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How To Marry a MillionaireSinopse:

Três belas modelos de Nova Iorque, Shatze (Lauren Bacall), Pola (Marilyn Monroe) e Loco (Betty Grable), unem esforços para alugar um apartamento caro, com um objectivo simples: caçar um marido milionário. Sob a orientação de Shatze, a única divorciada do grupo, as três mulheres dedicam-se a cultivar a sua imagem, e aparecer nos lugares frequentados por solteirões elegíveis, de preferência multimilionários. Só que nem sempre é fácil encontrar um que seja verdadeiramente rico, e solteiro, sobretudo quando o coração as faz olhar na direcção daqueles que pouco têm a oferecer financeiramente.

Análise:

No final de 1953 a Fox começou a usar o novo formato CinemaScope. Exemplo é o bíblico “A Túnica” (The Robe, 1953) de Henry Koster, filmado depois, mas estreado antes deste “Como se Conquista um Milionário”, o primeiro filme filmado pela Fox neste formato. O filme, uma comédia, é precedido por uma interpretação musical de 6 minutos, na qual se vê, em plano alargado, a enorme orquestra da Fox, conduzida por Alfred Newman, interpretando o seu tema “Street Scene”. Tal expediente que servia para melhor demonstrar, nas salas de cinema, o novo som estereofónico que acompanhava o CinemaScope.

Surgido no seguimento do sucesso de “Os Homens Preferem as Loiras” (Gentlemen Prefer Blondes) do mesmo ano, o filme de Jean Negulesco (um antigo pintor que começou a trabalhar no cinema nos anos 1930, e que receberia um BAFTA com este filme) segue algumas das mesmas ideias. Assim, a ênfase continua em mulheres que usam a sua beleza para conquistar maridos ricos. Como acontecia com o filme anterior, Marilyn Monroe fazia parte do elenco, aqui, curiosamente, ao lado de Betty Grable, da actriz que ela substituiu em “Os Homens Preferem as Loiras”. Com elas, talvez para dar uma maior credibilidade em termos de interpretações, estava Lauren Bacall, então com 29 anos, mas já uma veterana no cinema se comparada com Marilyn Monroe.

A história é simples e mostra-nos três mulheres Shatze (Lauren Bacall), Pola (Marilyn Monroe) e Loco (Betty Grabe), devotadas em conquistar um milionário. Para tal empenham todo o seu dinheiro (vendendo até o que não é seu), para manterem um apartamento em Manhattan e vestuário que as faça passar por mulheres de alguma posse e classe. Sob a orientação atenta de Shatze (a mais experiente e cínica do grupo), as mulheres vão tentar a companhia de milionários, evitando que os corações as puxem para homens mais ao seu gosto, mas menos ricos.

O filme segue por isso uma sucessão de encontros, e episódios de desencontro, onde ora se desmascara um falso milionário, ora uma das três conquistadoras acaba nos braços de um pobretanas. Lauren Bacall é quem domina o enredo, a sua história é a mais central, e o seu desempenho o mais estimulante, pleno de diálogos ricos e inspirados. Ao seu lado, Betty Grable interpreta uma loura burra, sem inteligência suficiente para fugir às ciladas, mas de bom coração, que acaba por lhe valer um marido honesto. Finalmente Marilyn Monroe proporciona as cenas mais cómicas, com o gag dos seus óculos, que recusa ostentar em público, mas sem os quais não vê um palmo à frente dos olhos.

Como final feliz e moralista, vemos a cínica Shatze finalmente a ceder, e a desistir do seu milionário, para casar com o homem que ama, e que julga pobre (Cameron Mitchell), para descobrir, só depois do casamento, que ele é o mais rico homem de Nova Iorque, mas que simulava ser pobre para ter a certeza de que Shatze se enamorava dele, e não do seu dinheiro.

Com um argumento bastante ingénuo e algo desconjuntado, que permite que personagens apareçam e desapareçam do enredo sem muito critério, o filme vale pelos momentos cómicos conseguidos pelas três actrizes, num desfilar de beleza e charme, a que a Fox não poupava esforços, como o demonstram os cenários e guarda-roupa usados.

Destaque para a frase de Bacall que, quando o seu idoso pretendente (interpretado por William Powell) chamava atenção para a diferença de idades entre ambos, lhe responde apontando homens mais velhos de quem gosta: “Look at Roosevelt, look at Churchill, look at that old fella what’s his name in The African Queen”, numa piscadela de olhos a Humphrey Bogart, seu marido na vida real.

O filme receberia o Oscar de Melhor Guarda-roupa.

Produção:

Título original: How to Marry a Millionaire; Produção: Twentieth Century-Fox Film Corporation; País: EUA; Ano: 1952; Duração: 95 minutos; Distribuição: Twentieth Century-Fox Film Corporation; Estreia: 4 de Novembro de 1953 (EUA), 17 de Maio de 1954 (Portugal).

Equipa técnica:

Realização: Jean Negulesco; Produção: Nunnally Johnson; Argumento: Nunnally Johnson [adaptado da peça de “The Greeks Had a Word” de Zoë Akins e “Loco” de Dale Eunson e Katherine Albert]; Música: Alfred Newman, Cyril J. Mockridge; Fotografia: Joseph MacDonald [filmado em CinemaScope, cor por Technicolor]; Direcção Artística: Lyle R. Wheeler, Leland Fuller; Cenários: Walter M. Scott, Stuart A. Reiss; Efeitos Especiais: Ray Kellogg; Montagem: Louis R. Loeffler; Guarda-roupa: Charles Le Maire; Figurinos: Travilla; Orquestração: Edward B. Powell, Bernard Mayers [não creditado]; Direcção de Orquestra: Alfred Newman; Caracterização: Ben Nye.

Elenco:

Betty Grable (Loco Dempsey), Marilyn Monroe (Pola Debevoise), Lauren Bacall (Schatze Page), David Wayne (Freddie Denmark), Rory Calhoun (Eben), Cameron Mitchell (Tom Brookman), Alexander D’Arcy (J. Stewart Merrill), Fred Clark (Waldo Brewster), William Powell (J. D. Hanley).

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