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Ladies of the ChorusSinopse:

Mae Martin (Adele Jergens) e a filha Peggy (Marilyn Monroe) dançam ambas num chorus line, de um teatro de burlesco. Quando a estrela Bubbles LaRue se despede, Mae consegue que a filha Peggy seja a nova estrela da companhia. Uma noite Mae atrai a atenção de Randy Carroll (Rand Brooks), um jovem da alta sociedade que se enamora dela. Mas quando Randy pede a mão de Peggy em casamento, Mae adverte-o de que tal só poderá acontecer quando houver a certeza de que a família dele aceita Peggy pela carreira que tem.

Análise:

Não surgindo na história do cinema como um filme de significante relevância (foi mesmo um fracasso de bilheteira no seu tempo), “Ladies of the Chorus” ficará sempre conhecido como o primeiro filme em que Marilyn Monroe teve o papel de protagonista. Ainda sem visual de loura platinada que se tornaria icónico na sétima arte, Marilyn surgia aqui com um refrescante perfil juvenil.

Marilyn era até então completamente desconhecida do público de cinema, embora já conhecida como modelo de revistas. Contava apenas com algumas fugazes passagens pela tela, por vezes em filmes nos quais não seria sequer creditada, contando-se alguns de que nem há certeza da sua participação. De facto, até então, Marilyn contava apenas créditos em “Dangerous Years” de Arthur Pierson, de 1947.

“Ladies of the Chorus”, dirigido por Phil Karlson (um realizador com vasta e diversificada carreira, embora sem filmes de grande destaque), a partir de um argumento de Harry Sauber, Joseph Carole segundo uma história de Sauber, foi por isso uma aposta da Columbia Pictures num novo rosto. Infelizmente, o fracasso do filme atiraria Marilyn Monroe para mais uma travessia no deserto, que começava com a não renovação de contrato com a produtora.

O filme é uma típica comédia dramática de contornos musicais, que explorava os bastidores do teatro de burlesco, e seus corpos de bailado, os chorus lines. A história mostra-nos a preocupação de Mae Martin (Adele Jergens) com o futuro da filha Peggy (Marilyn Monroe), que dança a seu lado, e ela vê como uma versão mais jovem de si mesma. Com uma relação muito próxima entre mãe e filha (dir-se-iam irmãs), Mae protege Peggy de todas as formas possíveis, como mentora, quer no campo profissional (garantindo-lhe chegar a solista), quer no pessoal, afastando sempre os abutres que pairam em torno das raparigas.

O factor que vem alterar esta dinâmica é a chegada de Randy Carroll (Rand Brooks), um jovem da alta sociedade que se enamora de Peggy, mas tenta uma abordagem diferente. Ao enviar todos os dias uma orquídea a Peggy, sem se dar a conhecer, Randy vai despertar a curiosidade na jovem bailarina, que tudo fará para descobrir quem é o secreto admirador.

A relação de ambos evolui, e Randy pede a Mae a mão da filha em casamento. Só que o lado protector (e pragmático) de Mae lembra que também ela passou por algo assim, sendo abandonada pelo noivo, que a deixou grávida de Peggy quando a família dele descobriu qual a profissão de Mae. A partir daí a ênfase do filme passa à eminência do encontro entre as Martin e a família de Randy.

Com todos os ingredientes de uma normal comédia romântica (paixão e conflito), “Ladies of the Chorus” decepciona pelo modo ingénuo e simplista com que tudo se resolve, quase como se estivéssemos numa versão pobre do universo de Frank Capra, onde o melhor de todas as pessoas vem sempre ao de cima, ofuscando para sempre a maldade do mundo.

Repleto de cenas musicais, sejam as danças e canções do chorus line, ou o music hall da festa em casa dos Carroll, “Ladies of the Chorus” é um típico produto do seu tempo, feito para agradar à primeira, com um argumento escorreito, e divertimento quanto baste. Para a história fica o encanto e doçura de Marilyn Monroe, aqui contrastando com o papel dramático de Adele Jergens. Marilyn teria mesmo direito a interpretar duas canções: “Every Baby Needs a Da Da Daddy” e “Anyone Can See I Love You”.

Produção:

Título original: Ladies of the Chorus; Produção: Columbia Pictures Corporation; País: EUA; Ano: 1948; Duração: 60 minutos; Distribuição: Columbia Pictures; Estreia: 30 de Dezembro de 1948 (EUA).

Equipa técnica:

Realização: Phil Karlson; Produção: Harry A. Romm; Argumento: Harry Sauber, Joseph Carole; História: Harry Sauber; Fotografia: Frank Redman [preto e branco]; Direcção Artística: Robert Peterson; Montagem: Richard Fantl; Cenários: James Crowe; Música: George Duning [não creditado]; Direcção de Orquestra: Mischa Bakaleinikoff.

Elenco:

Adele Jergens (Mae Martin), Marilyn Monroe (Peggy Martin), Rand Brooks (Randy Carroll), Nana Bryant (Mrs. Adele Carroll), Eddie Garr (Billy Mackay), Steven Geray (Salisbury), The Bobby True Trio (Trio Musical).

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