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The Prince and the ShowgirlSinopse:

Quando os representantes de um pequeno estado monárquico dos Balcãs vêm a Inglaterra para assistir à coração do rei George V, todo o cuidado é pouco para garantir que não haja incidentes diplomáticos. O embaixador Northbrook (Richard Wattis) é encarregue de zelar para que nada falte ao Grão-duque e Príncipe Regente do pequeno reino (Laurence Olivier), bem como ao seu filho rei Nicolas (Jeremy Spenser), ou à sua sogra e rainha-mãe (Sybil Thorndike). Só que o que o principal pedido do Regente é que lhe tragam uma actriz de teatro de cabaret, Elsie (Marilyn Monroe), com quem quer passar a noite. Pouco convencida pelo Regente, Elsie vai manobrá-lo, acabando por se apaixonar por ele.

Análise:

Em 1957 Marilyn Monroe levava já dois anos de estudo no Actors Studio, e isso é bem evidente no seu filme seguinte, “O Príncipe e a Corista”, o segundo filme de Marilyn Monroe que contou com produção da sua própria companhia.

Num projecto para a Warner Bros. Marilyn foi levada a filmar em Inglaterra, com o realizador e lenda do teatro inglês, Laurence Olivier. O resultado foi a adaptação da peça de teatro “The Sleeping Prince”, que o próprio Olivier protagonizara nos palcos, ao lado da sua esposa Viven Leigh. Leigh chegou a ser considerada para o filme, mas as Warner decidiiu que era necessária uma actriz mais jovem, e Marilyn foi a escolhida.

Muito se tem falado da relação tensa entre Laurence Olivier e Marilyn Monroe. Ele, por natureza actor de teatro, imprimia aos seus filmes um estilo próprio do palco, com longas sequências em espaços limitados, com a emoção a crescer da interpretação fluida dos actores (que tinham que cumprir marcações de palco), e não tanto de sucessões de montagens de cenas e planos. Já Marilyn, sem experiência de palco e pouco habituada a memorizar longas cenas, precisava de muitas takes para finalmente chegar ao ponto pretendido, falhando constantemente marcações, e nunca dispensando os conselhos de Paula Strasberg (a sua professora no Actors Studio), que valorizava acima dos do realizador. O choque entre os dois foi tremendo, levando inclusivamente a que se tenha criado o mito de que por isso Laurence Olivier levaria dez anos até voltar à cadeira da realização. Em abono de Marilyn pode dizer-se que a actriz passou por uma fase conturbada da sua vida, com algumas doenças, e sofrendo até um aborto espontâneo durante o período das filmagens.

A história tratava de uma representação do reino fictício da Carpátia, em particular do Príncipe Regente (Laurence Olivier), que consegue que lhe tragam aos seus aposentos a actriz Elsie (Marilyn Monroe) que ele pretende conquistar nessa noite. Só que Elsie, longe de ser ingénua percebe o que a espera e vai trocando as voltas ao Regente, que fica cada vez mais irritado e intrigado com ela. O filme é um escalar de tensões na relação entre os personagens de Olivier e Monroe, que se vão sentindo mais atraídos um pelo outro à medida que mais se confrontam e irritam.

A tónica é o humor, que advém do personagem de Olivier, arrogante, prepotente, pedante, e que, nas suas palavras, odeia que o deixem desconcertado. Pelo seu lado, Marilyn, com a sua habitual simpatia, alguma sagacidade, e muita espontaneidade, vai quebrando regras e protocolos.

Sob o ritmo implacável de Laurence Olivier, os dois protagonistas conseguem interpretações excelentes, e de certo modo surpreendentes, ele fora dos seus papéis habituais, aqui caricaturando-se com imenso humor, ela com uma subtileza que não tinha ainda exibido antes. Destaque ainda para Richard Wattis, no atrapalhado diplomata que tenta unir as partes desavindas, num filme de época com um bonito design de produção, mas que se perde um pouco no objectivo, não tendo uma conclusão que agrade ao público.

Tal terá sido razão principal do relativo insucesso do filme, que ainda assim deu lucro. Embora com críticas díspares, “O Príncipe e a Corista” foi nomeado para cinco prémios BAFTA: Melhor Filme, Melhor Argumento, Melhor Filme Britânico, Melhor Actor Britânico (Laurence Olivier) e Melhor Actriz Estrangeira (Marilyn Monroe).

A produção de “O Príncipe e a Corista” viria a ser a base do filme “A Minha Semana Com Marilyn” (My Week with Marilyn, 2011) de Simon Curtis.

Produção:

Título original: The Prince and the Showgirl; Produção: Warner Bros. / Marilyn Monroe Productions; Produtores Executivos: Hugh Perceval, Milton H. Greene, Marilyn Monroe [não creditada]; País: Reino Unido / EUA; Ano: 1957; Duração: 112 minutos; Distribuição: Warner Bros.; Estreia: 13 de Junho de 1957 (EUA), 15 de Outubro de 1957 (Portugal).

Equipa técnica:

Realização: Laurence Olivier; Produção: Laurence Olivier; Argumento: Terence Rattigan [a partir da sua própria peça “The Sleeping Prince”]; Fotografia: Jack Cardiff [cor por Technicolor]; Música: Richard Addinsell; Direcção de Orquestra: Muir Mathieson; Orquestração: Douglas Gamley [não creditado]; Coreografia: William Chappell; Realizador Associado: Anthony Bushell; Design de Produção: Roger K. Furse; Direcção Artística: Carmen Dillon; Figurinos: Beatrice Dawson; Direcção de Produção: Edward Joseph; Montagem: Jack Harris; Cenários: Dario Simoni; Caracterização: Tony Sforzini; Efeitos Especiais: Bill Warrington, Charles Staffell.

Elenco:

Marilyn Monroe (Elsie Marina), Laurence Olivier (Charles, O Regente), Sybil Thorndike (A Rainha-mãe), Richard Wattis (Northbrook), Jeremy Spenser (Rei Nicolas), David Horne (Ministro de Negócios Estrangeiros), Harold Goodwin (Rapaz), Gladys Henson (Costureira), Jean Kent (Maisie Springfield), Charles Victor (Gerente do Teatro), Daphne Anderson (Fanny), Vera Day (Betty), Gillian Owen (Maggie), Esmond Knight (Coronel Hoffman), Paul Hardwick (Camareiro).

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