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2010Sinopse:

Nove anos depois da missão Discovery ter falhado, a União Soviética prepara uma missão espacial a Júpiter, e aceita levar consigo três cientistas americanos, entre eles Heywood Floyd (Roy Scheider), o mentor da missão original, e o Dr. R. Chandra (Bob Balaban), o criador do computador HAL 9000 que gerira essa missão. A chegada à órbita de Júpiter decorre sem problemas, mas após a entrada na Discovery, reactivação de HAL, e novo contacto como o monólito negro, estranhas mensagens começam a chegar de uma fonte que se identifica como Dave Bowman, o astronauta desaparecido em 2001. Em breve a missão descobre que talvez corra um perigo não previsto.

Análise:

Depois do filme de Stanley Kubrick “2001: Odisseia no Espaço” (2001: A Space Odissey, 1968) ter sido quase unanimemente considerado um marco no cinema de ficção científica, tornava-se tão apetecível tentar continuar a saga escrita por Arthur C. Clarke, como arriscado fazê-lo sem baixar a fasquia atingida com a obra original. Sob a chancela da MGM/UA, em 1984 surgiu a sequela àquele filme, com mais uma adaptação de uma obra do célebre autor ficção científica.

Desta vez realizado por Peter Hyams, “2010 – O Ano do Contacto” foi protagonizado por Roy Scheider, no papel de Heywood Floyd (no filme anterior interpretado por William Sylvester), num elenco muito sólido, que incluía Helen Mirren, Bob Balaban e John Lithgow. Keir Dullea no papel de Dave Bowman e Douglas Rain como a voz HAL 9000 repetiram os papéis do filme de Kubrick.

Clarke terá sondado Kubrick para que este realizasse o filme, mas o realizador não estava interessado, e quando Peter Hyams pegou no projecto teve o acordo de, tanto Clarke, como Kubrick. Tal como acontecera com “2001: Odisseia no Espaço”, o escritor acompanhou o trabalho do realizador no desenvolvimento do projecto, para que este continuasse fiel à sua visão. O resultado foi um filme, que os críticos insistem em comparar como um irmão pobre do seu antecessor, mas que, se nos libertarmos dessas comparações, se revela um filme muito bem conseguido.

Mais uma vez, o que se destaca é a simplicidade quase espartana de acontecimentos, fugindo-se aos sensacionalismos muitas vezes presentes neste género. Os efeitos especiais (brilhantes, por sinal) são aqui apenas uma ferramenta da história, não estando presentes como uma distracção, nem para brilhar por si próprios. O enredo é simples, e perfeitamente coerente com o do filme de Kubrick, e temos aqui a mesma obsessão com a pureza do realismo em termos físicos que caracterizara “2001”.

Embora com uma estética muito próxima da de “2001” (com alguns dos mesmos cenários a serem aqui replicados), faltará no entanto alguma da beleza poética e aura de mistério que acompanhavam o filme de Kubrick. Tornando-se uma obra mais directa, “2010” é por isso também um menos compensador, respondendo onde “2001” questionava.

Da história destaca-se o levantar da ponta do véu quanto ao mistério anterior, com respostas sobre o comportamento de HAL (que aparentemente foi forçado a mentir, e por isso entrou em incoerências internas) e sobre o propósito do monólito negro (um guardião de uma nova fonte de vida, em Europa, lua de Júpiter).

Tal como em “2001”, não faltam, no entanto, motivos para nos fazer pensar sobre o papel do homem no universo, a nossa origem, o nosso comportamento perante novos mundos, e a pequenez das guerras terrestres perante a grandeza do universo. Estas são como que um ruído de fundo na missão da nave Leonov, assentes no escalar da tensão resultante da Guerra Fria entre Estados Unidos e União Soviética. Como curiosidade note-se a capa da revista Time, em que como líderes norte-americano e soviético vemos os retratos de Arthur C. Clarke e Stanley Kubrick. O primeiro tem mesmo um pequeníssimo cameo no iníco do filme.

Produção:

Título original: 2010; Produção: Metro-Goldwyn-Mayer (MGM); País: EUA; Ano: 1984; Duração: 111 minutos; Distribuição: Metro-Goldwyn-Mayer (MGM); Estreia: 7 de Dezembro de 1984 (EUA), 19 de Abril de 1985 (Portugal).

Equipa técnica:

Realização: Peter Hyams; Produção: Peter Hyams; Produtores Associados: Jonathan A. Zimbert, Neil A. Machlis; Argumento: Peter Hyams [baseado no livro de Arthur C. Clarke]; Fotografia: Peter Hyams [filmado em Panavision, cor por Metrocolor]; Design de Produção: Albert Brenner; Montagem: James Mitchell; Efeitos Especiais: Richard Edlund; Música: David Shire; Figurinos: Patricia Norris; Cenários: Rick Simpson; Caracterização: Michael Westmore.

Elenco:

Roy Scheider (Dr. Heywood Floyd), John Lithgow (Dr. Walter Curnow), Helen Mirren (Tanya Kirbuk), Bob Balaban (Dr. R. Chandra), Keir Dullea (Dave Bowman), Douglas Rain (voz de HAL 9000), Madolyn Smith Osborne (Caroline Floyd), Dana Elcar (Dimitri Moisevitch), Taliesin Jaffe (Christopher Floyd), James McEachin (Victor Milson), Natasha Shneider (Irina Yakunina), Vladimir Skomarovsky (Yuri Svetlanov), Mary Jo Deschanel (Betty Fernandez, Mulher de Bowman), Elya Baskin (Maxim Brajlovsky), Saveliy Kramarov (Dr. Vladimir Rudenko), Oleg Rudnik (Dr. Vasili Orlov), Victor Steinbach (Mikolaj Ternovsky), Jan Tríska (Alexander Kovalev).

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