Etiquetas

, , , , , , , , ,

The Gold RushSinopse:

Nas montanhas do Alaska, vive-se a corrida ao ouro, e tal leva o pequeno vagabundo (Charles Chaplin) também a tentar a sua sorte. Uma série de peripécias levam-no a partilhar uma cabana com Big Jim (Mack Swain), mas quando este é traído pelo bandido Black Larsen (Tim Murray), ficando sem memória, o vagabundo fica de novo a errar sozinho. É então recolhido por um caçador (Henry Bergman), que o deixa a tomar conta da sua cabana. Na vila vizinha o vagabundo enamora-se de Georgia, uma dançarina, mas não é levado a sério. Só que uma feliz coincidência traz-lhe de novo Big Jim, e os dois partem para encontrar a mina deste.

Análise:

Em 1925 Charles Chaplin era já há muito uma estrela de renome mundial. Depois de em 1917 ter montado a sua própria produtora, a Charles Chaplin Productions, Chaplin começou a dedicar-se a longas-metragens, as quais seriam, a partir de 1923, distribuídas pela sua própria companhia, a United Artists. Depois do drama “Opinião Pública” (A Woman of Paris, 1923), filme em que Chaplin entregou o protagonismo à sua companheira de tantos filmes, Edna Purviance, o segundo filme de Chaplin para a United Artists seria o seu regresso à comédia com “A Quimera do Ouro”.

Em “A Quimera do Ouro” assistimos ao regresso do eterno vagabundo, cujo fato justo e poído, bengala e chapéu de coco, não podiam contrastar mais com o ambiente inóspito do deserto gelado do Alaska. A partir dessa premissa (a da inadequação entre personagem e ambiente) constrói-se todo o humor. Desde o enterrar da bengala na neve até ao caminhar desajeitado pelas ravinas, Chaplin faz-nos rir a cada gesto.

As suas peripécias levam-no a partilhar uma cabana com dois parceiros/oponentes, Big Jim (Mack Swain) e Black Larsen (Tim Marray), criando situações risíveis, algumas delas icónicas, que vão desde uma luta por uma espingarda que mantém sempre o vagabundo na mira, ou na degustação de uma bota, até ao culminar duelo com a cabana que ameaça cair de um precipício.

Em contraste com este burlesco frenético, temos a habitual história de amor. O vagabundo enamora-se de Georgia (Georgia Hale), uma dançarina no saloon local, que resiste aos avanços dp playboy Jack (Malcolm Waite), pois espera por um amor sincero. Desajeitado, azarado, mas com um encanto natural, o vagabundo conseguirá atrair a atenção de Georgia, sem que ela própria o compreenda.

Tal não impede de assistirmos a varios gags hilariantes, como o cinto que é a trela de um cão, a luta com Jack, ou a celebérrima dança dos pãezinhos. Só que, como é habitual em Chaplin, humor e sentimento correm o filme de mãos dadas, e são comoventes os momentos em que vemos o desenrolar a pureza dos seus sentimentos, e as suas tentativas vãs de conquistar a mulher de quem se enamora.

Com uma realização sempre eficaz, Chaplin filma a neve como antes filmara a cidade, em cenários perfeitos, e alguns efeitos especiais extremamente bem conseguidos. O filme levou mais de um ano a ser terminado, revelando todo o cuidado de produção que Chaplin dedicava às suas obras. Foi um sucesso imediato, e um dos filmes mais rentáveis do período mudo. Sendo hoje considerado um dos maiores clássicos de Chaplin (para muitos o seu melhor de sempre), “A Quimera do Ouro” era, para Chaplin, o filme pelo qual ele um dia quereria ser lembrado.

Em 1942 o próprio Chaplin reeditou o filme, cortando algumas cenas, compondo uma banda sonora para o acompanhar, e incluindo a sua própria narração (por vezes cómica, muitas vezes poética) em substituição dos habituais intertítulos. Desse modo a versão surge-nos hoje em muito melhor qualidade que a original, onde vários momentos estão em muito mau estado.

Produção:

Título original: The Gold Rush; Produção: Charles Chaplin Productions; País: EUA; Ano: 1925; Duração: 72 minutos; Distribuição: United Artists; Estreia: 26 de Junho de 1925 (EUA), 28 de Março de 1927 (Portugal).

Equipa técnica:

Realização: Charles Chaplin; Produção: Charles Chaplin [não creditado]; Argumento: Charles Chaplin; Música (versão de 1942): Charles Chaplin; Fotografia: Roland Totheroh; Montagem: Harold McGhan; Direcção de Produção: Alfred Reeves; Design de Produção: Charles D. Hall.

Elenco:

Charles Chaplin (O Prospector Solitário), Mack Swain (Big Jim McKay), Tom Murray (Black Larsen), Henry Bergman (Hank Curtis), Malcolm Waite (Jack Cameron), Georgia Hale (Georgia).

Advertisement