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Chronik der Anna Magdalena BachAtravés das palavras de Ana Madalena Bach (Christiane Lang), acompanhamos grande parte da vida profissional do famoso compositor alemão Johann Sebastian Bach, pelos locais em que este viveu, os cargos que ocupou, e as decisões que teve de tomar em prole da sua carreira. As narrações são intercaladas por um vasto número de interpretações musicais dirigidas ou interpretadas por Bach (Gustav Leonhardt).

Análise:

“Crónica de Ana Madalena Bach” é um dos vários filmes da dupla de realizadores franceses, Danièle Huillet e Jean-Marie Straub, baseados em música clássica. Realizando, escrevendo, desenhando e ajudando a produzir um filme que demorou cerca de 10 anos a ser financiado, Huillet e Straub (autores que se iniciaram no cinema colaborando com os grandes nomes da Nouvelle Vague francesa) lideraram em partes iguais esta co-produção germano-italiana dedicada ao famoso compositor de período barroco alemão Johan Sebastian Bach.

O filme destaca-se pelo seu lado austero, a preto e branco, composto maioritariamente por excertos musicais de Johann Sebastian Bach, tocados nos locais onde foram originalmente estreados, por músicos em roupas da época. Tal austeridade vai ainda mais longe, privilegiando planos fixos, e reduzindo a acção ao mínimo. De facto as cenas de interligação entre excertos musicais são maioritariamente constituídas por narrações de Ana Madalena Bach (Christiane Lang). Nelas, aquela que foi a segunda esposa de Bach, dá conta do progresso na carreira do compositor, ds mudanças de cidade, dos seus patronos, das decisões que implicaram o rumo da sua carreira, e das lutas do marido para conseguir melhores condições e músicos.

Para além desta narração assistimos ainda a leituras de cartas de Bach (interpretado pelo virtuoso cravista Gustav Leonhardt), e a alguns pequenos diálogos. Todas estas cenas são filmadas de modo minimalista, com nenhuns ou leves movimentos de câmara, e muitas vezes intercaladas por imagens fixas de estampas, cartas ou outros documentos ilustrativos da época.

Mas o que destaca a obra é o papel da música, que Ana Madalena vai apresentando em contexto, e que ocupa a maior parte do filme. Esta é interpretada pelo Concentus Musicus de Nikolaus Harnoncourt, tendo ainda músicos famosos como Bob Van Asperen no elenco, e abarcando as diversas áreas da produção de Bach, do religioso ao profano, do coral ao instrumental, do orquestral à sua obra para instrumentos de tecla. A música imortal do grande compositor alemão, e a forma singela com que Ana Madalena nos vai guiando ajudam a tornar o filme uma obra de grande beleza.

“Crónica de Ana Madalena Bach” concorreu nesse ano ao Festival Internacional de Berlim.

Produção:

Título original: Chronik der Anna Magdalena Bach; Produção: Franz Seitz Filmproduktion, Gianvittorio Baldi IDI Cinematografica, Straub- Huillet, Kuratorium Junger Deutscher Film, Hessischer Rundfunk (HR), Filmfonds e.V., Telepool; País: República Federal Alemã / Itália; Ano: 1968; Duração: 93 minutos; Distribuição: Neue Filmkunst Walter Kirchner (República Federal Alemã), New Yorker Films (EUA); Estreia: 3 de Fevereiro de 1968 (Holanda), Junho de 1968 (Berlin International Film Festival, República Federal Alemã), 19 de Setembro de 1968 (New York Film Festival, EUA), 28 de Janeiro de 1977 (Portugal).

Equipa técnica:

Realização: Danièle Huillet, Jean-Marie Straub; Produção: Gian Vittorio Baldi, Danièle Huillet, Franz Seitz, Jean-Marie Straub; Argumento: Danièle Huillet, Jean-Marie Straub; Fotografia: Ugo Piccone, Saverio Diamanto, Giovanni Canfarelli [preto e branco]; Música: Johann Sebastian Bach; Montagem: Danièle Huillet, Jean-Marie Straub; Design de Produção: Danièle Huillet; Figurinos: Vera Poggioni, Renata Morroni; Caracterização: Guerrino Todero.

Elenco:

Gustav Leonhardt (Johann Sebastian Bach), Christiane Lang (Anna Magdalena Bach), Paolo Carlini (Hölzel), Ernst Castelli (Steger), Hans-Peter Boye (Born), Joachim Wolff (Reitor), Rainer Kirchner (Superintendente), Eckart Bruntjen (Prefeito Kittler), Walter Peters (Prefeito Krause), Kathrien Leonhard (Catherina Dorothea Bach), Anja Fahrmann (Regine Susanna Bach), Katja Drewanz (Christine Sophie Henrietta Bach), Bob van Asperen (Johann Elias Bach), Andreas Pangritz (Wilhelm Friedemann Bach).

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