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Some Like It HotSinopse:

Joe (Tony Curtis) e Jerry (Jack Lemmon) são dois músicos que ficam sem emprego quando o speakeasy em que trabalham sofre uma rusga. Como se não bastasse testemunham, sem querer, o ajuste de contas entre o dono do speakeasy, Spats Colombo (George Raft) e um delator. São por isso procurados, tendo de fugir rapidamente. Para tal conseguem emprego numa banda de mulheres, tendo de se travestir para conseguir lugar. O pior é quando se tornam imediatamente amigos de uma das músicas, a voluptuosa Sugar Cane (Marilyn Monroe).

Análise:

Depois da parceria entre Billy Wilder e Marilyn Monroe em “O Pecado Mora ao Lado” (The Seven Year Itch, 1955), o realizador jurou nunca mais voltar a trabalhar com a actriz. Mas quando, ao se preparar para rodar “Quanto Mais Quente Melhor”, Wilder soube que Marilyn estava livre, foi o primeiro a tentar recrutá-la para o filme. Apesar das dificuldades nas filmagens, Wilder sabia que a imagem de Marilyn Monroe, a sua graça e magnetismo naturais, não eram de menosprezar.

Assim, pela segunda vez, o grande realizador voltou a contar com a presença da icónica actriz, para uma das mais divertidas comédias de sempre de Hollywood. Com ela contracenavam Tony Curtis e Jack Lemmon, em papéis para os quais chegaram a ser considerados actores como Frank Sinatra e Jerry Lewis.

Para além de ser uma comédia tantas vezes citada, “Quanto Mais Quente Melhor”, com argumento adaptado de uma velha história alemã, “Fanfares of Love”, é ainda um dos mais famosos filmes de Hollywood em que os protagonistas têm de passar parte do tempo travestidos. Tudo acontece quase involuntariamente, quando os personagens de Curtis e Lemmon são forçados a juntarem-se a uma banda de raparigas para fugir de Chicago, onde gangsters os procuram por terem testemunhado um crime. Só que a partir de então os dois vão ter a sua capacidade de disfarce ameaçada quando a intimidade com Sugar (Marilyn Monroe) lhes põe o auto-controlo à prova. Para aumentar a confusão, Joe (Tony Curtis) decide tomar um duplo papel surgindo como um falso milionário que tenta seduzir Sugar (inspirando-se em Cary Grant, para a imitação). Enquanto isso Jerry (Jack Lemmon) tem que se defender dos avanços de um velho milionário (Joe E. Brown) que o julga uma mulher. As situações de confusão e comicidade sucede-se, com o argumento a deixar-se levar pelos caminhos mais improváveis.

Segundo reza a lenda, Curtis e Lemmon chegaram a passear vestidos de mulher pelos estúdios da MGM sem serem reconhecidos, embora as lições para os ensinar a caminhar de saltos altos não tenham resultado. Mas se do lado masculino o filme foi um puro divertimento, o mesmo não se passou pelo lado de Marilyn. A braços com novos problemas pessoais, e no momento grávida, Marilyn esquecia-se constantemente das suas linhas, pelo que Wilder tinha que as colar por todo o cenário. A relação da actriz com o resto do elenco e equipa foi sempre difícil, tendo mais tarde surgindo a piada de Tony Curtis “Beijar Marilyn é como beijar Hitler”, ele que fora amante dela nos anos 40. Na verdade são os elementos masculinos quem brilha no filme de Billy Wilder, não esquecendo a brilhante interpretação do secundário Joe E. Brown.

Incidentes à parte (a que se juntaram censuras do Vaticano e do Kansas, onde o filme foi banido), “Quanto Mais Quente Melhor” foi um sucesso imediato, nunca mais tendo deixado os lugares cimeiros das listas de comédias.

Momentos inesquecíveis são, a primeira aparição de Curtis e Lemmon travestidos, Marilyn a dormir com Lemmon sem saber que é um homem, o tango de Lemmon e Joe E. Brown, e claro o final desconcertante (com a última réplica censurada em Portugal). O filme é cheio de momentos de ambiguidade e provocação sexual, mal recebida nalguns países, mas prova da irreverência e inteligência de Billy Wilder.

“Quanto Mais Quente Melhor” receberia um Oscar para melhor Guarda-roupa, e várias outras nomeações, incluindo a de Melhor Actor (Jack Lemmon), Melhor Realizador e Melhor Argumento.

Em 1972 “Quanto Mais Quente Melhor” viria a ser adaptado a um musical da Broadway, intitulado “Sugar”.

Produção:

Título original: Some Like It Hot; Produção: Ashton Productions, Inc. / The Mirisch Corporation; País: EUA; Ano: 1959; Duração: 116 minutos; Distribuição: Metro Goldwyn Mayer (MGM); Estreia: 29 de Março de 1959 (EUA), 13 de Outubro de 1960 (Portugal).

Equipa técnica:

Realização: Billy Wilder; Produção: Billy Wilder; Produtores Associados: Doane Harrison, I.A.L. Diamond; Argumento: Billy Wilder, I.A.L. Diamond [sugerido por uma história de Robert Thoeren e Michael Logan]; Fotografia: Charles Lang [preto e branco]; Figurinos: Orry-Kelly; Música: Adolph Deutsch; Direcção Artística: Ted Haworth; Cenários: Edward G. Boyle; Efeitos Especiais: Milt Rice, Daniel Hays [não creditado]; Montagem: Arthur P. Schmidt; Caracterização: Emile LaVigne, Allan Snyder [não creditado]; Director de Produção: Allen K. Wood; Guarda-roupa: Bert Henrikson.

Elenco:

Marilyn Monroe (Sugar Kane Kowalczyk), Tony Curtis (Joe), Jack Lemmon (Jerry), George Raft (Spats Colombo), Pat O’Brien (Detective Mulligan), Joe E. Brown (Osgood Fielding III), Nehemiah Persoff (Pequeno Bonaparte), Joan Shawlee (Sweet Sue), Billy Gray (Sig Poliakoff), George E. Stone (Charlie Palito), Dave Barry (Beinstock), Mike Mazurki (Guarda-costas de Spats), Harry Wilson (Guarda-costas de Spats), Beverly Wills Dolores), Barbara Drew (Nellie), Edward G. Robinson Jr. (Johnny Paradise).

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