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The Shriek of ArabySinopse:

Um empregado num cinema, cuja função é publicitar filmes pelas ruas (Ben Turpin), sonha que é ele próprio o intérprete de um filme de aventuras galantes, à maneira de Rudolph Valentino. Esse sonho envolve viagens no mar, naufágios, e chegadas à Arábia, onde ele se envolve nas lutas locais de poder, lida com príncipes, ladrões, e acaba por casar com uma bela mulher.

Análise:

Em 1917, Mack Sennett, o rei da comédia burlesca de Hollywood, deixou a sua Keystone Company, por razões contratuais que a prendiam à distribuidora Triangle, que ele próprio ajudou a filmar. Sennett logo criou uma nova produtora, a Mack Sennett Comedies, com a qual voltou à ribalta no humor das primeiras décadas do cinema. Já sem algumas estrelas do passado, como Chaplin, Arbuckle ou mesmo Mabel Normand, Mack Sennett construía uma nova equipa, com novos rostos para interpretarem as suas comédias.

Um desses actores foi Ben Turpin, que até já trabalhara com Chaplin no seu ano na Essanay, em 1915, e, chegado a Hollywood, começava a dar nas vistas nos anos 1920. Sob a mão de Sennett, Turpin, com o seu célebre olhar estrábico, e bigode farfalhudo, assentava como uma luva no burlesco caótico que o produtor imprimia às suas comédias.

Após muitas curtas e algumas longas-metragens, surge em 1923 este “Cheik-Cheik”, realizado pelo habitual colaborador de Sennett, F. Richard Jones, com o qual se pretendia fazer uso da fama do recente “The Sheik” (1921) de George Melford, e com o carismático Rudolph Valentino no principal papel. Turpin é a perfeita antítese de Valentino, e logo à partida garantia da sátira em que o filme se torna.

Seguindo em linhas gerais o filme de Valentino, “Cheik-Cheik” mostra-nos um empregado de um cinema (Ben Turpin), encarregado de publicitar um filme pelas ruas, a sonhar ser o herói do próprio filme. Assim vemos Turpin interessar-se por uma bela mulher num navio, o que o leva a ser perseguido pelo capitão, e atirado borda fora. Indo ter ao deserto, é acolhido por um príncipe, que o coloca em controlo enquanto ele se ausenta. O novo sheik vai tentar casar com a mulher desejada, e por fim salvá-la quando um bandido a tenta raptar.

Com o seu habitual jeito trapalhão, dando-se a situações ridículas, numa história cheia de anacronismos (para fins cómicos), Turpin lidera o filme que gira todo em torno do seu personagem. Onde Valentino fora sedutor e galante, Turpin é desajeitado e grosseiro. Onde o filme de Valentino era aventura romântica, o de Turpin é sátira rocambolesca.

Com o seu habitual jeito trapalhão, dando-se a situações ridículas, numa história cheia de anacronismos (para fins cómicos), Turpin lidera o filme que gira todo em torno do seu personagem. Onde Valentino fora sedutor e galante, Turpin é desajeitado e grosseiro. Onde o filme de Valentino era aventura romântica, o de Turpin é sátira de tom patético.

Sendo uma produção ambiciosa de Sennett (com cenários um pouco acima do que era visto nas suas curtas-metragens), o filme, com todo o seu burlesco clássico, não envelheceu devidamente, não estando à altura das obras de Chaplin, Lloyd, Keaton, Linder ou outros. Ainda assim, vale como uma amostra do trabalho de um cómico de excepção, com uma forma muito própria de se mostrar na tela.

Produção:

Título original: The Shriek of Araby; Produção: Mack Sennett Comedies; País: EUA; Ano: 1923; Duração: 50 minutos; Distribuição: United Artists (EUA); Estreia: 5 de Março de 1923 (EUA), 3 de Maio de 1928 (Portugal).

Equipa técnica:

Realização: F. Richard Jones; Produção: Mack Sennett; Argumento: Mack Sennett; Fotografia: Homer Scott, Robert Walters; Montagem: Allen McNeil.

Elenco:

Ben Turpin (Bill Poster / O Sheik), Kathryn McGuire (A Heroína), George Cooper (Presto, o Mágico), Charles Stevenson (Luke Hassan), Ray Grey (Príncipe Árabe), Louis Fronde (Médico Oriental / Chefe da Polícia), Dick Sutherland (Ali o Carrasco / O Bandido), Tiny Ward (Capitão do Navio), Kewpie Morgan (Polícia a Cavalo).

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