outros continentes), e atrevendo-se a mostrar algumas cenas de violência não habituais nesta história, o filme é talvez demasiado longo, e abusa das lágrimas de Jackie Cooper. Ainda assim, não deixa de ser uma história estimulante capaz de prender miúdos e graúdos, bem ao jeito do pretendido pela MGM.

Produção:

Título original: Treasure Island; Produção: Metro-Goldwyn-Mayer (MGM); País: EUA; Ano: 1934; Duração: 103 minutos; Distribuição: Metro-Goldwyn-Mayer (MGM); Estreia: 17 de Agosto de 1934 (EUA), 7 de Janeiro de 1936 (Portugal).

Equipa técnica:

Realização: Victor Fleming; Produção: Hunt Stromberg; Argumento: John Lee Mahin, John Howard Lawson [não creditado], Leonard Praskins [não creditado] [a partir do livro “A Ilha do Tesouro” de Robert Louis Stevenson]; Fotografia: Ray June, Clyde De Vinna, Harold Rosson [preto e branco]; Música: Herbert Stothart; Direcção Artística: Cedric Gibbons; Montagem: Blanche Sewell; Figurinos: Dwight Franklin [não creditado].

Elenco:

Wallace Beery (Long John Silver), Jackie Cooper (Jim Hawkins), Lionel Barrymore (Billy Bones), Otto Kruger (Doutor Livesey), Lewis Stone (Capitão Smollett), Nigel Bruce (Squire Trelawney), Charles ‘Chic’ Sale (Ben Gunn), William V. Mong (Blind Pew), Charles McNaughton (Black Dog), Dorothy Peterson (Mrs. Hawkins), Douglass Dumbrille (Pirata), Edmund Breese (Pirata), Olin Howland (Pirata), Charles Irwin (Pirata), Edward Pawley (Pirata), Richard Powell (Pirata), James Burke (Pirata), John Anderson (Pirata), Charles Bennett (Pirata).

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