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The CocoanutsSinopse:

Mr. Hammer (Groucho Marx) dirige um Hotel falido na Flórida. Convidando um conjunto de hóspedes ricos, onde se destaca a sua vítima preferencial, Mrs. Potter (Margaret Dumont), Hammer vai tentar fazer dinheiro com a venda inflacionada dos lotes de terreno onde se ergue o hotel. Com a chegada de dois ladrões (Chico Marx e Harpo Marx), Groucho vai recrutá-los para os seus esquemas. Juntos irão descobrir a tentativa de Yates e Penelope (Cyril Ring e Kay Francis) roubar as jóias de Mrs. Potter, inocentando assim o falso culpado, Bob (Oscar Shaw), pretendente amoroso da filha da milionária, Polly (Mary Eaton), e que se revelará como o arquitecto que irá salvar o hotel.

Análise:

Em 1929 os irmãos Marx chegavam ao grande ecrã pela primeira vez, com a sua segunda longa-metragem (a primeira, “Humor Risk”, de 1921, nunca chegou às salas e encontra-se hoje perdida). Evoluindo de um grupo familiar de teatro de vaudeville, Groucho, Chico, Harpo, Zeppo (este substituindo o irmão Gummo) já tinham experiência de mais de uma década de palcos, quando Hollywood os descobriu. Célebres pelas suas comédias de revista, que incluíam partes faladas e números musicais, os Marx chegaram à Broadway em 1924 com as comédias musicais “I’ll Say She Is” (1924–1925), “The Cocoanuts” (1925–1926) e “Animal Crackers” (1928–1929). As últimas duas, com co-autoria de George S. Kaufman, seriam a base dos seus dois primeiros filmes para a Paramount.

Então com as suas personas artísticas perfeitamente definidas (Groucho de bigode e sobrancelhas pintadas, andar curvado e estilo confrontacional de réplicas rápidas de mordazes; Chico de chapéu da commedia dell’arte italiana, falso sotaque italiano, capaz das maiores confusões fonéticas; Harpo, mudo, de chapéu alto e bengala com uma buzina, dado a acessos de loucura; Zeppo, o “normal”, que embora cúmplice dos restantes manteria o papel romântico), os Marx limitaram-se a transpor para o ecrã o seu espectáculo da Broadway. O filme integra vários números musicais (geralmente com música de autoria de Irving Berlin), seja nas loucuras dos Marx, na expressão do par romântico, ou em coreografias de corpos de baile femininos, que evoluíam em formas caleidoscópicas, de certo modo como percursores dos grandes musicais de Busby Berkeley nos anos seguintes.

“The Cocoanuts” é por isso apenas uma colagem de momentos, nos quais a história principal é quase secundária. Esta trata do hotel Cocoanut, na Flórida, à beira da falência, e cujo dono, Mr. Hammer (Groucho Marx), quer vender em leilão, contando com o dinheiro de alguns hóspedes ricos, como a Sra. Potter (Margaret Dumont). Enquanto isso Harvey Yates (Cyril Ring), um trapaceiro que passa por homem da alta sociedade, e a sua cúmplice Penelope (Kay Francis) planeiam o roubo de um colar da Sra. Potter, incriminando Bob Adams (Oscar Shaw), um humilde pretendente a arquitecto, e interesse amoroso de Polly (Mary Eaton), filha da milionária. Para complicar chegam dois burlões, Chico e Harpo, que vêm roubar o hotel, mas acabam por se envolver na história ajudando à sua resolução feliz.

Com os números musicais a parecerem intrusivos, nem sempre se coadunando com a narrativa, e nos quais não faltam já as tradicionais peças de harpa (Harpo) e de piano (Chico), “The Cocoanuts” é um dos mais caóticos filmes dos irmãos Marx, valendo sobretudo pelos momentos de interacção dos irmãos. Destaca-se a sequência nos quartos gémeos da Sr. Potter e de Penelope, com um verdadeiro carrossel de abrir e fechar portas, o diálogo entre Groucho e Chico sobre o leilão, o leilão em que Chico licita acima de todos, incluindo a si próprio, e claro, o humor físico e sempre desconcertante de Harpo. Sem muito que fazer fica Zeppo, passando neste filme completamente despercebido.

A comunicação com os realizadores (Robert Florey and Joseph Santley) terá sido complicada. Segundo Groucho “um não entendia inglês, o outro não entendia harpês”, o que tornou o resultado final muito aquém das expectativas dos irmãos, que quiseram mesmo cancelar o filme. Apesar dessas divergências artísticas, o filme foi um sucesso, numa altura em que o sonoro era ainda uma novidade e o público estava ávido de musicais e de comédia verbal. A irreverência e loucura dos Marx foi uma autêntica pedrada no charco que apanhou o público desprevenido, e ansioso por mais.

O facto de o som ser ainda uma novidade é claro em vários apontamentos. Por exemplo o som das cenas musicais foi gravado previamente, o que se nota pela diferença na qualidade tanto do som como da película. Os planos são quase todos estáticos, o que era regra nesses anos, para não se ouvir o ruído dos movimentos,e a difícil logística da colocação dos microfones. Por fim note-se como sempre que é exibido um papel, este surge maleável por estar humedecido, solução encontrada para que os ruídos do papel não se ouvissem.

Como curiosidade acrescente-se que o filme “The Cocoanuts” foi rodado em Nova Iorque, já que os Marx filmavam durante o dia, e actuavam na peça “Animal Crackers” na Broadway à noite.

Produção:

Título original: The Cocoanuts; Produção: Paramount Pictures; Produtores Executivos: Jesse L. Lasky, Adolph Zukor; País: EUA; Ano: 1929; Duração: 93 minutos; Distribuição: Paramount Pictures; Estreia: 3 de Agosto de 1929 (EUA).

Equipa técnica:

Realização: Robert Florey, Joseph Santley; Produção: Walter Wanger; Produtor Associado: James R. Cowan; Argumento: Morrie Ryskind [a partir da peça de George S. Kaufman]; Música e letras: Irving Berlin; Direcção Musical: Frank Tours; Fotografia: George J. Folsey [preto e branco]; Montagem: Barney Rogan [não creditado].

Elenco:

Zeppo Marx (Jamison), Groucho Marx (Hammer), Harpo Marx (Harpo), Chico Marx (Chico), Oscar Shaw (Bob Adams), Mary Eaton (Polly Potter), Cyril Ring (Yates), Kay Francis (Penelope), Margaret Dumont (Mrs. Potter), Basil Ruysdael (Hennessy), Gamby-Hale Ballet Girls (Bailarinas), Allan K. Foster Girls (Bailarinas).

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