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Arthur ChristmasComo é possível que o Pai Natal entregue milhões de brinquedos numa só noite? Essa pergunta chega repetidas vezes a Arthur (voz de James McAvoy), um dos filhos do Pai Natal (voz de Jim Broadbent), enfiado no correio do Pólo Norte, onde se fascina com a acção do seu pai, e a magia da infância. Só que o Pai Natal está cansado e preguiçoso, numa operação gigantesca gerida pelo seu filho mais velho e sucessor, Steve (voz de Hugh Laurie), envolvendo milhares de elfos altamente treinados e tecnologia evoluidíssima. Mas quando, numa noite de Natal, uma criança é esquecida, e tanto Steve como o Pai Natal vêem isso como uma percentagem aceitável de erro, é Arthur quem percebe que decepcionar uma simples criança arruína tudo o que o Natal significa. Ajudado pelo Avô Natal (voz de Bill Nighy) e uma elfa rebelde (voz de Ashley Jensen), Arthur vai usar um velho trenó e renas já reformadas, para entregar o presente em falta de modo tradicional.

Análise:

A Aardman Productions é uma empresa inglesa que ficou célebre pelos seus filmes de animação stop-motion, em particular para televisão, como no humor imaginativo dos personagens Wallace & Gromit. Na sua abordagem ao grande ecrã, a Aardman tem apostado ora em filmes de stop-motion, ora em filmes de animação computorizada, em co-produção com companhias maiores, como a Dreamworks ou a Sony. É o caso deste “Arthur Christmas”, produzido para a Sony Pictures Entertainment, e onde o design característico da Aardman se aplica a desenhos animados digitalmente, como antes fizera em “Por Água Abaixo” (Flushed Away, 2006) para a Dreamworks.

A ideia da estreante Sarah Smith, e da sua equipa, é fazer uma espécie de re-imaginação pós-moderna do mito do Pai Natal. O mote é dado na carta que constitui as primeiras palavras do filme, e em que uma menina pergunta como é possível o Pai Natal ser o São Nicolau, pois seria já demasiado velho, como cabe nas chaminés, quantos bolos tem que comer, a que velocidade tem que viajar para chegar a todo o lado numa só noite, e como fará para transportar todos os presentes. É precisamente isso que o filme se propõe responder.

Assim, descobrimos, logo nas primeiras imagens, que o trabalho de Pai Natal é deixado de pai para filho através de uma longa dinastia. Existem milhares de elfos a trabalhar na produção, embalamento e entrega dos presentes. O transporte usado é uma enorme nave espacial, camuflada para radares e olho humano, que cobre cidades inteiras de cada vez. E nada é deixado ao acaso na preservação do mito, com os elfos a simularem que o leite é bebido, as bolachinhas comidas, e até as cenouras das renas são mordidas.

Todo este enorme aparato é gerido com alta tecnologia a partir do Pólo Norte, onde Steve (o filho e sucessor do Pai Natal, com voz de Hugh Laurie) actua como chefe de operações. A acção e engenho envolvidos em cada detalhe fazem-nos pensar que estamos num filme das séries Matrix ou Missão Impossível, com elfos super-treinados e incrivelmente ágeis, como forças de elite de um exército (nos movimentos e linguagem) na missão de entregar todos os presentes, sem serem descobertos. Tudo isso torna o Pai Natal (Jim Broadbent) bastante preguiçoso, pois já pouco tem de fazer, numa operação gerida com a precisão de um relógio suíço.

Só que, na noite em questão, após o encerramento da missão, Arthur (James McAvoy), o segundo filho do Pai Natal, descobre que um presente ficou por entregar. Com Steve apenas preocupado em números (um em milhões não representa nada) e o Pai Natal demasiado preguiçoso para tomar iniciativas, são apenas Arthur, o reformado Avô Natal (Bill Nighy) e a pequena elfa Bryony (Ashley Jensen), que desobedecem às ordens, e vão entregar o presente em falta à maneira antiga, num velho trenó de renas.

O filme torna-se então uma aventura pelos céus e várias cidades, com o inusitado trio a tentar superar barreiras e renovar uma tradição de um tempo em que eram as emoções e não a tecnologia que contavam.

Se bem que a mensagem principal do filme seja um apelo aos sentimentos, e às antigas tradições, cada vez mais ofuscadas pela tecnologia, “Arthur Christmas” acaba por se contradizer nesse propósito. De facto, na cada vez mais presente necessidade que os filmes infantis parecem ter de racionalizar os mitos e explicar cientificamente a magia, o filme torna-se quase ficção científica, substituindo a pura magia do inexplicável com justificações demasiado modernas, frias e (porque não?) desnecessárias.

Vale a beleza da animação, o espírito de aventura e a força do personagem de Arthur para tornarem “Arthur Christmas” uma corrida excitante, com um enorme desenrolar de peripécias. A isto alia-se o excelente sentido de humor do argumento, e dos actores (Bill Nighy sendo o melhor exemplo), tornando este um filme que talvez agrade mais a adultos que a miúdos.

Produção:

Título original: Arthur Christmas; Produção: Aardman Animations / Sony Pictures Animation; Produtores Executivos: Peter Lord, Carla Shelley, David Sproxton; Co-Produtor Executivo: Peter Baynham; País: Reino Unido / EUA; Ano: 2011; Duração: 97 minutos; Distribuição: Sony Pictures Entertainment, Columbia Pictures (EUA); Estreia: 11 de Novembro de 2011 (Reino Unido), 24 de Novembro de 2011 (Portugal).

Equipa técnica:

Realização: Sarah Smith, Barry Cook; Produção: Peter Lord, David Sproxton, Carla Shelley, Steve Pegram; Co-Produção: Chris Juen; Argumento: Peter Baynham, Sarah Smith; Música: Harry Gregson-Williams; Fotografia: Jericca Cleland; Montagem: James Cooper, John Carnochan; Design de Produção: Evgeni Tomov; Efeitos Visuais: Doug Ikeler; Direcção de Animação: Alan Short; Design de Personagens: Peter De Sève, Tim Watts; Direcção Artística: Olivier Adam, Alexei Nechytaylo; Directora de Produção: Kirstie Deane;

Elenco:

James McAvoy (Arthur), Hugh Laurie (Steve), Bill Nighy (Avô Natal), Jim Broadbent (Pai Natal), Imelda Staunton (Mãe Natal), Ashley Jensen (Bryony), Marc Wootton (Peter), Laura Linney (Computador do Pólo Norte), Eva Longoria (Chefe De Silva), Ramona Marquez (Gwen), Michael Palin (Ernie Clicker).
Elfos:
Sanjeev Bhaskar, Robbie Coltrane, Joan Cusack, Rhys Darby, Jane Horrocks, Iain McKee, Andy Serkis, Dominic West.

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