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Seven Years Bad LuckSinopse:

Após a sua festa de despedida de solteiro, Max (Max Linder) tem uma manhã de ressaca, na qual inadverditamente parte o grande espelho do seu quarto. Temendo os proverbiais sete anos de azar, Max toma todas as precauções antes de se dirigir a casa da sua noiva (Alta Allen). Mas quanto mais Max tenta evitar possíveis fontes de perigo, mais acidentes provoca, colocando-se em trabalhos que o levam a pôr em risco o noivado, e acabando perseguido pela polícia.

Análise:

Max Linder foi um dos mais célebres comediantes do seu tempo na Europa. Começando como actor secundário na então todo-poderosa Pathè, foi vendo a sua carreira progredir até se tornar uma figura famosa, a partir das suas curtas-metragens como Max, iniciadas em 1907. Tornava-se então o rosto mais popular do cinema europeu, com uma comédia fina, feita de situações inteligentemente pensadas, por um personagem identificável pelos seus modos de aristocrata, de fraque, bengala, cartola e charuto.

Foi esta fama que levou George K. Spoor, presidente da americana Essanay, a convidá-lo para substituir Chaplin, que então deixara esta companhia. Mas uma série de infortúnios fez com que os apenas três filmes de Linder fossem um fracasso. Linder voltou em 1921 aos Estados Unidos, criou a Max Linder Productions, e realizou algumas longas-metragens, entre elas “Sete Anos de Pouca Sorte”, um filme, como habitualmente, escrito, produzido, realizado, e interpretado pelo próprio.

Em “Sete Anos de Pouca Sorte”, Linder é o habitual Max, um aristocrata bon vivant, que chega a casa bêbedo, e na manhã seguinte, não distingue um espelho partido, quando um dos seus empregados faz de seu reflexo. Só que, para provar que o espelho não existe, Max parte o espelho novo, e a partir daí fica vítima da maldição dos sete anos de azar.

Procurando tomar todos os cuidados (o que implica evitar transportes, e pedir a uma vidente que lhe leia a sina) Max vai causar as suas próprias desgraças, enfurecendo a noiva (Alta Allen), acabando por ser roubado, fugindo num comboio sem bilhete, fazendo-se passar por mestre de estação, sendo perseguido pela polícia num Zoo, e acabando preso. Claro que para vermos que o tal azar não existe, todos estes eventos têm uma consequência: reuni-lo com a sua amada no tribunal, acabando por transformar um julgamento num casamento.

Apreciado pelos seus pares (Chaplin considerava-o um mentor), e desprezado pelo público americano, Max Linder mostra em “Sete Anos de Pouca Sorte” uma história interessante, composta de alguns gags absolutamente bem conseguidos. Logo desde o seu duelo com o casaco à entrada de casa, passando pelas confusões entre janela e guarda-roupa, até à divina cena do espelho na manhã seguinte, se percebe que estamos perante muito mais que o habitual burlesco. Linder sabe jogar com as situações, tirando partidos de qualquer objecto com invenção e humor, muito ao jeito de Chaplin, com quem alguns dos seus maneirismos se assemelham.

O filme é dinâmico, e servido de momentos deliciosos de grande imaginação, mas ainda assim ficou longe do sucesso a que Linder estava habituado em França. Max Linder ficaria nos Estados Unidos mais dois anos, antes de regressar à Europa.

Produção:

Título original: Seven Years Bad Luck; Produção: Max Linder Productions; País: EUA; Ano: 1921; Duração: 61 minutos; Distribuição: Robertson-Cole Distributing Corporation (EUA); Estreia: 6 de Fevereiro de 1921 (EUA).

Equipa técnica:

Realização: Max Linder; Produção: Max Linder; Argumento: Max Linder; Fotografia: Charles J. Van Enger [preto e branco].

Elenco:

Max Linder (Max), Alta Allen (Betty, A sua noiva), Ralph McCullough (John, O seu criado pessoal), Betty K. Peterson (Mary, A sua criada), F. B. Crayne (O seu falso amigo), Chance Ward (O revisor do comboio), Hugh Saxon (O mestre da estação), Thelma Percy (A filha do mestre da estação), Cap Anderson (O colega de cela), Lola Gonzales (Criada Havaiana de Betty) [não creditada], Harry Mann (Cozinheiro de Max) [não creditado].

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