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Let's Make LoveSinopse:

Jean-Marc Clement (Yves Montand) é um poderoso milionário, e reputado playboy, que é informado pelo seu agente de imprensa (Tony Randall), que um pequeno teatro o vai incluir como personagem de uma sátira. Intrigado, Clement vai assistir a um ensaio, e é confundido com aqueles que estão para as audições, sendo imediatamente contratado para fazer de si próprio. Ao deixar-se fascinar pela protagonista, Amanda Dell (Marilyn Monroe), Clement assume uma falsa identidade e deixa-se ficar pelo teatro. Só que, quanto mais tenta conquistar Amanda, mais percebe que ela despreza tudo o que Clement significa, e pela primeira vez tenta ser mais que aquilo que o seu dinheiro lhe compra

Análise:

Depois do estrondoso sucesso de “Quanto Mais Quente Melhor” (Some Like It Hot, 1959) de Billy Wilder, a Fox, com quem Marilyn Monroe tinha novo contrato decidiu que as comédias voltavam a ter prioridade, deixando de lado o projecto “The Misfits”, escrito por Arthur Miller, o marido da actriz, e que resultaria no seu filme seguinte. O resultado foi a comédia musical, escrita por Norman Krasna (e diz-se que muito modificada por Miller, para aumentar o papel da esposa) “Vamo-nos Amar”.

O filme começou por trazer um problema de casting. Fosse por não acreditarem no projecto, por não quererem trabalhar com Marilyn, ou simplesmente por problemas de agenda, foram considerados sucessivamente actores como Cary Grant, Gregory Peck, Charlton Heston, Rock Hudson, James Stewart e Yul Brynner. Todos recusariam o papel do protagonista masculino, que viria a ser entregue (por pressão da própria Marilyn) ao francês Yves Montand.

Para realizar o filme, o escolhido foi George Cukor, um dos mais famosos realizadores de musicais da era dourada de Hollywood, e reconhecido como um realizador de mulheres, pelas estrelas femininas a quem trouxe um maior brilho. Mas com “Vamo-nos Amar”, Cukor traz-nos um filme um abaixo dos seus melhores.

Tal como vinha acontecendo com Marilyn Monroe, a sua relação com o realizador esteve longe de ser a melhor. A actriz acabou por se aproximar a Yves Montand (o qual se sentia um outsider, pois inicialmente não falava inglês), com quem terá tido uma breve relação, não obstante serem ambos casados com outras pessoas (ele com a actriz francesa Simone Signoret).

A história gira em torno de um equívoco, que faz o multi-milionário Jean-Marc Clement (Yves Montand) passar por um actor que pretende desempenhar o papel do próprio Clement numa comédia musical. Clement alinha no equívoco pois isso permite-lhe passar mais tempo junto de outra actriz, Amanda (Marilyn Monroe), que parece resistir a tudo o que o milionário significa. Quanto mais Clement tenta conquistar Amanda, mais percebe que as suas técnicas de playboy rico não funcionam com ela, e mais tenta ser uma pessoa diferente do que sempre foi. Tenta por isso impressioná-la com o seu inexistente talento artístico, contratando Milton Berle, Bing Crosby e Gene Kelly (todos aparecendo em cameos onde se interpretam a si próprios) para o ensinarem a ser cómico, cantar e dançar, respectivamente.

A história torna-se então um jogo entre o poder do dinheiro de Clement, e a sinceridade bondosa de Amanda, que coloca o seu favoritismo noutro actor, Tony Danton (Frankie Vaughan), até se ir deixando apaixonar por Clement.

O filme proporciona algumas situações cómicas, mas a falta de química entre Montand e Marilyn é por demais evidente, mesmo com esta a ter uma das suas interpretações mais naturais e bem conseguidas. Montand está demasiado preso à sua luta para ser entendido em inglês, e Cukor raramente consegue do filme uma cena que esteja ao nível dos seus melhores musicais, excepção feita à entrada de Marilyn Monroe que canta a canção de Cole Porter “My Heart Belongs to Daddy”. Mesmo Milton Berle surge de um modo exagerado, num filme onde os secundários Tony Randall e Wilfrid Hyde-White acabam por ter os melhores personagens.

Apesar das suas deficiências, “Vamo-nos Amar” foi um sucesso moderado, no entanto muito abaixo de “Quanto Mais Quente Melhor”, não trazendo nada de novo às carreiras quer de Monroe, quer de Cukor.

Produção:

Título original: Let’s Make Love; Produção: Twentieth Century Fox / The Company of Artists; País: EUA; Ano: 1960; Duração: 113 minutos; Distribuição: Twentieth Century Fox Film Corporation; Estreia: 8 de Setembro de 1960 (EUA), 12 de Dezembro de 1960 (Portugal).

Equipa técnica:

Realização: George Cukor; Produção: Jerry Wald; Argumento: Norman Krasna, Hal Kanter, Arthur Miller [não creditado]; Música: Lionel Newman, Cole Porter, Herbert W. Spencer [não creditado]; Coreografia: Jack Cole; Fotografia: Daniel L. Fapp [filmado em Cinemascope, cor por DeLuxe]; Direcção Artística: Lyle R. Wheeler, Gene Allen; Cenários: Walter M. Scott, Fred M. MacLean; Montagem: David Bretherton; Figurinos: Dorothy Jeakins; Caracterização: Ben Nye, Allan Snyder [não creditado].

Elenco:

Marilyn Monroe (Amanda Dell), Yves Montand (Jean-Marc Clement), Tony Randall (Alexander Coffman), Frankie Vaughan (Tony Danton), Wilfrid Hyde-White (George Welch), David Burns (Oliver Burton), Michael David (Dave Kerry), Mara Lynn (Lily Nyles), Dennis King Jr. (Abe Miller), Joe Besser (Charlie Lamont), Milton Berle (O Próprio) [não creditado].

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