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Bus StopSinopse:

Beauregard Decker (Don Murray) é um extrovertido e ingénuo cowboy, que sai pela primeira vez do seu rancho em Montana, para ir a Phoenix com o seu amigo Virgil (Arthur O’Connell) competir no rodeo local. Ao chegar, Beau enamora-se da cantora de saloon, Chérie (Marilyn Monroe), com a qual decide imediatamente casar. Mesmo que Chérie não tenha a mesma intenção e que Virgil o advirta para o facto de que ela não é uma mulher do tipo que se esperaria para esposa, Beau é surdo a tudo e todos. Na sua teimosia arrasta Chérie atrás de si, praticamente raptando-a de volta a Montana, sem que esta perceba o que está a acontecer.

Análise:

Após o sucesso da comédia “O Pecado Mora ao Lado” (The Seven Year Itch, 1955), de Billy Wilder, muito mudou na vida de Marilyn Monroe no ano que se seguiu. A actriz separou-se de Joe Dimaggio e mais tarde começou a sair com o escritor Arthur Miller, aproveitou para se distanciar de Hollywood, tendo ingressado no Actor’s Studio, onde teve aulas com o seu director, Lee Strasberg. Finalmente, Marilyn criou a sua própria produtora, a Marilyn Monroe Productions.

O primeiro filme a sair da sua produtora foi “Paragem de Autocarro”, onde Marilyn, agora já uma estrela que podia ditar à Fox que papéis queria para si, deixava de lado as comédias e as figuras de loura burra, para se dedicar a um drama.

Contracenando com Don Murray, numa história adaptada de uma peça de teatro de William Inge, Marilyn, dirigida por Joshua Logan, interpretava uma frágil, mas inocente cantora de saloon Chérie, que buscava uma vida em que fosse respeitada, mas que não conseguia fugir à vida nocturna de má reputação e desrespeito da parte do género masculino. A pedrada no charco dá-se com a chegada de Beauregard Decker (Don Murray), um ingénuo cowboy que nunca esteve numa cidade, e que está habituado a conseguir tudo o que quer à força do laço ou dos seus braços.

Beau é uma força da natureza, exuberante, altético, mas ingénuo quanto a relações humanas. Nessa ingenuidade, ou pureza de olhar, vê apenas beleza, onde os outros homens vêem uma cantora que exibe o corpo por dinheiro. Por isso Beau apaixona-se antes mesmo que perceba o que é a paixão. E por isso mesmo ele não compreende que Chérie não sinta o mesmo, assumindo imediatamente que estão prontos a casar. Tal mal entendido, ou teimosia de Beau, leva-o a fazer aquilo que melhor sabe, tomar o que quer à força, levando Chérie contra vontade no autocarro de regresso. Os pontos que marcara pelo respeito mostrado no momento em que conhecera Chérie perdem-se assim, quando Beau se comporta com prepotência, levando a um confronto de vontades difícil de ultrapassar.

Embora seja um drama, o filme de Joshua Logan não deixa de ter imensos momentos de humor, muito devido às personalidades de Beau e Chérie, um par de inadaptados num mundo cínico que não os compreende. Chérie vê em Beau alguém que a pode respeitar como nunca antes foi. Já ele vê nela um anjo, sem maldade. Em termos de conhecimento do mundo, e de feridas deixadas por ele, os dois personagens carregam a mesma diferença que ostentam em termos de relações anteriores. Como diz Virgil (Arthur O’Connell), a consciência de Beau, ela teve demais, ele de menos, pelo que se equilibram. É com essa lógica, também ela ingénua, que se resolve o impasse, e Chérie admite que afinal ama Beau, ao mesmo tempo que este aprende que nem tudo na vida se conquista à força de braços.

Mesmo que o filme esteja hoje muito datado, é ainda assim uma história comovente, trazida à vida graças às interpretações dos dois protagonistas. Don Murray estreava-se mesmo no cinema, conseguindo uma interpretação exuberante, cheia, e a sempre activa, que lhe valeria diversas menções honrosas, incluindo uma nomeação para os Oscars e um BAFTA para jovem promessa. Marilyn Monroe (que aqui canta a canção “That Old Black Magic” de Harold Arlen e Johnny Mercer), já com a escola do Actor’s Studio, tenta arrancar uma interpretação que a destaque. É certo que a sua personagem, demasiado idiossincrática, e um pouco caricaturável (com um timbre de voz e pronúncia muito característicos, por culpa da personagem), nem sempre é completamente credível. De facto, Marilyn expressa-se melhor num olhar, num silêncio, ou num movimento físico, que propriamente pelo seu texto, conseguindo comover pela fragilidade e intenções que aparenta. A actriz receberia por esta interpretação o Globo de Ouro para Melhor Actriz numa Comédia ou Musical.

Num ambiente que lembra o Western, Joshua Logan faz uso da paisagem americana para filmar os exteriores (Idaho e Arizona), mas é nos interiores que o seu filme ganha força, e respeitando a origem teatral do argumento, é nas longas sequências de interiores (salloon e bar de Grace na paragem de autocarro) que Logan constrói os melhores e mais arrebatadores momentos do filme.

O filme, que ganhou o Globo de Ouro para Melhor Filme de Comédia ou Musical, inspiraria uma série de televisão do mesmo nome em 1961.

Produção:

Título original: Bus Stop; Produção: Twentieth Century Fox Film Corporation / Marilyn Monroe Productions [não creditada]; País: EUA; Ano: 1956; Duração: 94 minutos; Distribuição: Twentieth Century Fox Film Corporation; Estreia: 31 de Agosto de 1956 (EUA), 17 de Janeiro de 1957 (Portugal).

Equipa técnica:

Realização: Joshua Logan; Produção: Buddy Adler; Argumento: George Axelrod [baseado nas peças “People in the Wind” e “Bus Stop” de William Inge]; Música: Alfred Newman, Cyril J. Mockridge; Milton R. Krasner [filmado em CinemaScope, cor por DeLuxe]; Direcção Artística: Lyle R. Wheeler, Mark-Lee Kirk; Cenários: Walter M. Scott, Paul S. Fox; Efeitos Especiais: Ray Kellogg; Montagem: William Reynolds; Guarda-roupa: Charles Le Maire; Figurinos: Travilla; Orquestração: Edward B. Powell, Maurice De Packh [não creditado], Bernard Mayers [não creditado]; Caracterização: Ben Nye, Allan Snyder [não creditado].

Elenco:

Marilyn Monroe (Chérie), Don Murray (Beauregard Decker), Arthur O’Connell (Virgil Blessing), Betty Field (Grace), Eileen Heckart (Vera), Robert Bray (Carl), Hope Lange (Elma Duckworth), Hans Conried (Fotógrafo da Revista Life), Max Showalter [como Casey Adams] (Repórter da Revista Life).

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