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The Black PirateSinopse:

Após a o saque e destruição de um navio mercante por piratas, o único sobrevivente (Douglas Fairbanks) promete vingança sobre a campa do seu pai. Para tal oferece os seus serviços aos piratas, matando o capitão, e tornando-se o seu novo líder. Para provar a sua valia, o pirata, agora conhecido como Pirata Negro, captura um navio mercante, mas para que não haja mortes desnecessárias, convence os seus homens a trocá-lo por um resgate. Tudo se complica quando o Pirata Negro se apaixona por uma rapariga que segue a bordo (Billie Dove). Ao tentar protegê-la da disputa e violação por parte dos outros piratas, vai denunciar os seus verdadeiros intentos, e incorrer na ira dos seus homens.

Análise:

Douglas Fairbanks foi, sem dúvida, o primeiro grande herói de Hollywood. Célebre por filmes de aventuras em que interpretava personagens intrépidos, em cenários exóticos e românticos, muitas vezes saídos da literatura de aventuras clássicas (Os Três Mosqueteiros, Zorro, Robin dos Bosques, O Ladrão de Bagdad, A Máscara de Ferro), o actor tornou-se uma super estrela, facto ainda mais mediatizado pelo seu casamento com a também estrela Mary Pickford. O casal seria ainda importante na indústria do cinema, quando, juntamente com Chaplin e D. W. Griffith fundaria a United Artists, que passaria a distribuir os seus filmes a partir dos anos 1920.

Exemplo da persona aventureira de Douglas Fairbanks é “O Pirata Negro”, um dos percursores dos filmes de aventuras de piratas, que em Hollywood se tornariam famosos décadas mais tarde. Baseado numa história do próprio Fairbanks (que se assina com os nomes do meio, Elton Thomas), o filme foi realizado por Albert Parker, sendo habitualmente considerado o terceiro filme a ser filmado numa antiga versão de Technicolor. Esta consistia em ter duas fitas sobrepostas, para possibilitar dois tons de cor à imagem. O processo resultava numa imagem pesada, e projectores que aqueciam demasiado, pelo que as cópias a preto e branco foram mais comuns.

A história era a de um nobre (Douglas Fairbanks) que perdeu o seu pai (e quase a sua vida) num ataque de piratas, e jurou trazê-los à justiça. Para tal imiscuiu-se no grupo, passando a liderá-los, no intuito de os emboscar. Durante esse tempo tudo tentou para que não houvesse sangue derramado entre as vítimas, protegendo como pôde, uma rapariga (Billie Dove) por quem se apaixonou.

Repleto de cenas de acção, o filme impressiona sobretudo pelos seus cenários, e pela destreza física de Fairbanks que, num verdadeiro prodígio atlético, vai aumentando a fasquia das proezas do seu Pirata Negro, com movimentos, saltos, escaladas, e lutas de espada, que ficariam como modelo para as gerações vindouras.

Como percursor de filmes de piratas, “O Pirata Negro” tem o cuidado de fazer quase que uma introdução de um léxico, reservando cenas para todos os possíveis acontecimentos: Abordagens, pilhagens, combates de espada, o abandonar de alguém uma pilha deserta, tesouros escondidos, desafiar um capitão para lhe tomar o lugar, caminhar na prancha, sorteios para partilha dos saques, e tantos outros clichès usados e abusados nos filmes seguintes.

O filme é ainda notável pela violência sugerida, como por exemplo a sugestão do esventramento de um prisioneiro quando o vemos engolir uma jóia, e de seguida vemos um pirata que a ele se dirige com uma faca, e dele regressa com a jóia ensanguentada. São também várias as explosões, as execuções sumárias, e claro, a ameaça de violação que paira sobre a personagem de Billie Dove, tida quase como natural. Dez anos mais tarde, sob a vigência do Código Hays tudo isto seria impensável.

Fairbanks promoveu o seu filme como um regresso à grande aventura depois de alguns épicos pesados e comédias de gosto duvidoso, mas o filme esteve longe de ser o sucesso desejado. “O Pirata Negro” foi, no entanto, ganhando mais adeptos com o tempo, sendo hoje considerado uma obra fundamental do cinema de aventura das primeiras décadas de Hollywood.

Como curiosidade atente-se à cena final, o longo abraço do Pirata e da Princesa, onde é a não creditada Mary Pickford (esposa de Fairbanks) quem toma o lugar de Billie Dove.

Produção:

Título original: The Black Pirate; Produção: Elton Corporation; País: EUA; Ano: 1926; Duração: 82 minutos; Distribuição: United Artists; Estreia: 8 de Março de 1926 (EUA), 17 de Dezembro de 1928 (Portugal).

Equipa técnica:

Realização: Albert Parker; Produção: Douglas Fairbanks [não creditado]; Argumento: Jack Cunningham; História: Douglas Fairbanks [como Elton Thomas]; Fotografia: Henry Sharp [preto e branco e Technicolor de 2 faixas]; Música: Mortimer Wilson [não creditado]; Design de Produção: Carl Oscar Borg [não creditado]; Direcção Artística: Carl Oscar Borg [não creditado]; Montagem: William Nolan; Cenários: Jack Holden [não creditado]; Caracterização: Robert Stephanoff [não creditado], George Westmore [não creditado]; Director de Produção: Theodore Reed [não creditado].

Elenco:

Douglas Fairbanks (Duque de Arnoldo / Pirata Negro), Billie Dove (Princess Isobel), Tempé Pigott (Criada), Donald Crisp (MacTavish), Sam De Grasse (Pirata Imediato), Anders Randolf (Capitão Pirata), Charles Stevens (Homem da Pólvora), John Wallace (Pirata da Perna de Pau), Fred Becker (Pirate), Charles Belcher (Passageiro Nobre), E. J. Ratcliffe (Governador).

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