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The Time MachineSinopse:

Quando os seus amigos chegam para um combinado jantar, H. George Wells (Rod Taylor) surge como se tivesse acabado de se livrar de um enorme perigo. Questionado sobre o que se passou, ele relembra aos amigos a experiência de que lhes falara sobre de uma pretensa máquina do tempo. No dia de Ano Novo de 1900, George Decidiu experimentar a sua máquina e ver o futuro. Inicialmente preocupado pelas várias guerras mundiais que destroçaram o seu mundo, George só vai terminar a viagem muitos milénios mais à frente. Descobre então que a humanidade mudou imenso, vivendo em apatia como escravos de outra raça dominante.

Análise:

H. G. Wells é para muitos o pai da ficção científica. São muitas as obras que escreveu dentro deste género, algumas muito emblemáticas ainda hoje, pelo seu carácter profético, e várias delas adaptadas (múltiplas vezes até) ao cinema.

Uma das suas histórias mais conhecidas é a história da Máquina do Tempo, escrita em 1895, e adaptada ao cinema em 1960 por George Pal (que, como produtor, está ligado a alguns importantes filmes de ficção cientítica dos anos 1950), com argumento de David Duncan, e interpretação do australiano Rod Taylor, no seu primeiro papel principal.

A história de Wells centra-se no personagem de Rod Taylor, um inventor aventureiro, que tenta convencer os seus amigos das possibilidades das viagens no tempo. O seu objectivo é tão simples como ingénuo, aprender com civilizações futuras, de modo a beneficiar o seu próprio tempo. Essa busca por aprendizagem resulta, ao mesmo tempo, num olhar interrogativo sobre o nosso futuro como civilização.

George vai, nas suas viagens, ser surpreendido por várias guerras mundiais (no filme elas são as duas guerras mundiais do século XX, algo que o livro de Wells, obviamente não menciona como tal), que não só o deixam desencantado com a humanidade, como o colocam mesmo em perigo, acabando aprisionado sob formações rochosas resultantes de solidificação de lava. Tal obriga-o a saltar muitos milénios para o futuro, parando no ano 802701.

Aí George encontra o futuro da humanidade muito depois de uma série de apocalipses. Como forma de sobreviver a espécie humana dividiu-se em duas, os Eloi, que ficaram à superfície, de aparência igual à nossa (mas todos louros), e os Morloch, que se refugiaram nas profundesas, tornando-se seres da escuridão. São estes a raça dominante, que escraviza e canibaliza os apáticos Eloi, como George vai descobrir.

A partir de então George vê-se como um catalizador. Reconhecendo um pingo de curiosidade em Weena (Yvette Mimieux), George decide que é seu dever procurar nesta raça apática alguém com a centelha de génio que a faça saltar em frente e ser novamente engenhosa, criativa e lutadora. É quase comovente o grito com que lhes explica que é vergonhoso que tantas gerações tenham sonhado, lutado, sofrido, criado, só para que eles passem os dias a apanhar sol.

Curiosamente, num mundo onde a memória se perdeu, e o conhecimento desapareceu, é no passado que reside a esperança. Por isso, depois de derrotados os Morloch, inverte-se a lógica de George que, em vez de trazer conhecimento do futuro, vem ao passado buscá-lo. Fica então a interrogação do seu amigo Filby (Alan Young), se pudéssemos levar três livros para moldar uma nova civilização, que três livros escolheríamos?

Embora não tendo conseguido convencer Hollywood do seu projecto, George Pal conseguiu vendê-lo à Metro-Goldwyn-Mayer inglesa, que lhe proporcionou níveis excepcionais de produção, que fazem do filme uma obra grandiosa, com uma magnífica fotografia e design (desde logo patenteado no design da própria máquina), que recria uma bonita Londres vitoriana. O filme ficaria ainda famoso pelas imagens em que o rápido passar do tempo nos dá a ver alterações rápidas no experior. Esse método de sucessão de imagens valeria a “A Máquina do Tempo” o Oscar de Melhores Efeitos Especiais desse ano. Também as interpretações de Rod Taylor, Alan Young e Yvette Mimieux são mais valias para o filme.

Com originais interrogações levantadas sobre o futuro da humanidade, e o lado profético do papel das várias guerras descritas no livro, H. G. Wells consegue uma obra imortal, que pelas mãos de George Pal nos chega com algo de poético e inocente, mas nem por isso menos acutilante.

O filme teve um remake em 2002, da autoria de Simon Wells (neto do escritor), com Guy Pierce no principal papel.

Produção:

Título original: The Time Machine; Produção: George Pal Productions, Loew’s Incorporated, Galaxy Films Inc.; País: EUA; Ano: 1960; Duração: 102 minutos; Distribuição: Metro-Goldwyn-Mayer; Estreia: 17 de Agosto de 1960 (EUA).

Equipa técnica:

Realização: George Pal; Produção: George Pal [não creditado]; Argumento: David Duncan [adaptado do livro de H. G. Wells]; Música: Russell Garcia; Fotografia: Paul Vogel [cor por Metrocolor]; Direcção Artística: George W. Davis, William Ferrari; Cenários: Henry Grace, F. Keogh Gleason; Montagem: George Tomasini; Efeitos Especiais: Gene Warren, Wah Chang; Caracterização: William Tuttle.

Elenco:

Rod Taylor (H. George Wells), Alan Young (David Filby / James Filby), Yvette Mimieux (Weena), Sebastian Cabot (Dr. Philip Hillyer), Tom Helmore (Anthony Bridewell), Whit Bissell (Walter Kemp), Doris Lloyd (Mrs. Watchett).

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