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The Red ViolinEm Montréal decorre o leilão de um famoso violino há muito desaparecido, conhecido como o Violino Vermelho, de Niccolò Bussotti (Carlo Cecchi). Através de uma série de flashbacks, acompanhamos a história do violino, desde o momento da sua criação no século XVII, passando por uma série de episódios de fascínio e exuberância musical. Estes decorrem pelas mãos de um rapazinho órfão (Christoph Koncz) na Viena do século XVIII; em Oxford com o violinista Frederick Pope (Jason Flemyng) no século XIX; e na China da Revolução Cultural maoísta. De volta ao século XX vemos como um investigador (Samuel L. Jackson) descobre a identidade do violino e o segredo macabro que o torna tão especial.

Análise:

Com base na classe e elegância da música clássica, e no mito romântico da exuberância do solista do violino, este instrumento surge como personagem principal do filme do realizador canadiano (e às vezes encenador de teatro) François Girard. Girard, que já se notabilizara por outra aproximação entre o cinema e a música clássica, no filme “32 Curtas Metragens Sobre Glenn Gould” (Thirty Two Short Films About Glenn Gould, 1993), é ainda o autor do argumento, filmando em cinco países (Canadá, Itália, Áustria, Inglaterra e China). Com actores de todos estes países, “O Violino Vermelho” é falado em cinco línguas diferentes, sendo praticamente uma super-produção, que envolve uma diversidade de companhias e equipas técnicas.

Com um argumento estimulante, e uma fotografia lindíssima, François Girard compõe um filme sumptuoso, onde não se esconde a sua aptidão pela encenação teatral. “O Violino Vermelho” caminha por entre o mistério e a reconstituição histórica, tendo como inspiração um violino usado por Niccolò Paganini, o mais carismático dos violinistas da história, e de quem o personagem de Jason Flemyng parece beber um pouco da personalidade.

O mistério reside tanto na origem do violino vermelho de Bussotti (Carlo Cecchi), como no modo como ele parece sempre encontrar caminho para chegar a alguém cuja vida irá tocar de modo trágico. Começando com a sua origem, após a morte por parto da esposa de Bussotti (Irene Grazioli). Vemo-lo depois na Viena imperial, onde fascina um pequeno órfão (Christoph Koncz), que se torna um virtuoso até que isso lhe valha a própria morte. Chega depois à Oxford do século XIX, onde transforma a carreira do excessivo Frederick Pope (Jason Flemyng), levando-o a uma ascensão e queda de estilo romântico. Acompanhamo-lo depois na China comunista onde, em virtude da Revolução Cultural, é um objecto odiado, trazendo desgraça a quem se enamora dele. Por fim, assistimos ao unir de todas estas histórias num leilão, depois da sua autenticação pelo perito Charles Morritz (Samuel L. Jackson), que no processo não consegue resistir ao fascínio do estranho instrumento, cujo segredo macabro ele desvenda.

Por entre as várias vinhetas que constituem o filme, assistimos ao ler de cartas de tarot, pela vidente da senhora Bussotti. Nelas lê-se o destino, que as personagens não sabem ser o próprio violino, mas que nós, usamos como introduções para essa estranha viagem. Através delas podemos comparar violino com paixões humanas, das quais ele parece ser uma alegoria. Riqueza, amor, obsessão, luxúria, tragédia, ambição, êxito, queda, nostalgia, etc. Tudo parece interligar-se no percurso de um objecto maior que a vida daqueles que o tocam e são por ele tocados, numa história de condimentos universais.

Mas se a história é apelativa, e todo o design e atmosfera do filme são impecavelmente conseguidos, aquilo que dá alma ao filme é, como não podia deixar de ser, a música. Esta é da autoria do compositor italo-americano contemporâneo John Corigliano (nascido em 1938), que tem aqui uma rara incursão no mundo do cinema. É a música que dá credibilidade a “O Violino Vermelho”, com a sua pujança e exuberância a reflectir o fascínio e romantismo do misterioso violino vermelho, numa brilhante interpretação do solista Joshua Bell e da Philarmonia Orchestra dirigida por Esa-Pekka Salonen.

