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Starship TroopersSinopse:

No futuro, a Terra é uma Federação militarizada, que está envolvida numa guerra contra os insectos do sistema Klendathu, depois de os humanos terem invadido alguns dos mundos por eles habitados. A Terra divide-se entre cidadãos e civis, sendo os primeiros os únicos com direitos políticos, por serem aqueles que se dispõem a lutar. Entre os recém-chegados às academias militares estão os jovens amigos John “Johnny” Rico (Casper Van Dien), Carmen Ibanez (Denise Richards), e Carl Jenkins (Neil Patrick Harris). O primeiro seguirá a infantaria, a segunda será piloto de naves, enquanto o terceiro cursará em estratégia. Por entre batalhas sangrentas os três amigos terão várias oportunidades de usar as suas diferentes capacidades ao serviço da Federação da Terra.

Análise:

Baseado no livro do mesmo nome de Robert A. Heinlein, “Starship Toopers” é um filme de extrema (e violenta) acção, realizado por Paul Verhoeven, conhecido já entre os fãs de ficção científica por filmes onde a acção tem sempre uma componente importante, como “Robocop – O Polícia do Futuro” (Robocop, 1987), “Desafio Total” (Total Recall, 1990) e mais tarde por “O Homem Transparente” (Hollow Man, 2000).

Embora “Soldados do Universo” seja essencialmente um filme de acção, muitas das mensagens de Heinlein (um autor que se preocupava sobretudo em descrever o quanto o avanço científico moldaria a mentalidade humana) estão presentes no filme, sobretudo graças ao expediente que é vermos uma série de anúncios televisivos, nos quais vamos tendo informações sobre a sociedade, suas preocupações e princípios por que se rege. É assim que sabemos sobre a diferença entre cidadãos (os que pelo serviço militar ganham direitos políticos) e civis. Sabemos também do aspecto militarista, e de certo modo fascizante da Federação (com constantes reprimendas sobre o falhanço da democracia). Sabemos ainda como funciona a propaganda, que desde a infância cria na mente humana a aversão aos insectos. E também como métodos alternativos (como os poderes psíquicos) são procurados como armas.

Se “Soldados do Universo” funciona sobretudo como um filme de guerra (basta esquecer um pouco que o adversário é uma raça de insectos gigantes, e estar-se-ia em território conhecido do cinema de guerra, onde nem faltam as habituais fases de recruta e treino), há no entanto uma subversão que acompanha toda a acção. Desde o momento em que um veterano diz orgulhosamente “A infantaria fez-me o homem que sou hoje” para logo vermos que perdeu duas pernas e um braço, percebemos que Verhoeven construiu um manifesto anti-guerra repleto de ironia. Assim, desde as inúmeras referências ao papel da infantaria como carne para canhão, que nos é dado a questionar o valor da vida humana, a desumanização das decisões de topo, a futilidade da guerra e, claro, a ética associada à tentativa de aniquilação de uma raça.

Começando com um primeiro acto em que vemos os jovens protagonistas no seu elemento natural (o liceu), o filme passa por um segundo em que os vemos receber o seu treino militar, até ao terceiro, e mais longo, onde acompanhamos vários episódios da guerra com os insectos, em sequências de acção de grande violência e ritmo acelerado.

Se Heinlein tinha sido atacado por criar uma obra que tinha subliminarmente elogios a regimes ditatoriais (embora o próprio disesse qua a sociedade do seu livro era inspirada pela Suiça) e uma retória racista, o filme de Verhoeven, por outro lado, embora mostrando esse lado fá-lo com tal ironia, que nos leva a questionar se não são os aspectos fascizantes das nossas sociedades democráticas aqueles que são nele apontados.

Com um jovem elenco, o filme apela sobretudo ao público jovem, que quer ver sobretudo acção, sem se perder em demasia nos universos subtis de Heinlein, e suas habituais consequências psocológicas. Ainda assim “Soldados do Universo” é um filme de entrenimento, sim, e muito bem conseguido, mas com a qualidade de nos fazer pensar.

O filme teve duas sequelas que passaram directamente para vídeo “Hero of the Federation” (2004) de Phil Tippett, e “Starship Troopers 3: Marauder” (2008) de Ed Neumeier. A estas seguiu-se o filme de animação japonês “Starship Troopers: Invasion” (2012) de Shinji Aramaki.

Produção:

Título original: Starship Troopers; Produção: TriStar Pictures / Touchstone Pictures / Big Bug Pictures; País: EUA; Ano: 1997; Duração: 129 minutos; Distribuição: TriStar Pictures; Estreia: 4 de Novembro de 1997 (EUA), 30 de Janeiro de 1998 (Portugal).

Equipa técnica:

Realização: Paul Verhoeven; Produção: Alan Marshall, Jon Davison; Co-Produção: Phil Tippett, Edward Neumeier, Frances Doel, Stacy Lumbrezer; Argumento: Edward Neumeier [baseado no livro homónimo de Robert A. Heinlein]; Fotografia: Jost Vacano [cor por Technicolor]; Design de Produção: Allan Cameron; Montagem: Mark Goldblatt, Caroline Ross; Figurinos: Ellen Mirojnick; Efeitos Visuais: Phil Tippett, Scott E. Anderson; Música: Basil Poledouris; Director de Produção: Robert Latham Brown; Efeitos Especiais: John Richardson; Direcção Artística: Bruce Robert Hill, Steven Wolff; Cenários: Robert Gould; Caracterização: John Blake.

Elenco:

Casper Van Dien (Johnny Rico), Dina Meyer (Dizzy Flores), Denise Richards (Tenente Carmen Ibanez), Jake Busey (Ace Levy), Neil Patrick Harris (Carl Jenkins), Clancy Brown (Sargento Zim), Seth Gilliam (Sugar Watkins), Patrick Muldoon (Zander Barcalow), Michael Ironside (Jean Rasczak), Rue McClanahan (Professor de Biologia), Marshall Bell (General Owen), Eric Bruskotter (Breckinridge), Matt Levin (Kitten Smith), Blake Lindsley (Katrina), Anthony Ruivivar (Shujimi), Brenda Strong (Capitão Deladier), Dean Norris (Comandante), Christopher Curry (Mr. Rico), Lenore Kasdorf (Mrs. Rico).

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