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The Andromeda StrainSinopse:

A queda de um satélite sobre uma pequena povoação do Novo México, nos Estados Unidos, resulta na estranha morte de todos os habitantes, à excepção de um velho e de um bebé. Temendo um possível contágio, a equipa de investigadores sob o comando do doutor Jeremy Stone (Arthur Hill) recolhe o satélite e as testemunhas para os analisar num laboratório secreto e isolado, sob fortes medidas de segurança, conhecido como projecto Wildfire. Cedo se começa a perceber que o que quer que tenha chegado à Terra conjuntamente com o satélite é de origem extraterreste, e pode por em causa toda a vida na Terra.

Análise:

“A Ameaça de Andrómeda” é o título de um livro de Michael Crichton, que ajudou a estabelecer a sua reputação de autor de ficção científica. Como se tornou hábito na sua carreira, o livro de Crichton destaca-se pela ênfase na biologia. Médico de formação, Michael Crichton seria, como autor, argumentista, ou mesmo realizador, o criador de um vasto número de obras onde o thriller médico, as ameaças biológicas, ou a manipulação génetica têm o papel principal. Dele são títulos como “Jurassic Park”, “Congo”, “Sphere”, “The Terminal Man”, “Rising Sun”, etc., todas adaptadas ao cinema.

Com argumento de Nelson Gidding, o filme teve realização de Robert Wise, um realizador muitas vezes criticado pela diversidade de estilos que a sua obra abrange, e que não o deixam ver como um autor com uma voz própria. De facto Robert Wise, com Oscars por filmes como “Amor Sem Barreiras” (West Side Story, 1961) e “Música no Coração” (The Sound of Music, 1965), tem realizado obras muito distintas entre si, em géneros como o musical, terror, film noir e ficção científica. Neste último é particularmente conhecido pela ópera espacial “O Caminho das Estrelas” (Star Trek: The Motion Picture”, 1979). Ainda assim, é possível ver em “A Ameaça de Andrómeda” uma estética muito própria e um tom difícil de esquecer e que em muito enriquecem a obra de Wise.

Seguindo de perto o livro em que se baseia (com algumas alterações nalguns personagens) o filme de Robert Wise centra-se particularmente na investigação científica. Fazendo uso do que era então tecnologia de ponta, como a espectrometria, microscopia electrónica, e imagem de radiação por decaimento de isótopos radioactivos, o filme é quase que um manual de técnicas usadas na possível investigação de uma forma de vida, da qual nada se sabe à partida.

A história de “A Ameaça de Andrómeda” é bastante simples, partindo de um facto único, a queda de um satélite artificial que provoca a morte de todos os habitantes da região onde ele caiu. Sem se saber que tipo de ameaça representa (química, física, biológica), o satélite, bem como as duas únicas pessoas que lhe sobreviveram, é levado para ser analisado numa estação científica utra-secreta e desenhada para o efeito.

A partir de então, o filme torna-se um thriller científico, onde os únicos factos que fazem a história avançar são os resultados dos inúmeros testes aí levados a cabo. Um por um, eles são-nos explicados, bem como a consequência dos seus resultados positivos ou negativos. Um após um, os testes guiam-nos por entre o reino de possibilidades, até podermos definir o tamanho e qualidade da ameaça.

O filme triunfa pelo uso realista da ciência, e pelo conduzir do mistério, de modo eficaz e sem sensacionalismo, como num labirinto, em que teste após teste procuramos a porta de saída. São interessantes as várias questões colocadas, desde a proveniência do material orgânico estudado, as suas consequências sobre a vida na Terra, o poder das armas biológicas em geral, a ética no seu uso, ou mesmo na destruição de uma espécie que pode ser ou não inteligente.

Nota-se ainda a amargura com que é aventada a hipótese de ser o homem o culpado da ameaça, ao ter procurado que tal acontecesse, como apenas a busca por mais uma arma. Tal ideia era habitual no início dos anos 1970, onde as teorias de conspiração e o peso da contra-cultura colocavam em causa o sistema, que viam como nocivo. Nesse sentido destaca-se também o uso do nuclear, inicialmente visto como uma solução final contra a propagação da colónia extraterrestre, e por fim considerada parte do problema e não como solução.

Robert Wise conta ainda com uma estética muito própria, fruto da imaginação de Boris Leven (nomeado para o Oscar desse ano), que nos dá uma estação científica de contornos um pouco futuristas, mas assente num realismo que nos faz acreditar estarmos mesmo no tempo em que o filme foi filmado. Lacunas serão talvez o elenco que, demasiado absorto na frieza científica, não tem espaço para se recriar emocionalmente, não possibilitando assim que se criem empatias com o espectador.

Sem a necessidade de monstros espectaculares, “A Ameaça de Andrómeda” mostra-nos um outro tipo de invasão, invisível e silenciosa, mas dado o realismo com que é descrita, e o rigor com que tentamos descodificá-la, se torna ainda mais letal e, pese a redundância, ameaçadora.

Produção:

Título original: The Andromeda Strain; Produção: Universal Pictures; País: EUA; Ano: 1971; Duração: 130 minutos; Distribuição: Universal Pictures; Estreia: 12 de Março de 1971 (EUA).

Equipa técnica:

Realização: Robert Wise; Produção: Robert Wise; Argumento: Nelson Gidding [baseado no livro de Michael Crichton]; Música: Gil Melle; Fotografia: Richard H. Kline [filmado em Panavision, cor por Technicolor]; Design de Produção: Boris Leven; Montagem: Stuart Gilmore, John W. Holmes; Efeitos Visuais: Douglas Trumbull, Jamie Shourt; Figurinos: Helen Colvig; Cenários: Ruby R. Levitt; Director de Produção: Ernest B. Wehmeyer; Direcção Artística: William H. Tuntke; Caracterização: Bud Westmore.

Elenco:

Arthur Hill (Dr. Jeremy Stone), David Wayne (Dr. Charles Dutton), James Olson (Dr. Mark Hall), Kate Reid (Dr. Ruth Leavitt), Paula Kelly (Karen Anson – Enfermeira em Wildfire), George Mitchell (Jackson – Sobrevivente de Piedmont), Ramon Bieri (Major Manchek – Centro de Controlo Scoop), Kermit Murdock (Dr. Robertson), Richard O’Brien (Grimes), Peter Hobbs (General Sparks), Eric Christmas (Senador Phillips – Vermont), Mark Jenkins (Tenente Shawn – Equipa de Piedmont), Peter Helm (Sargento Crane – Equipa de Piedmont), Joe Di Reda (Sargento Burk – Técnico de Computadores em Wildfire), Carl Reindel (Tenente Comroe – Centro de Controlo Scoop), Ken Swofford (Toby – Técnico), Frances Reid (Clara Dutton), Richard Bull (Major da Força Aérea), John Carter (Capitão Morton – Polícia Militar).

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