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Miyamoto MusashiSinopse:

No ano de 1600, Takezo (Toshiro Mifune) e Matahachi (Rentarō Mikuni) são dois amigos que sonham com as glórias dos samurais. O primeiro, sem família, está decidido a juntar-se à guerra, mas o segundo tem família e a noiva Otsu (Kaoru Yachigusa) a prendê-lo à aldeia. Ainda assim Matahachi segue Takezo, e os dois lutam até serem feridos. Em busca de abrigo encontram a casa de Oko (Mitsuko Mito) e da sua filha Akemi (Mariko Okada). Depois de os dois amigos as salvarem dos bandidos, Oko tenta seduzir Takezo, mas perante a sua rejeição seduz Matahachi, que assim esquece a sua noiva. Takezo regressa à aldeia para avisar Otsu, mas corre o boato de que se tornou um bandido e matou o amigo, pelo que Takezo é capturado. Apenas Otsu compreende que ele diz a verdade e ajuda-o a fugir. É então que o monge Takuan (Kuroemon Onoe) intervém, aconselhando Otsu a esperar, e Takezo a libertar-se do seu carácter agressivo, para aprender a ser um verdadeiro samurai.

Análise:

Um dos maiores épicos do cinema japonês do século XX é a trilogia “Samurai” de Hiroshi Inagaki, de que “Musashi Miyamoto” é a primeira parte. Inagaki, um antigo actor de teatro e de cinema, que se tornara realizador em 1928, especializara-se em filmes de samurais, os chamados jidai-geki. Com obras de menor fôlego no início da carreira, é com a passagem pelos estúdios Daiei e Toho que as suas obras ganham grandiosidade.

Adaptado da peça de Hideji Hōjō, adaptada do livro “Musashi” de Eiji Yoshikawa, a trilogia de Inagaki é uma biografia do célebre espadachim japonês Musashi Miyamoto, que viveu no início do século XVII, e cuja vida se tornou lendária. A acção decorre por isso na altura em que Tokugawa Ieyasu (1543-1616) consolidava o poder do seu xogunato, após a vitória de Sekigahara (1600), na qual Musashi Miyamoto lutou, e com a qual a saga se inicia.

Neste primeiro tomo, Musashi é ainda conhecido como Takezo (Toshiro Mifune), um aldeão rebelde, sem famíia próxima, e com sonhos de glória em batalha. Vai por isso lutar, com o seu amigo Matahachi (Rentarō Mikuni), o qual pede à noiva Otsu (Kaoru Yachigusa) que espere por si. Só que a guerra corre mal ao lado dos dois amigos, e estes batem em retirada, feridos. São recolhidos por Oko (Mitsuko Mito) e a sua filha Akemi (Mariko Okada), que os ajudam a restabelecer-se. Em troca os amigos salva-las-ão de bandidos, mas perante os avanços de Oko, Takezo deixa-os, enquanto Matahachi acede em casar com Oko e seguir com ela e a filha para Quioto.

Takezo abre caminho com a espada e chega à sua aldeia, onde é recebido como um bandido, acusado de ter matado Matahachi. Com a cabeça a prémio, ele informa Otsu e Osugi, a mãe de Matahachi, de que este está vivo, mas não voltará. Depois de fugir, Takezo é capturado com intervenção do monge Takuan (Kuroemon Onoe), mas Otsu, acreditando nele, solta-o, fugindo com ele. Takezo e Otsu apaixonam-se, mas na fuga acabam separados. Nova intervenção de Takuan coloca Otsu em espera, e Takezo a reformar a sua índole agressiva, para treinar para ser um verdadeiro samurai. Por fim Takezo, agora já chamado Musashi Miyamoto, parte para completar o seu treino, assegurando a Otsu que um dia voltará.

Filmado a cores, “Samurai I: Musashi Miyamoto” é um filme fascinante, que nos dá a conhecer a evolução daquele que se tornará um herói lendário. E quem melhor que outra lenda, Toshiro Mifune, para o interpretar? No seu jeito imprevisível, gestos intempestivos, interpretação apaixonada, Toshiro Mifune convence-nos de que ele é Musashi Miyamoto, fazendo-nos viver os seus sonhos, os seus dramas e as suas difíceis decisões.

Mesmo sem sequências monumentais, ou a eloquência dramática de Akira Kurosawa, Hiroshi Inagaki consegue um épico pelo equilíbrio entre acção, narrativa e profundidade do seu protagonista. O modo como assistimos à evolução de Takezo (desde jovem rebelde, até ser um intempestivo soldado, para o vermos apaixonar-se, revoltar-se, e por fim aceitar uma auto-aprendizagem e disciplina) confere ao filme um aspecto de longa caminhada.

Mas nem só de Toshiro Mifune vive este primeiro episódio da trilogia, e o filme tem como outro ponto forte a riqueza de personagens, da doce e amargurada Otsu ao sonhador, mas cobarde, Matahachi, passando pela vingativa Osugi e pela manipuladora Oko.

Depois há, claro, muito da filosofia budista na aprendizagem de Takezo, como explicitado pelo monge Takuan. É ele quem tenta ensinar Takezo que há muito para além do que a vista dele alcança no mais imediato, e assim lhe permite encontrar uma outra auto-disciplina numa viagem que é também espiritual. Mas Inagaki consegue ao mesmo tempo uma obra de claro apego à tradição e filosofia do seu país, e que esteticamente se relaciona com os westerns americanos.

Não admira por isso que “Samurai I: Musashi Miyamoto” tenha sido bem recebido nos Estados Unidos, tenho inclusivamente recebido um Oscar honorário para filmes estrangeiros.

Inagaki continuaria a trilogia com “Samurai II: Duel at Ichijoji Temple” (Zoku Miyamoto Musashi: Ichijôji no kettô, 1955) e “Samurai III: Duel at Ganryu Island” (Miyamoto Musashi kanketsuhen: kettô Ganryûjima, 1956), todos protagonizados por Toshiro Mifune.

Produção:

Título original: Miyamoto Musashi; Produção: Toho Company; País: Japão; Ano: 1954; Duração: 94 minutos; Distribuição: Toho Company; Estreia: 26 de Setembro de 1954 (Japão).

Equipa técnica:

Realização: Hiroshi Inagaki; Produção: Kazuo Takimura; Argumento: Tokuhei Wakao, Hiroshi Inagaki [a partir da peça de Hideji Hōjō, adaptada do livro “Musashi” de Eiji Yoshikawa]; Fotografia: Jun Yasumoto [cor por Eastmancolor]; Montagem: Eiji Ooi [como Hideshi Ohi]; Direcção Artística: Makoto Sono, Kisaku Ito; Música: Ikuma Dan; Direcção de Produção: Hidehisa Kuda; Efeitos Especiais: Eiji Tsuburaya [não creditado].

Elenco:

Toshiro Mifune (Musashi Miyamoto, Takezo), Rentarō Mikuni (Honiden Matahachi), Kuroemon Onoe (Monge Takuan), Kaoru Yachigusa (Otsu), Mariko Okada (Akemi), Mitsuko Mito (Oko, Mulher de Matahachi), Eiko Miyoshi (Osugi, Mãe de Matahachi), Akihiko Hirata (Seijuro Yoshioka), Kusuo Abe (Temma Tsujikaze), Eitarō Ozawa [como Sakae Ozawa] (Terumasa Ikeda), Akira Tani (Kawarano-Gonroku), Seijirô Onda (Oficial Chefe), Fumindo Matsuo (Oficial Subalterno), Masanobu Ôkubo (Oficial Subalterno).

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