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Le Voyage dans la LuneSinopse:

Numa reunião do Clube Astronómico, o Professor Barbenfouillis (Georges Méliès) propõe que se tente uma viagem à Lua. Consegue o apoio de cinco outros membros, e juntos supervisionam a construção do canhão que deve disparar a cápsula em forma de bala, que lhes servirá de transporte. Chegado o dia, é celebrado o evento com grande pompa, e a cápsula é disparada. A aterragem na Lua decorre sem incidentes, mas os seis viajantes descobrem que existe uma raça hostil de habitantes, os Selenitas. Têm por isso de fugir de volta para a Terra, capturando um Selenita, que exibem à sua chegada.

Análise:

“Viagem à Lua” é o título da obra que une dois dos maiores pioneiros da fantasia, aventura e ficção científica, ambos nascidos no século XIX: o escritor Jules Verne e o realizador de cinema Georges Méliès.

Jules Verne, um prolífico autor de romances de aventura, espantou o mundo pelas suas viagens maravilhosas, nas quais procurou levar o homem onde nunca antes tinha ido, como por exemplo aos pólos, ao centro da Terra, ao mundo submarino ou à Lua. Os seus romances foram uma enorme inspiração para todos os escritores de contos fantástico que se seguiram, bem como para aventureiros e mesmo cientistas. O facto de algumas dessas suas viagens, na altura aparentemente impossíveis, se terem já concretizado, fizeram dele quase que um profeta no reino da ficção científica, razão pela qual é considerado um dos seus fundadores.

Por seu lado, Georges Méliès é um dos fundadores do cinema de ficção. Numa altura em que os irmãos Lumière e os seus primeiros seguidores viam no cinema um meio de documentar o quotidiano, Méliès, um homem habituado a trabalhar com o espectáculo e a ilusão, decidiu ir mais longe, e usar este meio para contar histórias fantásticas, que, através de truques de câmara e cenários fantasistas, maravilhassem e surpreendessem o público.

Entre 1896 e 1913 Méliès viria a realizar 531 filmes, com durações que variariam entre 1 e 40 minutos. Geralmente procurando temas fantásticos, Méliès ficou famoso tanto pela pompa com que adornava os seus planos, como pelos truques de câmara usados. Estes incluíam paragens de câmara (para fazer objectos ou pessoas aparecer ou desaparecer), múltiplas exposições, fotografia em time-lapse, transições entre fotogramas, tudo isto para criar a ilusão do impossível, mesmo quando estes efeitos serviam apenas para surpreender, sem terem necessariamente preocupações narrativas.

A partir da sua própria companhia, a Star-Film, Georges Méliès tornou-se aos poucos um nome reconhecido, que chegaria a ter imitadores nos Estados Unidos. Tal levá-lo-ia a abrir uma sucursal da companhia para lá do Atlântico. A fama chegaria sobretudo com aquele que é hoje o seu filme mais conhecido, “Viagem à Lua”, uma adaptação bastante livre do famoso romance de Jules Verne.

O filme de Méliès começa com alguns momentos inspirados em Verne, nomeadamente as discussões no Clube de Astronomia e o facto de a viagem se dar numa cápsula em forma de bala, disparada por um canhão gigante. Mas a partir da chegada à Lua (a cena do foguetão a acertar no olho do Homem da Lua, é um marco de todo o cinema), muito do que se passa no filme transcende a obra do escritor francês, pois Méliès não resiste em preencher as cenas com momentos de carácter mitológico e fantástico, como era habitual nos seus filmes.

A Lua de Méliès é um lugar exótico, de estranhas plantas, e um povo (os Selenitas) hostil que se move por entre mil e uma acrobacias (interpretados por acrobatas do Folies Bergère), e onde, à noite as estrelas das constelações mostram rostos, e a deusa da lua baloiça elegantemente num crescente lunar.

O filme não tem quaisquer pretensões de realismo, chegando a ser deliciosamente simples e ingénuo, tanto narrativamente, como em termos de cenários, (por exemplo os edifícios são nitidamente cenários de teatro pintados em cartão). Embora baseado numa ideia que, como todas em Verne, tinha um aspecto de provocação sobre o futuro do homem, Méliès preocupou-se sobretudo em criar um filme-espectáculo. Nota-se o modo como constrói cada plano (quase sempre com câmaras absolutamente fixas), onde os personagens compôem a tela, como se de uma pintura se tratasse, ou posassem para uma foto. Tal faz das suas cenas (principalmente na parte inicial e final, onde a acção se resume a desfiles e paradas) pouco mais que fotografias com algum movimento. Nelas surgem militares, fanfarras, bailarinas, sempre no intuito de dar esse ar preenchido e vivo que Méliès procurava. Os seus habituais truques visuais revelam-se sobretudo nas cenas passadas na Lua, onde todo o exotismo e seres mitológicos trazem uma enorme variedade e movimentação ao filme.

“Viagem à Lua” é citado por muitos cineastas como influência, tal como Méliès é visto como um dos pais do cinema narrativo e fantástico. O filme, embora um sucesso aquando da sua estreia, acabou, tal como toda a obra de Méliès por cair no esquecimento, até alguns fãs do realizador, no final dos anos 1920, terem procurado reabilitá-lo, reencontrando parte da sua obra. Para além da versão a preto e branco, existe ainda uma versão colorizada, já que Méliès usava a técnica de pintar à mão alguns dos seus filmes. Também esta foi descoberta, já nos anos 1990. O filme tem durações variáveis, principalmente devido à velocidade com que a fita é passada.

Produção:

Título original: Le Voyage dans la Lune; Produção: Star Film Company; País: França; Ano: 1902; Duração: 9 minutos; Distribuição: Star Film Company (França), American Mutoscope & Biograph / Edison Manufacturing Company / S. Lubin (EUA); Estreia: 1 de Setembro de 1902 (França), 4 de Outubro de 1902 (EUA).

Equipa técnica:

Realização: Georges Méliès; Produção: Georges Méliès; Argumento: Georges Méliès [baseado no livro de Jules Verne]; Fotografia: Théophile Michault, Lucien Tainguy [preto e branco]; Direcção Artística: Claudel; Montagem: Georges Méliès; Figurinos: Jeanne d’Alcy.

Elenco:

Jules-Eugène Legris (Líder da Parada), Bleuette Bernon (Deusa da Lua), Brunnet (Explorador), Henri Delannoy (Comandante do Foguetão), Farjaut (Explorador), Kelm (Explorador), Georges Méliès (Professor Barbenfouillis / A Lua), François Lallement (Oficial dos Fuzileiros), Victor André (Explorador), Delpierre (Explorador), Acrobatas do Folies Bergère (Selenitas), Ballet do Théâtre du Châtelet.

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