Com tal estrutura, a história e a música ofuscam os actores, apesar dos destaques do exuberante Jason Flemyng, e do sereno Samuel L. Jackson que fornece a linha condutora do argumento.

“O Violino Vermelho” receberia o Oscar de Melhor Banda Sonora Original.

Produção:

Título original: Le Violon Rouge; Produção: New Line International / Channel Four Films / Telefilm Canada – Equity Investment Program / Rhombus Media – Mikado; País: Canadá / Itália / EUA / Reino Unido / Áustria; Ano: 1998; Duração: 130 minutos; Distribuição: Lions Gate Films (EUA); Estreia: 10 de Setembro de 1998 (Toronto Film Festival, Canadá), 19 de Novembro 1999 (Portugal).

Equipa técnica:

Realização: François Girard; Produção: Niv Fichman; Co-Produção: Daniel Iron, Giannandrea Pecorelli; Argumento: Don McKellar, François Girard; Fotografia: Alain Dostie; Design de Produção: François Séguin; Figurinos: Renée April; Montagem: Gaétan Huot; Música: John Corigliano; Direcção de Orquestra: Esa-Pekka Salonen; Solista: Joshua Bell; Cenários: Pierre Perrault; Directores de Produção: Tommaso Calevi (Itália), Roberto Opratko (Viena), Debra Hauer (Oxford), Charles Wang (Xangai), Lucie Bouliane (Montreal); Direcção Artística: Ermita Frigato (Itália), Suzanne Quendler (Viena), Martyn John (Oxford), Sun Weido (Xangai); Caracterização: Rosario Prestopino (Itália), Adolf Uhrmacher (Viena), Pat Hay (Oxford), Gui Shaolin (Xangai), Micheline Trépanier (Montreal); Efeitos Digitais: Stéphane Landry.

Elenco:

Cremona:
Carlo Cecchi (Nicolo Bussotti), Irene Grazioli (Anna Bussotti), Anita Laurenzi (Cesca), Tommaso Puntelli (Aprendiz), Samuele Amighetti (Rapazinho).
Viena:
Jean-Luc Bideau (Georges Poussin), Christoph Koncz (Kaspar Weiss), Clotilde Mollet (Antoinette Pussin), Rainer Egger (Irmão Christophe), Florentín Groll (Anton von Spielmann), Johannes Silberschneider (Padre Richter), Arthur Denberg (Prince Mansfeld), Paul Koeker (Irmão Gustav), Wolfgang Böck (Irmão Michael), Josef Mairginter (Irmão Franz), Johan Gotsch (Monge no Funeral).
Oxford:
Jason Flemyng (Frederick Pope), Greta Scacchi (Victoria Byrd), Eva Marie Bryer (Sara), Dimitri Andreas (Pai Cigano), David Gant (Maestro), Sai-Kit Yung [como Stuart Ong] (Criado).
Xangai:
Sylvia Chang (Xiang Pei), Zifeng Liu (Chou Yuan), Hong Tao (Camarada Chan Gong), Xio Fei Han (Jovem Ming), Lidou (Dono da Loja de Penhores).
Montreal:
Samuel L. Jackson (Charles Morritz), Colm Feore (Leiloeiro), Monique Mercure (Mme. Leroux), Don McKellar (Evan Williams), Ireneusz Bogajewicz (Mr. Ruselsky), Julian Richings (Nicolas Olsberg), Russell Yuen (Velho Ming), Sandra Oh (Madame Ming), Paula de Vasconcelos (Suzanne), Rémy Girard (Agente da Alfândega), Marie-Josée Gauthier (Recepcionista do Hotel), Dany Laferrière (Taxista).

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