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Sherlock JrSinopse:

Um projeccionista de cinema (Buster Keaton) sonha tornar-se detective. A sua chance chega quando, em casa da sua noiva (Kathryn McGuire), um relógio é roubado pelo seu rival (Ward Crane). Só que este consegue fazer com que o projeccionista surja como culpado aos olhos de todos. No seu cinema, o projeccionista adormece durante uma projecção, e sonha que entra no filme, onde é um famoso detective, que tem de deslindar um caso onde os protagonistas são as pessoas da sua vida. Esse sonho é como que uma segunda oportunidade para que ele prove a sua inocência, redimindo-se aos olhos da noiva e livrando-se do seu rival.

Análise:

Buster Keaton, um dos maiores génios do cinema mudo, começou a trabalhar neste meio após fazer amizade com Roscoe “Fatty” Arbuckle, em 1917, e já com uma longa carreira no teatro cómico. Arbuckle, um ex-pupilo de Mack Sennett, trabalhava então para a Comique de Joseph M. Schenck, e cedo se percebeu que a química entre os dois actores era especial, e muito do agrado do público. Keaton aproveitava para conhecer todos os aspectos por trás da produção e realização de um filme, enquanto, à frente das câmaras, o contraste físico e de personalidade entre os dois actores fazia as delícias do público em várias curtas-metragens até 1920.

Com a saída de Arbuckle da Comique, Joseph M. Schenck criou a Buster Keaton Productions, para que a sua estrela restante pudesse desenvolver a sua capacidade de autor. Buster Keaton não perdeu a oportunidade, e imediatamente parou com a habitual produção desenfreada de curtas-metragens cómicas, para se dedicar a mais elaborados filmes, pensados por si. Surgiram então as suas primeiras longas-metragens, a quarta das quais foi este “Sherlock Holmes Jr.”, por sinal a primeira em que Keaton assinou a realização a título individual.

“Sherlock Holmes Jr.” espanta pela riqueza a nível de argumento, conceitos e recursos técnicos, nomeadamente a partir daquilo que se pode chamar o seu segundo acto, o sonho.

Sendo, provavelmente, uma das primeiras homenagens de um filme, ao próprio cinema (com um filme dentro do filme), “Sherlock Holmes Jr.” começa de modo discreto, com o explanar das desventuras de um simples projeccionista que quer ser um detective. Exibindo a sua habitual cara impávida, sem qualquer expressão, Keaton é sujeito a diversas situações cómicas, que acabam com ele como suspeito do roubo do relógio do pai da sua noiva.

Tal leva-o a regressar ao cinema cabisbaixo, adormecendo durante uma projecção, e sonhando que entra no ecrã, onde a história passa a ter como personagens as pessoas da sua própria vida. Aí o filme ganha uma outra dimensão, com toques de surrealismo, em que vemos os cenários mudar caoticamente, com consequências desastrosas para o projeccionista, que sofre com essas mudanças devido à sua posição em cada cena. De seguida ele passa a ser um famoso detective, investigando um roubo, que o leva a participar em movimentadas perseguições, e salvar a noiva (Kathryn McGuire) de um rapto às mãos do vilão e seu rival fora do filme (Ward Crane).

Toda esta sequência é feita de momentos admiráveis, com soluções imaginativas, que vão desde a forma como Keaton salta de um comboio agarrado a um cano de água que o projecta para o chão (Keaton partiu o pescoço nessa cena), transforma um carro num barco, salta por uma janela através de um vestido, etc, etc. Cada situação é única e emblemática, quase sempre com recurso à sua famosa destreza física, ajudando a compor uma história viva, criativa e sempre empolgante.

O filme esteve longe de ser um sucesso aquando da sua estreia, e Keaton tê-lo-á mesmo reeditado várias vezes, sendo por isso mais curto que a maioria das suas longas-metragens. Hoje é considerado um dos maiores clássicos da comédia, elogiado por muitos críticos devido às questões que levanta sobre a relação entre espectador e obra.

Produção:

Título original: Sherlock Jr.; Produção: Buster Keaton Productions; País: EUA; Ano: 1924; Duração: 44 minutos; Distribuição: Metro Pictures Corporation; Estreia: 21 de Abril de 1924 (EUA), 12 de Abril de 1926 (Portugal).

Equipa técnica:

Realização: Buster Keaton; Produção: Buster Keaton [não creditado], Joseph M. Schenck; Argumento: Jean C. Havez, Joseph A. Mitchell, Clyde Bruckman; Fotografia: Elgin Lessley, Byron Houck, [preto e branco]; Direcção Artística: Fred Gabourie; Montagem: Buster Keaton [não creditado]; Figurinos: Clare West [não creditada].

Elenco:

Buster Keaton (Projeccionista / Sherlock, Jr.), Kathryn McGuire (A Rapariga), Joe Keaton (O Pai da Rapariga), Erwin Connelly (Homem Contratado / O Mordomo), Ward Crane (O Galã Local / O Vilão).

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