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Minority ReportSinopse:

Em 2054, o departamento de Pré-Crime de Nova Iorque previne os assassínios de ocorrer, com base nas previsões de três sobredotados (ditos pre-cogs) que, num estado de permanente transe, conseguem ver o futuro e projectar imagens dessas previsões. John Anderton (Tom Cruise) lidera a equipa que captura os pré-criminosos antes que os crimes ocorram, motivado pela incapacidade de recuperar o filho, raptado anos antes. A unidade, presidida por Lamar Burgess (Max von Sidow), está sob investigação das autoridades que decidem se a devem ou não tornar nacional. Para tal o trabalho de Anderton é minuciosamente escrutinizado pelo agente Danny Witwer (Colin Farrell). Quando uma previsão mostra o próprio Anderton como culpado de um crime por cometer, toda uma cadeia de eventos vai ser iniciada, colocando em causa tudo aquilo em que ele próprio acreditava.

Análise:

“Relatório Minoritário”, baseado no conto de Philip K. Dick do mesmo nome (The Minority Report), é mais um dos diversos contos deste autor adaptados ao cinema, ele que é o mais adaptado ao cinema de entre os mais importantes autores de ficção científica do século XX.

Tendo Dick sofrido de esquizofrenia, muitas das suas histórias são construídas sobre os temas de realidades alternativas, linhas temporais paralelas e diferentes percepções da realidade. “Relatório Minoritário” não é excepção trazendo-nos a eterna questão do livre arbítrio humano face à hipótese do determinismo. Esta questão, em termos práticos resulta noutra “pode alguém ser antecipadamente culpado de um crime não cometido, se houver previsão de que isso irá ocorrer?”

O exemplo é-nos dado pela crença cega de John Anderton (Tom Cruise), quando rola uma esfera em direcção ao chão, que Danny Witwer (Colin Farrell) impede que caia segurando-a. Anderton pergunta então “o facto de a teres segurado anula o facto de que cairia se não a tivesses impedido?” É esta a questão acerca da qual a história revolve, e que nos faz parar para pensar em vários momentos do filme, principalmente quando, no campo oposto, uma das videntes contrapõe com a ideia de que “o facto de conhecermos o futuro permite-nos alterá-lo”.

Filmada numa curiosa opção de cor (dessaturada para realçar os contrastes preto-branco), que nos faz distanciar do mundo do filme, ele traz-nos um negro reminiscente do film noir (também Anderton é um polícia solitário, regido por um código próprio, muitas vezes amoral e egoísta), e talvez mesmo do outro tech-noir de referência, “Blade Runner – Perigo Iminente” (Blade Runner, 1982) de Ridley Scott, também baseado numa história de Dick.

Spielberg mostra a sua apetência para a ficção científica, com um filme sóbrio, raras vezes cedendo ao humor “familiar” que o caracteriza. Tom Cruise é convincente na pele do polícia de “Pré-crime”, martirizado pelo seu passado, que tenta exorcizar impedindo crimes, e que no final quase causam a sua perdição. Spielberg não resiste ao final feliz, respondendo às perguntas ao seu modo, onde o livro deixava as questões em aberto. Aliás são inúmeras as diferenças entre o filme e o livro, como a história do filho de Anderton, o personagem de Lamar Burgess, ou a condição dos pré-cogs (no filme resultado de experiências genéticas em filhos de mães drogadas, no livro pessoas com deformações cerebrais congénitas). O filme opta ainda por uma imagem tecnológica mais moderna, com a tecnologia visual e virtual a surgirem como um personagem de direito próprio, sendo uma das suas mais valias em termos estéticos.

No final, como quase sempre na vida, são as perguntas (de Philip K. Dick) e não as respostas (de Steven Spielberg) que dão à história a sua vida própria. Ainda assim o filme resulta pela belíssima realização, e interpretações seguras de Cruise, Von Sidow, Farrell e Samantha Morton, não esquecendo o pequeno papel de Peter Stormare que ajuda a pintar o agridoce de um futuro distópico, com tantas potencialidades quanto contradições.

Produção:

Título original: Minority Report; Produção: Twentieth Century Fox Film Corporation / DreamWorks SKG / Cruise/Wagner Productions / Blue Tulip Productions / Ronald Shusett/Gary Goldman Productions; Produtores Executivos: Gary Goldman, Ronald Shusett; País: EUA; Ano: 2002; Duração: 139 minutos; Distribuição: Twentieth Century Fox Film Corporation; Estreia: 17 de Junho de 2002 (EUA), 4 de Outubro de 2002 (Portugal).

Equipa técnica:

Realização: Steven Spielberg; Produção: Gerald R. Molen, Bonnie Curtis, Walter F. Parkes, Jan de Bont; Argumento: Scott Frank, Jon Cohen [baseado num conto de Phillip K. Dick]; Fotografia: Janusz Kaminski [filmado em Panavision, cor por Technicolor]; Design de Produção: Alex McDowell; Montagem: Michael Kahn; Figurinos: Deborah Lynn Scott; Efeitos Visuais: Scott Farrar; Música: John Williams; Produtores Associados: Sergio Mimica-Gezzan, Michael Doven; Direcção de Produção: Sharon Mann; Direcção Artística: Chris Gorak; Efeitos Especiais: Mark Russell; Cenários: Anne Kuljian; Caracterização: Michèle Burke.

Elenco:

Tom Cruise (John Anderton), Colin Farrell (Danny Witwer), Samantha Morton (Agatha), Max von Sydow (Director Lamar Burgess), Lois Smith (Dr. Iris Hineman), Peter Stormare (Dr. Solomon Eddie), Tim Blake Nelson (Gideon), Steve Harris (Jad), Kathryn Morris (Lara Clarke), Mike Binder (Leo Crow), Daniel London (Wally), Neal McDonough (Fletcher), Jessica Capshaw (Evanna), Patrick Kilpatrick (Knott), Jessica Harper (Anne Lively), Ashley Crow (Sarah Marks), Arye Gross (Howard Marks), Anna Maria Horsford (Casey), Michael Dickman (Arthur), Matthew Dickman (Dashiell), George Wallace (Chefe Pollard), Ann Ryerson (Dr. Katherine James), Joel Gretsch (Donald Dubin), Caroline Lagerfelt (Greta van Eyck), Victor Raider-Wexler (Procurador Público Nash), Nancy Linehan Charles (Celeste Burgess).

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