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War of the WorldsSinopse:

Ray Ferrier (Tom Cruise) é um pai divorciado que fica com os seus filhos, com os quais tem uma relação tensa, durante o fim de semana. Mas antes que Ray possa sequer tentar uma aproximação a Robbie (Justin Chatwin) e Rachel (Dakota Fanning), estranhos relâmpagos e tempestades assolam a região. Tais catástrofes revelam-se como apenas o início de uma violenta invasão extraterreste, que vem tornar a Terra um desolado campo de batalha, e pôr em causa toda a humanidade.

Análise:

“A Guerra dos Mundos” é a mais famosa história do pioneiro da literatura de ficção científica, H. G. Wells, muito por culpa da transmissão radiofónica onde Orson Welles convenceu parte dos Estados Unidos de que uma invasão extraterrestre estaria de facto a acontecer.

A obra foi alvo de várias adaptações, destacando-se a da Disney, de 1953, realizada por Byron Haskin, além de várias séries de televisão. Em 2005 coube Steven Spielberg fazer uma actualização da mais célebre história de invasões alieníginas violentas. Dada a diferença temporal em termos de avanço tecnológico, é normal que o filme de Spielberg beneficie de mais bem conseguidos efeitos especiais, para nos dar a sentir o desespero e devastação de um mundo sob ataque total. Mas nem só de efeitos especiais se vive em “A Guerra dos Mundos”.

Spielberg consegue, aliás, resistir ao completo exibicionismo pirotécnico, optando por nos dar a pouco e pouco os resultados dos ataques alienígenas. Estes surgem no ecrã quase de modo indirecto. Por exemplo, logo no despoletar inicial, não vemos o avião cair, nem o conseguimos adivinhar perante a imensidão de ruídos, mas descobrimos que caíu quando saímos com os personagens para a rua em destroços. Esta é uma técnica usada há muito por Spielberg (quem não se lembra do célebre ondular nos copos de água, que anunciavam passadas violentas em Parque Jurássico?).

É de modo indirecto (no vento que sopra contra a tempestade, nas breves notícias da TV, nos relâmpagos dos quais só vemos reflexos) que nos vamos apercebendo dos contornos da catástrofe. É também de modo indirecto que Spielberg quer que os sintamos, tendo os seus personagens como nossos transdutores de sentimentos. Para tal usou dois actores que bem conhece, Tom Cruise (Relatório Minoritário) e Dakota Fanning (protagonista da série Taken, produzida por ele). É pelo desespero e a desorientação de Tom Cruise, e pelo terror de Dakota Fanning que somos transportados emocionalmente para o filme. Graças às opções de Spielberg (aparentemente inspirado pelo 11 de Setembro), o filme é um permanente pesadelo, quer pela devastação que nos é mostrada, quer pela inquietude daquilo que muitas vezes só podemos adivinhar.

É conhecida a propensão de Spielberg para nos transmitir emoções pelos olhos das crianças, e “A Guerra dos Mundos” é mais um bom exemplo. Conte-se as vezes em que é dito a Dakota Fanning que feche os olhos, e veja-se quantas vezes nos assustámos por ela. Usando câmaras móveis com ângulos fechados, que não nos deixam ver muito mais que o círculo imediato do personagem, as buscas e fugas dos personagens parecem-nos claustrofóbicas e destinadas ao fracasso, o que aumenta a nossa ansiedade.

Mas se a obra original de H. G. Wells, era uma lição sobre a pequenez humana do ponto de vista do universo, e de como tudo aquilo que nos parece importante pode não significar rigorosamente nada de um momento para o outro, já o filme de Spielberg dá-lhe uma dimensão mais negra. Ela é espelhada na cena da luta pelo carro, onde a mesquinhez humana é a causa da sua perdição, e ainda no personagem de Tim Robbins. Nas mãos de Spielberg começamos a perguntar-nos se não são os seres humanos o seu pior inimigo. Há no entanto um raio de esperança, trazido por Robbie (Justin Chatwin), o altruísta, disposto a sacrificar-se.

Essa mensagem de esperança é aliás o toque típico spielberguiano, ao transformar uma história de devastação alienígena num drama familiar, quase como numa soap opera americana. Tal lembra-nos sempre que estamos perante um drama humano, e não um exercício de espectacularidade. Não espanta por isso que os acontecimentos espelhem o conflito familiar, passando-se de uma família disfuncional e em permantente conflito, para uma crescente harmonia e união, culminantes na resolução da tragédia.

No final fica o alívio, e a conclusão mais elegante e provavelmente mais realista de qualquer história de invasão, ainda que por muitos criticada por parecer uma simples solução Deus Ex Machina.

Produção:

Título original: War of the Worlds; Produção: Paramount Pictures / DreamWorks SKG / Amblin Entertainment / Cruise/Wagner Productions; Produtores Executivos: Damian Collier, Paula Wagner; País: EUA; Ano: 2005; Duração: 111 minutos; Distribuição: Paramount Pictures; Estreia: 14 de Junho de 2005 (EUA), 7 de Julho de 2005 (Portugal).

Equipa técnica:

Realização: Steven Spielberg; Produção: Kathleen Kennedy, Colin Wilson; Argumento: Josh Friedman, David Koepp [baseado no livro de H. G. Wells]; Música: John Williams; Fotografia: Janusz Kaminski [filmado em Panavision, cor por technicolor]; Design de Produção: Rick Carter; Direcção Artística: Tony Fanning; Cenários: Anne Kuljian; Montagem: Michael Kahn; Figurinos: Joanna Johnston; Caracterização: Lois Burwell; Directores de Produção: Jason D. McGatlin, Gregory Alpert; Efeitos Especiais: Gintar Repecka.

Elenco:

Tom Cruise (Ray Ferrier), Dakota Fanning (Rachel Ferrier), Miranda Otto (Mary Ann), Justin Chatwin (Robbie Ferrier), Tim Robbins (Harlan Ogilvy), Rick Gonzalez (Vincent), Yul Vazquez (Julio), Lenny Venito (Manny, o Mecânico), Lisa Ann Walter (Empregado de Bar), Ann Robinson (Avó), Gene Barry (Avô), David Alan Basche (Tim), Roz Abrams (A Própria), Michael Brownlee (Repórter de TV, Osaka, Camillia Sanes Monet (Produtora Noticiosa).

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