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Island of Lost SoulsSinopse:

Depois de ser salvo de um naufrágio, Edward Parker (Richard Arlen) é desembarcado contra sua vontade na Ilha do Dr. Moreau (Charles Laughton). Este é um excêntrico cientista, que vive rodeado de estranhas criaturas de forma humana, mas comportamentos e rostos animais. Aos poucos Parker começa a perceber que todos os habitantes da ilha são fruto de experiências do Dr. Moreau, que pretende acelerar a evolução, criando seres humanos a partir de animais. O resultado são seres instáveis, que obedecem cegamente, reagindo ao medo, mas que estão à beira de se revoltarem contra os humanos, entre os quais Edward Parker se encontra agora prisioneiro.

Análise:

H. G. Wells, o autor nascido na segunda metade do século XIX, e que deu à ficção científica obras inesquecíveis como “A Máquina do Tempo” ou “A Guerra dos Mundos”, é também um dos mais adaptados ao cinema. O carácter profético das suas obras, bem como o seu lado macabro e por vezes espectacular, tornam-no um ícone da ficção científica, e os seus livros verdadeiras referências dentro do género.

Tal é também o caso da obra “The Island of Dr. Moreau”, que originaria este “A Ilha das Almas Selvagens”, produzido em 1932 pela Paramount Pictures com realização de Erle C. Kenton, um realizador prolífico durante quatro décadas, entre o mudo e sonoro, mas constantemente relegado para filmes B e géneros menores. O filme terá sido sobretudo uma obra de Charles Laughton, o actor/produtor britânico, que começava a marcar terreno em Hollywood.

Laughton, um amante do macabro, do grotesto, do gótico e terror clássicos, compôs um Dr. Moreau que seria uma referência para todos os que se seguiram. Sádico, mas charmoso, frio e calculista, mas sedutor, há sempre na sua presença algo que nos desperta a curiosidade e nos faz suster a respiração. Com Laughton no centro da história, esta é a de um cientista louco, que desafia todas as regras éticas, para se sentir no papel de Deus, subvertendo as leis da criação. Como tal o Dr. Moreau vai realizar dolorosas experiências em animais com vista a humanizá-los, como um desafio às leis da evolução. Nada parece constituir limite para o Dr. Moreau que, ao ver o visitante Edward Parker (Richard Arlen) chegar por acidente, imediatamente o inclui nos seus planos, colocando-o em contacto com Lota, a Mulher Pantera (Kathleen Burke), com o intuito de observar a nascente feminilidade desta.

O filme torna-se então uma viagem pelo macabro que é a ilha do Dr. Moreau, da forma como é vista por Edward Parker. Uma ilha onde os nativos são humanoides animalescos, onde aquilo que os mantém domesticados é o medo da Casa da Dor, onde foram feitos, e uma espécie de lei, repetida como um mantra (de notar a presença de Bela Lugosi, como o Recitador da Lei), e que lhes dá o único conjunto de regras de conduta. Tudo isto é imposto pelo sádico Dr. Moreau, que joga com vidas a seu bel-prazer, e se impõe pela força de um chicote.

H. G. Wells terá ficado incomodado com a adaptação, que para si realçava apenas o grotesco e o terrífico da história, sem se incomodar com os aspectos filosóficos que ele queria apontar. Notável é o facto de a sua obra ter sido escrita antes de se saber alguma coisa sobre genética, algo que parece ser indicado na história, de modo profético.

Filmado num ambiente soturno, grandemente em estúdio, com as sombras a terem um papel quase omnipresente, grandes planos enervantes, criaturas verdadeiramente grotescas, e uma extrema violência (embora sempre fora de campo), “A Ilha das Almas Selvagens” impressiona pelos conceitos visuais, e pelas ideias inerentes e provocadoras. Estas seriam mesmo razão para que o filme encontrasse forte oposição da censura, e fosse banido no Reino Unido.

A história de H. G Wells seria mais duas vezes adaptada ao grande ecrã, ambas sob o título “A Ilha do Dr. Moreau”. O primeiro foi realizado por Don Taylor (The Island of Dr. Moreau, 1977) com Burt Lancaster no papel de Dr. Moreau, e o segundo por John Frankenheimer (The Island of Dr. Moreau, 1996) com o papel do cientista louco a caber a Marlon Brando.

Produção:

Título original: Island of Lost Souls; Produção: Paramount Pictures; País: EUA; Ano: 1932; Duração: 70 minutos; Distribuição: Paramount Pictures; Estreia: Dezembro de 1932 (EUA), 30 de Maio de 1934 (Portugal).

Equipa técnica:

Realização: Erle C. Kenton; Argumento: Waldemar Young, Philip Wylie [a partir do livro de H. G. Wells]; Música: Arthur Johnston [não creditado], Sigmund Krumgold [não creditado]; Fotografia: Karl Struss [preto e branco]; Direcção Artística: Hans Dreier [não creditado]; Caracterização: Charles Gemora [não creditado], Wally Westmore [não creditado]; Efeitos Especiais: Gordon Jennings [não creditado].

Elenco:

Charles Laughton (Dr. Moreau), Richard Arlen (Edward Parker), Leila Hyams (Ruth Thomas), Bela Lugosi (Recitador da Lei), Kathleen Burke (Lota, a Mulher Pantera), Arthur Hohl (Montgomery), Stanley Fields (Capitão Davies), Paul Hurst (Donahue), Hans Steinke (Ouran), Tetsu Komai (M’ling), George Irving (O Cônsul).

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