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White ChrismasTendo-se conhecido durante a Segunda Guerra Mundial, Bob Wallace (Bing Crosby) e Phil Davis (Danny Kaye) tornam-se um duo de sucesso no teatro musical, com os seus números de canto e dança. Quando Bob e Phil visitam um par de irmãs de um ex-companheiro do exército, Betty e Judy Haynes (Rosemary Clooney e Vera-Ellen, respectivamente), que também cantam e dançam, Phil decide que é altura de fazer Bob apaixonar-se. No seguimento das peripécias, o quarteto acaba numa pousada no Vermont, dirigida pelo ex-general de Bob e Phil (Dean Jagger). É quase Natal, e o par decide salvar a pousada da falência, montando ali o seu requintado espectáculo, enquanto Phil e Judy tentam que Bob e Betty se apaixonem.

Análise:

Em 1954 a Paramount estreava o seu próprio sistema de projecção em ecrã panorâmico, a que chamou VistaVision, e que se tornaria um padrão da produtora durante muitos anos. Era a época em que o cinema enfrentava a nascente competição da televisão, e havia que tirar os espectadores de casa, com ofertas num formato diferente e mais apelativo. O filme que estreava o sistema VistaVision era “Natal Branco”, um filme familiar, com canções de Irving Berlin, e sabor natalício. Filmado em Technicolor, “Natal Branco” foi realizado pelo competentíssimo Michael Curtiz, com inspiração no filme “15 Dias de Prazer” (Holiday Inn, 1942) de Mark Sandrich, e que reunia Bing Crosby e Fred Astaire.

A Paramount estava decidida a reunir o famoso par, e o filme foi desenhado para essa parceria. Mas Fred Astaire encontrava-se, no momento, em pausa na sua carreira, e houve que encontrar um substituto. A segunda escolha terá sido Donald O’Connor, estrela de “Serenata à Chuva” (Singin’ in the Rain, 1952), mas o papel iria para Danny Kaye, um conhecido comediante, capaz de cantar e dançar, mas longe da mestria de Astaire e O’Connor, o que levou ao redesenhar de algumas cenas.

Nas mãos de Michael Curtiz (um realizador subvalorizado como homem do studio system, sem voz criativa própria, mas ligado a algumas das mais importantes obras do cinema americano), “Natal Branco” é tudo o que a Paramount desejava: bem disposto sem ser uma completamente comédia, romântico sem ser um drama, e com canções e números de dança inesquecíveis sem ser exclusivamente um musical.

A trama lida com a parceria entre dois cantores e dançarinos (Bing Crosby e Danny Kaye), que se conhecem durante a guerra, e formam uma dupla de entertainers de enorme sucesso. Quando recebem uma carta de um antigo colega, que lhes pede para verem o espectáculo das suas irmãs Betty e Judy Haynes (Rosemary Clooney e Vera-Ellen), Phil (Kaye) decide que é hora de Bob (Crosby) assentar, enamorando-se de Betty. Uma série de peripécias leva o quarteto para uma pousada no Vermont, onde as irmãs Haynes deveriam fazer espectáculos de Natal. Só que, por falta de neve, a pousada não tem clientes e está à beira da falência. Apercebendo-se de que o dono é o antigo general de Bob e Phil (Dean Jagger), estes resolvem, à revelia daquele, trazer o seu luxuoso espectáculo para a pousada, reunindo o antigo batalhão em homenagem ao seu general. Pelo meio prosseguem as tentativas de unir Bob e Betty, com a cumplicidade de Phil e Judy, que também se apaixonarão no processo.

“Natal Branco” é por isso um filme bem disposto, onde os obstáculos no caminho dos protagonistas nunca chegam a ser nuvens negras. Assente na popular “White Christmas” (é o terceiro de três filmes em que Crosby canta esta famosa canção de Natal, a qual já ganhara o Oscar de melhor Canção Original, no supracitado “15 Dias de Prazer”) de Irving Berlin, o filme apresenta músicas deste célebre compositor, cantadas, quer a solo por Crosby ou Rosemary Clooney ou em duetos, geralmente cómicos, entre Crosby e Kaye, Crosby e Clooney ou Clooney e Vera-Ellen. Na verdade a voz de Vera-Ellen é dobrada, ou pela própria Rosemary Clooney (no dueto “Sisters”) ou por Trudy Stevens (nas restantes canções).

No campo da dança é Vera-Ellen a mais competente e, quando necessita de par à altura, destaca-se a presença de George Chakiris, bailarino que não tem linhas, nem sequer é creditado, mas que mais tarde se destacaria em “Amor Sem Barreiras” (West Side Story, 1961) de Robert Wise.

De canção em canção (algumas delas repetidas várias vezes para ficarem na memória do espectador), pela voz aveludada de Bing Crosby, ou pelo humor de Danny Kaye (que ao que consta provocava a repetição de takes, pois ninguém à sua volta conseguia resistir ao seu humor), somos conduzidos por uma história inocente, que remete para outros tempos, onde tudo parece simples, e todas as intenções são dignas. É afinal esse o espírito de Natal com que a Paramount queria atrair o seu público, o que conseguiu, tornando “Natal Branco” o mais rentável filme de 1954.

O filme de Michael Curtiz estaria na base de um teatro musical, com música de Irving Berlin, e estreado em 2004.

Produção:

Título original: White Christmas; Produção: Paramount Pictures; País: EUA; Ano: 1954; Duração: 120 minutos; Distribuição: Paramount Pictures; Estreia: 14 de Outubro de 1954 (EUA), 29 de Dezembro de 1954 (Portugal).

Equipa técnica:

Realização: Michael Curtiz; Produção: Robert Emmett Dolan; Argumento: Norman Krasna, Norman Panama, Melvin Frank; Música e Letras: Irving Berlin; Direcção Musical e Arranjos Vocais: Joseph J. Lilley; Orquestração: Van Cleave; Música Adicional: Gus Levene [não creditado], Joseph J. Lilley [não creditado], Van Cleave [não creditado]; Coreografia: Robert Alton, Bob Fosse [não creditado]; Fotografia: Loyal Griggs [filmado em VistaVision, cor por Technicolor]; Direcção Artística: Hal Pereira, Roland Anderson; Montagem: Frank Bracht; Efeitos Visuais: John P. Fulton; Cenários: Sam Comer, Grace Gregory; Figurinos: Edith Head; Caracterização: Wally Westmore.

Elenco:

Bing Crosby (Bob Wallace), Danny Kaye (Phil Davis), Rosemary Clooney (Betty Haynes), Vera-Ellen (Judy Haynes), Dean Jagger (Major General Thomas F. Waverly), Mary Wickes (Emma Allen), John Brascia (John), Anne Whitfield (Susan Waverly), Johnny Grant (Ed Harrison) [não creditado], Percy Helton (Revisor do Comboio) [não creditado], Richard Keene (Director do Carousel Club) [não creditado], Herb Vigran (Novello, Gerente do Nightclub) [não creditado].

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